Berenice Arvani: “O mundo ficou mais digital”

A galerista

A moda foi o caminho que levou Berenice Arvani a entrar para o mercado de arte. A galerista trabalhava com moda nos anos 80 e ia anualmente a Paris para trabalhar nos Salões do Prêt-à-Porter. Nas horas vagas que tinha na capital francesa, visitava as galerias do aprazível bairro Marais (bairro mais cool da Cidade Luz) e percebeu, então, que se interessava mais pela arte do que pela moda. Em 1989, Berenice abriu um escritório de arte onde atendia galerias de fora de São Paulo. Em 2000, na Rua Oscar Freire (localização privilegiada na capital paulista), inaugurou a Galeria Berenice Arvani, local onde está instalada até hoje. Sua galeria trabalha principalmente com arte contemporânea, com foco especial em artistas construtivos como Judith Lauand, Lothar Charoux, Luiz Sacilotto, João José Costa, entre outros. As obras de seus artistas fazem parte de acervos dos melhores museus e coleções particulares. A Galeria tem participado de feiras de arte no Brasil e no exterior. “Todos os segmentos pós-pandemia terão que se reinventar. Quem não fizer isso, vai ficar para trás. O mundo ficou mais digital e temos que acompanhá-lo. Surgiram várias plataformas, advisors, feiras online, etc. Temos diferentes ferramentas para nosso trabalho, ficar esperando o cliente na galeria foi superado. No exterior isso já acontecia antes da pandemia, mas agora no Brasil está pegando forte”, afirma a renomada e conceituada galerista.

Berenice, o que é ser um(a) galerista no Brasil?

Vai depender do foco de cada um. Existem alguns segmentos. O nosso é acrescentar cultura, aliada à satisfação comercial.

Quais os principais pilares da sua galeria?

Nosso principal foco está nos artistas do Grupos Concretistas, Ruptura (São Paulo), Frente (Rio de Janeiro), nos Pops dos Anos 60 e 70 e também acreditamos em alguns artistas jovens com potencial.

Alternar artistas conhecidos com artistas contemporâneos de vanguarda é o grande trunfo da sua galeria?

Não sei se seria um trunfo. É uma opção. Trabalhar com artistas jovens cujos valores são mais baratos, torna-se uma boa opção para quem está começando a colecionar e não dispõe de valores dispendiosos.

Em que momento essa mescla foi definida?

Desde quando começamos em 2001. Este ano a galeria faz 20 anos. Vamos comemorar… Os artistas dos anos 50, 60 e 70 que se destacam no mercado hoje, não começaram importantes. A Galeria precisa indicar alguns artistas que poderão se destacar amanhã. Uma coisa é uma certeza, outra é uma aposta.

Como está a condição do artista contemporâneo em nosso país atualmente?

Acredito que vão bem. A arte moderna e a contemporânea andam de mãos dadas e sempre há gosto para tudo. Quem define é o colecionador, através de sua identidade com as obras, intuição e o quanto deseja investir.

O mercado de arte em tempos de crise exige criatividade. Como essa criatividade está moldando a Galeria Berenice Arvani?

Todos os segmentos pós-pandemia terão que se reinventar. Quem não fizer isso, vai ficar para trás. O mundo ficou mais digital e temos que acompanhá-lo. Surgiram várias plataformas, advisors, feiras online, etc. Temos diferentes ferramentas para nosso trabalho, ficar esperando o cliente na galeria foi superado. No exterior isso já acontecia antes da pandemia, mas agora no Brasil está pegando forte.

É o período mais complexo que você já passou como galerista?

Em 2020 com quase 9 meses de pandemia, graças a Deus, não podemos nos queixar. Fizemos alguns negócios no exterior, a SP-Arte online funcionou bem e a Exposição Diálogo Concreto correspondeu ao almejado. Neste ano, a expectativa é que será bom também.

Como estava sendo a participação da galeria em feiras de arte no Brasil e no exterior antes da pandemia?

Gostamos bastante de participar da Frieze Master, em Londres, mas não participamos de muitas feiras no exterior. Preferimos fazer parcerias com Galerias em exposições.

Em que momento o galerista assume o papel de educador?

No momento que passa segurança ao colecionador.

Como as observações externas influem em seu trabalho?

Me dedico muito ao meu trabalho e não tenho tempo de perceber as influências externas. Portanto, elas não influem.

Quais os passos que a Galeria dará em 2021?

Acreditamos que sairemos da fase vermelha e poderemos cumprir as exposições programadas para 2021, mas ainda não dá para termos certeza de nada.

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