Ana Giovanoni: “Governança corporativa gera legitimidade”

Ana Giovanoni

Ana Giovanoni é CEO do Grupo Giovanoni, vice-presidente de Governança no HUBRH+ da Associação Brasileira de Profissionais de Recursos Humanos, atua na área de Consultoria Organizacional e Governança Corporativa, especialista em Ressignificação do modelo de educação, capacitação e gestão para transformar as organizações, contribuindo com sua sustentabilidade no longo prazo. O Grupo Giovanoni tem como propósito “prover soluções holísticas para a gestão da saúde”, atuando na transformação da gestão das organizações por meio da implantação de Boas Práticas de Governança Corporativa, Gestão Estratégica e ressignificação dos modelos de negócio em prol da sustentabilidade corporativa das organizações. Para o Panorama Mercantil ela afirma: “A governança corporativa gera legitimidade por meio da implementação de boas práticas de governança sustentadas pelos 4 princípios da transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa. A sustentabilidade corporativa é decorrente de uma boa governança que converte os princípios básicos em recomendações objetivas, alinhando interesses com a finalidade de preservar e otimizar o valor econômico de longo prazo da organização, facilitando seu acesso a recursos e contribuindo para a qualidade da gestão da organização, sua longevidade e o bem comum”.

Ana, como a governança corporativa e a sustentabilidade geram legitimidade em sua visão?

Cada vez mais, desafios sociais e ambientais globais, regionais e locais fazem parte do contexto de atuação das organizações, afetando sua estratégia e cadeia de valor, com impactos na sua reputação e no valor econômico de longo prazo. Mudanças climáticas, a ampliação da desigualdade social e inovações tecnológicas, entre outros fatores, têm imposto transformações na vida das organizações. Tais circunstâncias impõem a necessidade de uma visão ampliada do papel das organizações e do impacto delas, na sociedade, suscitando maior reflexão sobre o padrão de governança. Esta cada vez mais evidente a responsabilidade dos agentes de governança diante de temas como sustentabilidade, corrupção, fraude, abusos nos incentivos de curto prazo para executivos e investidores, além da complexidade e multiplicidade de relacionamentos que as organizações estabelecem com os mais variados públicos.

A governança corporativa gera legitimidade por meio da implementação de boas práticas de governança sustentadas pelos 4 princípios da transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa. A sustentabilidade corporativa é decorrente de uma boa governança que converte os princípios básicos em recomendações objetivas, alinhando interesses com a finalidade de preservar e otimizar o valor econômico de longo prazo da organização, facilitando seu acesso a recursos e contribuindo para a qualidade da gestão da organização, sua longevidade e o bem comum.

Como avalia o enfoque das empresas quando o assunto é governança corporativa e sustentabilidade?

A governança corporativa é o sistema pelo qual as empresas e demais organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre sócios, conselho de administração, diretoria, órgãos de fiscalização e controle e demais stakeholders. Este tema precisa ser incluído na pauta das organizações de qualquer porte, segmento ou perfil de negócio para a sustentabilidade seja viabilizada. A discussão sobre sustentabilidade corporativa decorre das próprias atribuições do Conselho de Administração entre elas: orientação geral e gestão estratégica dos negócios da companhia; busca do adequado retorno do investimento; compatibilização dos interesses daqueles que são afetados pelas atividades da empresa; gerenciamento de riscos empresariais; e administração de crises. Os conceitos e instrumentos da sustentabilidade são úteis aos conselheiros no exercício eficaz dessas atribuições.

Qual o papel dos stakeholders nesse ecossistema?

O reconhecimento de que as atividades das empresas interessam a um universo de agentes econômicos e sociais além dos acionistas levou ao surgimento do termo stakeholders, inspirado em shareholders (acionistas), utilizado para designar pessoas ou grupos que têm interesses legítimos no comportamento das empresas, sendo impactadas por suas atividades e podendo influenciá-las; os mais comuns são os clientes, fornecedores, empregados, órgãos governamentais, meios de comunicação, populações nas áreas de operação das empresas e organizações não governamentais (ONGs).

Os gestores devem estar aptos a lidar com os interesses dos diversos stakeholders, para atenderem aos objetivos de longo prazo dos shareholders. O mapeamento e acompanhamento das relações com os principais stakeholders, deve considerar seus diferentes níveis de importância urgência, poder de pressão e legitimidade. Por isto definir instrumentos para o diálogo com esses grupos, tais como audiências públicas, redes sociais, reuniões com temas específicos e pesquisas por institutos são aspectos fundamentais para assegurar o compromisso da empresa com as partes interessadas, que além de ser uma boa prática de governança, também contribui para a sustentabilidade do negócio.

Quais as maiores dificuldades dos atuais modelos de gestão empresarial quando assunto é sustentabilidade?

Considero uma dificuldade importante a definição e a implantação de uma política de sustentabilidade, integrada à estratégia corporativa e ao modelo de negócio, que funcione de fato indo além das reuniões do comitê de sustentabilidade e permeando a organização como um todo, sendo integrada à cultura organizacional. A definição de metas e responsabilidades associadas à sustentabilidade, vinculando-as ao sistema de avaliação de desempenho e remuneração de executivos ainda é pouco praticada nas organizações. Relacionar essas metas e responsabilidades com parâmetros operacionais específicos, como consumo de recursos hídricos, uso de energia, manejo de resíduos e relações de trabalho também devem fazer parte da sustentabilidade.

Existem empresas que falam sobre sustentabilidade apenas da “boca para fora?”.

