Antonio Wrobleski: “O Brasil está engatinhando em planejamento ainda”

presidente da Pathfind

Antonio Wrobleski é presidente do Conselho de Administração da Pathfind. Engenheiro, com MBA na NYU (New York University), também faz parte do Conselho da BBM Logística e é sócio da AWRO Logística e Participações. Ele foi presidente da Ryder no Brasil de 1996 até 2008, em 2009 montou a AWRO Logística e Participações, com foco em M&A e consolidação de plataformas no Brasil. Foi Country Manager na DHL e diretor executivo na Hertz. O trabalho de Antonio Wrobleski tem uma exposição muito grande no mercado Internacional, com trabalhos em mais de 15 países tanto no trade de importação como de exportação. Além disso, ele é faixa preta em Jiu-jítsu, há 13 anos, e pratica o esporte há 30 anos. A Pathfind é uma empresa brasileira de software para a cadeia logística com especialização em ferramentas de roteirização e otimização inteligente de distribuição de cargas. A demanda por mais inteligência na distribuição de cargas com o aquecimento do e-commerce impulsionou os negócios da Pathfind, que oferece tecnologia para otimização dinâmica das rotas. Desde março do ano passado, a carteira de clientes cresceu 40% acima do esperado e a previsão de crescimento, feita em janeiro de 2020, dobrou. Atualmente, a empresa atende a mais de 400 clientes, entre eles FedEx, DHL, Votorantim Cimentos, Nestlé e Heineken. “A privatização dará mais eficiência para os produtos comprados, hoje, via Correios”, afirma.

Antonio, qual a importância da otimização da logística em nosso país?

A otimização da logística, no Brasil e no mundo, visa duas coisas, basicamente: melhorar e diminuir as distâncias percorridas e, com isso, provocar uma redução no uso de combustível, contribuindo com a qualidade de vida, e também, é uma ferramenta que dá visualização, ou seja, você sabe onde começou, onde está e onde vai terminar.

Por que existe tanta falta de planejamento nesse importantíssimo setor?

O Brasil está engatinhando em planejamento ainda. As empresas se preocupam em colocar em pé o armazém e os caminhões para fazer a distribuição e elas adequam isso ao seu custo, portanto, adequam mais custo ao produto. A falta de planejamento acontece por falta de conhecimento, pouca instrução, menos acesso às ferramentas de planejamento.

Como fazer um planejamento adequado para acabar com esses gargalos?

O planejamento é composto de algumas ferramentas que consideram: o que você tem? Que tipo de produto você trabalha? Que público você quer atingir? Qual é a infraestrutura necessária pra fazer isso? O planejamento logístico nasce com planejamento fiscal, financeiro, comercial e também entra na operação. Tem que pensar a empresa no OBZ, no planejamento zero e, a partir daí, você passa a trabalhar.

A aceleração digital está impactando esse setor?

Ela começou a impactar, as empresas estão se tornando digitais e o processo de otimização, como a Pathfind tem, é um processo digital, que ajuda a empresa a se inserir no mundo digital. Hoje, o mundo conversa muito entre máquinas. Você compra por máquinas, recebe o posicionamento por máquinas. Ou seja, o mundo está se tornando digital. Não dá pra alguém no analógico, acompanhar o mundo digital.

Vamos falar dos Correios. Quando o senhor acredita que a empresa será privatizada?

Acredito que a largada para a privatização dos Correios será em 2022 e, efetivamente, o final será em 2023.

A eficiência será alcançada com essa privatização?

Não dá pra dizer que a eficiência será alcançada com a privatização. O que podemos dizer é que quem participar nesse processo terá que fazer investimentos em sistemas, em pessoas, em produtos, então a eficiência e a eficácia serão melhoradas e a empresa será colocada em um patamar que outras grandes empresas mundiais estão.

É possível ser eficiente mesmo sendo uma empresa pública como os Correios?

Uma empresa pública pode ser eficiente se tiver uma tratativa de empresa privada, dentro do público, o que é um pouco mais complicado. No Brasil, as empresas públicas sempre foram alvos de partidos políticos e é aí que começam os nossos problemas.

Quais devem ser os critérios para essa privatização?

Antes de tudo, é preciso ter transparência na atuação dessa empresa. É importante contar com uma agência reguladora, que existe hoje, mas nesse caso é preciso ter uma mais focada nisso. Além disso, é preciso haver um grande acordo com a sociedade, mostrando o que isso vai trazer de benefício para todos. Por fim, é fundamental escolher muito bem os players que vão participar do processo. Sobre os critérios que eles precisam ter, o ideal é que sejam empresas voltadas ao segmento de logística ou que já façam isso, ou seja, que tenham conhecimento. O Brasil tem mais de 5 mil cidades e poucas empresas que atingem todas. Correios é uma delas. O segundo critério é poder de investimento. Por fim, que haja uma preparação para ser uma empresa mundial, porque é o que temos com os Correios hoje.

Que empresas fizeram a transição do público para o privado com sucesso nesse ramo da economia?

No ramo de logística, no Brasil, nenhuma. Mas um bom exemplo de sucesso são as estradas privatizadas no estado de São Paulo.

Quais grupos o senhor vê atualmente com mais força para adquirir os Correios numa eventual privatização?

Além do suporte de grupos financeiros, há empresas fortes, de nível internacional, como a DHL, a Federal Express, a UPS, a brasileira Braspress, que sabem do que estão falando e podem ser players. Não acredito que será uma única empresa, mas em um club deal, em que se monta um conjunto de empresas para fazer determinada ação.

Um processo de privatização bem aplicado nessa área mudará a situação do povo brasileiro em que pontos?

A privatização dará mais eficiência para os produtos comprados, hoje, via Correios. Os Correios, como tem participação em mais de 5 mil cidades, podem ser tornar pontos de pick-up – onde a pessoa vai para retirar sua encomenda. Os bancos que existem nos Correios hoje podem ser implementados para o Banco do Povo. Há outras ações que não são só Correios que podem ser ajustadas em uma privatização como essa. Por isso essa é uma privatização que exige muito investimento de longo prazo, como são estradas, e um projeto muito discutido e planejado.

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