Augusto Angelis: “Promessas grandiosas também criam desconfiança”

 Augusto Angelis

Imagine um planeta Terra dividido em trilhões de quadrados virtuais, que podem ser comercializados com dinheiro real. Essa é a proposta inicial da plataforma Earth 2 (Terra 2), que vende a ideia de ser não apenas uma realidade alternativa digital, mas um jogo no qual as pessoas possam se sentir fisicamente em qualquer lugar do mundo. Lançada em novembro de 2020, a plataforma permite, nesta primeira fase, a compra e venda de terrenos virtuais com uma visualização “à la Google Earth”. Um E$ (o dinheiro do jogo) equivale a um dólar (US$). Há lotes mais caros e mais baratos, com atualização diária de preços, dependendo do lugar escolhido. Os terrenos, de cerca de 100 metros quadrados, valem de centavos de dólar (em Camarões, por exemplo) a quase US$ 60 (nos EUA). Então, fica a pergunta: comprar lotes virtuais pode ser um bom investimento? A resposta é sim, mas é preciso investir com cautela neste momento, de acordo com Augusto Angelis, head de Marketing, Produtos e Novos Negócios da CTC, empresa brasileira de serviços de tecnologia, referência em soluções de TI. “Dentro do jogo, os terrenos sofrem variações de preço de acordo com fatores como popularidade, procura e quantidade de recursos naturais mapeados. Os espaços podem ser comprados e vendidos, gerando até o momento valorização de até 20 vezes o valor original”, afirma o especialista.

Muitos ainda não sabem o que é a plataforma Earth 2. Fale um pouco mais sobre ela.

Podemos dizer que o Earth 2 (ou Terra 2) é, neste momento, uma plataforma de investimentos com um perfil de marketplace e ferramentas/design de um jogo de realidade virtual. Lançada em novembro de 2020, a plataforma promete uma evolução em três fases. Estamos na primeira fase, na qual a Terra está dividida em trilhões de quadrados virtuais na escala 1:1, com uma visualização “à la Google Earth”. Esses terrenos podem ser comprados e comercializados com dinheiro real via PayPal. Um E$ (o dinheiro do jogo) equivale a um dólar (US$). Há lotes mais caros e mais baratos, com atualização diária de preços, dependendo do lugar escolhido. Os terrenos, de cerca de 100 metros quadrados, valem de centavos de dólar (em Camarões, por exemplo) a dezenas de dólares (nos EUA), de acordo com a localização e a lei da oferta e da procura entre os jogadores.

A plataforma promete evoluir para as fases 2 e 3. Na segunda fase, a promessa é oferecer um novo e potente grau de valorização e desvalorização dos terrenos, ao incluir recursos naturais, acidentes geográficos e outros fatores. Por exemplo, uma área com ouro ou água seria valorizada; um lote com pouco ou nenhum recurso natural perderia valor. O jogo poderá trazer ações randômicas, como descoberta de petróleo ou um incêndio florestal, e mais: há a promessa de que acontecimentos reais influenciem na plataforma (por exemplo, se um terremoto atingir um país e você tiver um terreno virtual nesse local, ele também será afetado pela catástrofe.

Na terceira fase, a ideia é transformar o jogo em um gigantesco mundo virtual 3D, ou seja, um modelo tridimensional do planeta com a simulação de construções, exploração, interação… E, no futuro, até a interação pessoal/virtual – a tão sonhada realidade virtual plena idealizada pelo criador da plataforma, Shane Isaac, CEO do Earth 2.

Qual seria o conceito entorno da plataforma?

É um conceito bastante ambicioso. A plataforma alega ser “o começo de uma realidade virtual totalmente imersiva” similar aos ficcionais “Matrix” e “Jogador Número 1”.

Como acontece o desenvolvimento e a negociação de terrenos na plataforma?

O usuário cria uma conta e pode comprar o dinheiro virtual do Earth 2 (E$) à cotação de 1/1 para o dólar (US$) utilizando o PayPal. A partir daí, o jogador pode comprar um terreno virtual da plataforma (caso haja disponibilidade) ou de outros jogadores. É possível acompanhar cotações, valorização, compras, vendas… A negociação é feita por intermédio da própria plataforma, em um sistema de chat. A plataforma permite “sacar” o dinheiro oferecendo um e-mail que o usuário encaminha com o seu pedido, com taxas de até 2% de acordo com o valor retirado.

Qual o limite para a compra desses terrenos?

O limite seria a disponibilidade de lotes presentes na Terra virtual. A plataforma mostra qual a posição de todos os usuários em relação à quantidade de terrenos possuídos.

Mesmo que um terreno já tenha dono, seria possível fazer uma oferta para tentar comprar aquela propriedade?

Sim. Essa é exatamente a dinâmica do jogo, ao bom estilo do investimento/especulação imobiliária.

Como funciona o mercado no Earth 2?

Por enquanto, os terrenos valorizam e desvalorizam de acordo com fatores como popularidade, procura e quantidade de recursos naturais mapeados. Importante ressaltar que o dinheiro virtual do jogo não é uma criptomoeda (como uma bitcoin), mas a tendência é que o E$ se transforme, sim, em uma.

A variação desse mercado segue as normas do mundo real?

Não. O mercado imobiliário no mundo real é extremamente complexo. No Earth 2 podemos dizer que as regras utilizam a mesma lógica, mas de uma forma muito mais simples. Por exemplo, um lote que esteja em um país rico, em uma área de grande procura e com potencialidade de ter recursos vai valorizar; no mundo real, se o terreno estiver invadido ou abandonado, ou tiver um problema judicial com a prefeitura, a situação muda. Isso o jogo (ainda?) não consegue reproduzir.

Já é possível ganhar dinheiro com o Earth 2?

Sim. Ganhar e perder. A valorização máxima que se tem visto nos lotes é de vinte vezes o valor inicial.

Quais seriam as principais maneiras de ganhar dinheiro no Earth 2?

Especulando, na mesma lógica de outros investimentos ou de investimentos imobiliários. Comprar lotes, esperar valorizarem, e vendê-los.

A plataforma pode ser considerada um investimento?

Ela pode ser vista de várias formas. Tanto como apenas um jogo, uma diversão, como uma forma de investimento. Neste caso, é preciso muita cautela, porque o Earth 2 deve ser considerado um “investimento de alto risco”. Não pela lógica da plataforma, mas pela desconfiança sobre a plataforma em si: parte dos usuários reclamam que o resgate de valores demora semanas ou meses, e muitos têm acusado o Earth 2 de ser um esquema de pirâmide disfarçado. Resumindo, por ser algo inédito, o Terra 2 ainda tem uma série de questões em “áreas cinzas”. Por isso, é preciso extrema cautela, começar com pouco dinheiro, para testar a plataforma e o jeito de fazer negócios. Se conseguir uma boa valorização, teste uma retirada de valor para saber como funciona e se dá certo.

O que vislumbra para o Earth 2 no futuro?

É difícil dizer. A torcida é para que a plataforma dê certo, claro. Mas as promessas grandiosas também criam desconfiança sobre como esse projeto irá se sustentar dos pontos de vista financeiro, tecnológico, jurídico e outros. Ainda há muitas polêmicas e dúvidas sobre se este projeto realmente vingará. Quem efetivamente quiser entrar no mundo de Earth 2 precisa ter cautela e estar sempre bem informado sobre ele.

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