Em todos os aspectos da vida empresarial há muita falácia sobre o que é o ideal e recomendável e o que “de fato” é realizado pelas organizações. No meu entendimento cada dia estamos mais próximo desta distância se reduzir por uma questão de competitividade, de reputação e de valor de mercado. Aos poucos, a divulgação dos relatórios de sustentabilidade individualizados ou integrados ao Relatório da Administração, contribui para reduzir a assimetria de informação entre gestões e os diversos stakeholders. Esses relatórios devem sinalizar o futuro e equilibrar a discussão dos pontos positivos e negativos da atuação das empresas. Falar apenas sobre o que deu certo afeta a credibilidade do relatório, podendo reduzi-lo a uma peça ineficaz de propaganda corporativa. O objetivo é dar informações quantitativas e qualitativas de interesse dos stakeholders, sendo uma forma do mercado conseguir separar “o joio do trigo”. A falácia, sem fatos e dados consistentes abre espaço para uma imagem duvidosa e reputação questionável pelo mercado.

Como diferenciar uma empresa que está tratando desse assunto de uma forma efetiva e assertiva?

A melhor forma de diferenciar uma empresa que trata esse assunto de forma efetiva e assertiva é acompanhar as suas decisões, suas iniciativas estratégicas, suas políticas e diretrizes da gestão para a sustentabilidade. Além disto, a materialidade das questões abordadas, relatando os principais problemas, realizações e desafios, pois, transparência é o primeiro princípio da governança. Demonstrar os resultados dos seus indicadores para desempenho sustentável, fornecendo metas e apontando as ações realizadas para alcançá-las é outra forma de avaliar a efetividade da governança. O termo “licença social” amplamente utilizado nos estudos de sustentabilidade, significa a aceitação pela sociedade da forma de operar das empresas. Não se trata de uma licença escrita, como as licenças ambientais de instalação e operação, mas da compatibilidade entre as atividades da empresa e os princípios e valores que regem a vida das sociedades.

Fale um pouco sobre o Grupo Giovanoni.

O Grupo Giovanoni é uma empresa familiar constituída por 2 organizações: a Giovanoni Internacional focada no fornecimento de serviços de consultoria e a T-Power Desenvolvimento e Treinamento focada no desenvolvimento de executivos e lideranças. O grupo tem como propósito “prover soluções holísticas para transformar a gestão da saúde”. Acreditamos na construção coletiva como forma de construir pontes e aproximar as pessoas para o desenvolvimento da gestão organizacional, baseada nos princípios da governança corporativa. O Grupo Giovanoni tem paixão por atuar em empresas que querem crescer, empreender e inovar em produtos e serviços estando abertas a mudar o que for preciso para tornar a sua gestão mais adequada às necessidades dos stakeholders. Desenvolver a pessoas para que estas possam transformar a gestão é o nosso maior legado para a organização, por isto não temos receitas prontas e nem produtos embalados para todos os tipos de empresas, temos um método construtivista desenvolvido ao longo da nossa trajetória de 21 anos de atuação no mercado, baseado no PDCL e sustentado pelos princípios da governança corporativa e os valores do Grupo Giovanoni.

Como a sua empresa auxilia na transformação das organizações?

Auxiliamos as pessoas a enxergar os processos e resultados da empresa sob um novo olhar, mais amplo, sistêmico e integrado, conectando as pessoas e as tecnologias para prover melhores entregas aos clientes e demais stakeholders. Desenvolvemos o mindset por meio de perguntas poderosas, reflexões sobre o estágio atual e parâmetros avançados de gestão organizacional e principalmente pela psicologia positiva, valorizando comportamentos proativos. Sabemos que o pensamento gera emoções e as emoções podem atrapalhar a gestão e a produtividade das empresa, por isto queremos apoiar as lideranças para refletir sobre o seu propósito e suas crenças para fazer algo que realmente importa e modifica a vida de outras pessoas.

Quais são as boas práticas de governança corporativa que são fundamentais para o Grupo Giovanoni?

Definição clara das políticas e diretrizes da governança; Divulgação e internalização do Código de Conduta; Sistematização das análises de resultados com criticidade e profundidade para assegurar a sustentabilidade do negócio; Aplicação e vivência prática dos 4 princípios de Governança Corporativa (transparência, equidade, prestação de constas e responsabilidade corporativa); Regras claras e cumpridas por todos em relação a conflito de interesses; transações entre as partes interessadas; uso de informações privilegiadas; brindes e doações; prevenção e detecção de fraudes e atos ilícitos; Avaliação de desempenho dos membros da governança corporativa e da diretoria executiva como forma de aprimoramento da performance.

Elas podem ser considerados como um pilar organizacional?

As boas práticas de governança se constituem nos pilares para a gestão organizacional, alicerçada nos valores e propósito da empresa e viabilizadas pela transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa. As boas práticas de governança viabilizam um modelo de gestão com práticas mínimas de gestão de riscos e controles internos que assegurem a sustentabilidade do negócio.

O futuro da governança corporativa passa pelo ESG?

Sem dúvida, o ESG é decorrente da conexão entre sustentabilidade e o desempenho empresarial sob os aspectos econômicos, sociais e ambientais. O ISE,

Índice de Sustentabilidade Empresarial, primeiro índice em bolsas da América Latina monitora o desempenho de uma carteira teórica de ações escolhida pela combinação de liquidez com padrões de desempenho ambiental, social e de governança corporativa. A associação entre os conceitos de sustentabilidade e governança se reflete no fato de que muitas das ações que compõem o ISE estão também no Índice de Ações com governança Corporativa Diferenciada da B3. ESG é um desafio para todas as organizações que quiserem permanecer no mercado com sustentabilidade.

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