As transformações no mercado de seguros

Christian Wellisch

A Globus Seguros nasceu de um spin-off realizado em 2016 com a XP Seguros e ao longo dos anos vem se transformando para abranger todos os produtos de seguros, tanto pessoa física quanto pessoa jurídica, seja com a criação de novos produtos ou a colocação de riscos complexos. Em setembro do ano passado a corretora especializada em soluções para pessoas físicas e negócios de diferentes portes e segmentos, concluiu, por meio da plataforma beegin, sua segunda rodada de captação, atingindo a marca de R$ 3,8 milhões. A ação durou 60 dias e contou com mais de 100 investidores, com ticket médio de R$ 32 mil. “A demanda foi acima do esperado, com muitos pedidos na lista de espera. Além do capital levantado na rodada, teremos mais de 100 ‘embaixadores’ da corretora falando da nossa empresa e modelo de atuação em todo o Brasil, o que com certeza irá alavancar novos negócios”, afirma Christian Wellisch, sócio-fundador da empresa. Desde sua criação, a corretora tem intensificado de forma contínua sua relação com os AAIs. Com mais de 500 clientes corporativos e cerca de 6.000 clientes individuais, a corretora atua com diversos tipos de seguros, entre eles, vida, viagem, saúde, residencial, pet, auto, condomínio, equipamentos portáteis, patrimonial, garantia judicial, responsabilidade civil (médico) e erros & omissões. “O mercado de seguros é um mercado super resiliente”, ainda afirma o fundador.

Christian, quais são as mudanças mais substanciais no mercado de seguros nos últimos 10 anos?

Nós últimos 10 anos o mercado vem saindo de uma zona de conforto e precisando se atualizar em relação à distribuição e tecnologia. O mercado sempre atuou de uma forma tradicional, com as seguradoras trabalhando próximo aos corretores para ofertarem os seus produtos aos clientes. Vimos nestes anos o surgimento de algumas insurtechs, apesar de que algumas acabaram ficando pelo caminho. Você tem uma nova modelagem de distribuição no mercado e o começo de um questionamento a este modelo tradicional. Ainda é cedo para mensurarmos o impacto que as novas tecnologias terão no mercado.

Como se encontrava o mercado de seguros antes da pandemia?

O mercado de seguros é um mercado super resiliente e antes da pandemia vinha mantendo um crescimento acima de dois dígitos no últimos anos, mas podemos dizer que ele estava super estável, sem grandes “novidades”. Antes não havia muita inovação.

A retomada das viagens impulsiona o mercado de seguros no momento?

Irá impactar diretamente na contratação do seguro viagem, que sofreu uma grande retração com o fechamento das fronteiras dos países. Com a reabertura e uma grande demanda reprimida, esse é um produto que volta a ser muito procurado.

Em quais aspectos a tecnologia inclusiva tem influenciado o setor de seguros?

Acredito que influencia principalmente na forma de distribuição dos produtos, que ainda é de um modelo tradicional. Passa a ter uma atuação em modelos digitais e a alcançar um público que não via valor no produto de seguros. Além disso, aumenta a oferta de produtos a serem ofertados, com uma precificação mais agressiva e viável. Em complemento, temos a questão de análise de dados, que para a indústria de seguros é super importante para entender melhor o comportamento do cliente para que a oferta de produto seja mais adequada a sua necessidade.

As insurtechs estão trazendo um novo paradigma para esse setor. Esse novo modo de fazer os negócios seria uma revolução?

Acredito que sim, pois, está mudando a forma como o produto é distribuído e trazendo novos clientes para a indústria. Hoje temos uma geração que não tem uma boa percepção do produto/indústria e que usa apenas os meios digitais para contratação. Os seguros estando neste mundo e como uma experiência melhor irá alavancar as vendas.

Qual é o papel da inovação nesse cenário em sua visão?

A inovação terá um papel transformacional na indústria. Irá tirar o mercado da zona de conforto e fará com que em um curto espaço de tempo tenhamos uma evolução muito grande, seja em produto, distribuição e experiência.

Quais produtos estão tendo uma maior aceitação nessa indústria?

Em função da pandemia alguns produtos se destacaram, como o Seguro garantia, pois, se trata de um produto de crédito para os clientes; e o Seguro de vida individual, já que as pessoas estão buscando maior segurança e preocupadas com o que pode acontecer. E também o Saúde PME, também em função de ter um maior cuidado com a saúde.

Você poderia nos falar um pouco mais sobre o que é o Sandbox Regulatório?

É um marco super importante para o mercado, pois, trouxe regras mais flexíveis para a implantação de novos projetos e inovação no que tange produtos, serviço, distribuição, processo e uma maior eficiência operacional. O objetivo é que se possa testar novas operações e modelagem de uma forma mais ágil, antes de passar por um processo mais complexo de regulação.

Como a Globus Seguros têm operado na atual conjuntura?

Hoje ainda estamos trabalhando de forma 100% remota com todo o time em casa. Estamos planejando uma volta híbrida para o fim de janeiro, porém, ainda ajustando o melhor modelo. Nesse período investimos muito em tecnologia e no nosso canal de distribuição de forma a estarmos juntos aos nossos parceiros e clientes.

Quais foram os grandes desafios e as grandes conquistas da Globus nesse período turbulento?

Como todas as empresas, entramos no período de pandemia com muitas incertezas e precisamos fazer um grande exercício de olhar para dentro de casa. Com isso, conseguimos melhorar nossos fluxos operacionais, deixamos a empresa mais leve, melhoramos a comunicação com nosso time e sócios e os investimentos realizados em tecnologia deram os resultados que esperávamos. Ao longo do período passamos por uma rodada de investimento para investirmos em três principais pilares: Tecnologia, Marketing e expansão da nossa rede de distribuição, visando acelerar o nosso crescimento.

Durante esse período nosso time cresceu 32% e de 2019 para 2021 iremos dobrar a empresa de tamanho em receita. Terminamos 2021 colocando mais de R$150 milhões em prêmio no mercado. Vimos muitas empresas pisando no freio e acreditamos que era o momento de pisar no acelerador e nos preparar cada vez mais para os próximos passos da companhia.

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