Bruna Richter: “Fazer pausas não significa fugir da realidade”

Grupo Grão

Bruna Richter é graduada em Psicologia pelo IBMR, em Ciências Biológicas pela UFRJ, pós-graduanda no curso de Psicologia Positiva e em Psicologia Clínica, ambas pela PUC. Bruna é ainda uma das fundadoras do Grupo Grão, projeto que surgiu com a mobilização voluntária em torno de pessoas socialmente vulneráveis, através de eventos lúdicos, buscando a livre expressão de sentimentos por meio da arte. É também formada em Artes Cênicas, pelo SATED, o que a ajuda a desenvolver esse trabalho de forma mais eficiente. Escreveu os livros infantis: “A Noite de Nina – Sobre a Solidão”, “A Música de Dentro – Sobre a Tristeza” e ” A Dúvida de Luca – Sobre o Medo”. A trilogia versa sobre sentimentos difíceis de serem expressos pelas crianças – no intuito de facilitar o diálogo entre pais e filhos sobre afetos que não conseguem ser nomeados. Inventou também um folheto educativo para crianças relacionado à pandemia, chamado “De Carona no Corona”. “Gerações passadas vivenciaram outras questões desafiadoras, como a primeira e a segunda grande guerra. Entretanto, penso que é a primeira crise dessa magnitude vivenciada pela nossa geração. A grande diferença dessa pandemia para epidemias anteriores, a meu ver, é que estamos em um mundo cada vez mais interconectado, e, portanto, precisaríamos seguir um protocolo de segurança semelhante nos diversos países para conseguir conter o vírus”, afirma.

Bruna, acredita que estamos passando pelo maior desafio psicológico da nossa história?

Gerações passadas vivenciaram outras questões desafiadoras, como a primeira e a segunda grande guerra. Entretanto, penso que é a primeira crise dessa magnitude vivenciada pela nossa geração. A grande diferença dessa pandemia para epidemias anteriores, a meu ver, é que estamos em um mundo cada vez mais interconectado, e, portanto, precisaríamos seguir um protocolo de segurança semelhante nos diversos países para conseguir conter o vírus.

Como 2021 surge nesse cenário?

Esse me parece um ano de precaução e de manutenção de cuidados. Ainda que já estejamos avançados em relação aos estudos sobre o Covid-19 e que as vacinas já estejam saindo da fase de teste e sendo colocadas em prática, parece que teremos um longo percurso para nos considerarmos, de fato, mais seguros frente ao alastramento dessa doença.

Uma reinvenção se faz necessária?

Sem dúvida. Desde o ano passado nos percebemos flexibilizando diante das novas possibilidades que o mundo nos apresenta. É importante que, a partir do novo cenário que desponta, consigamos nos ajustar, para que não fiquemos fixos em épocas e hábitos existentes anteriormente.

O que é essencial nessa reinvenção?

Acredito que o essencial é receber as mudanças, sem a perspectiva de aguardar o retorno do que se julgava ser o normal. Receber o novo com curiosidade e aceitação, ao invés de combatê-lo ou de perceber-se paralisado a espera de um novo momento.

Qual a importância da flexibilização pessoal para esse novo momento?

Acredito ser de extrema importância. Acolher os dados de realidade, venham eles como vierem, e agir de acordo com o que surge a cada vez, dia a dia, auxilia no processo de assimilação das novas possibilidades diante desse mundo desconhecido que se desenha.

Como dominar a ansiedade?

Difícil falar sobre uma fórmula que se adeque a todos. Mas um primeiro passo seria abrir mão do controle. Quando percebemos que estamos diante de uma situação inusitada e desconhecida, tendemos a ser reativos, a tentar buscar um retorno à nossa zona de conforto. Essa luta entre o que gostaríamos e o que se apresenta pode gerar uma angústia enorme.

Pausas são importantes para que essa ansiedade seja dominada?

Pausas são essenciais. É nelas que frequentemente nos recarregamos. Esses intervalos nos ajudam na ressignificação, no ajuste da percepção do novo cenário que nos circunda e também, podem ser um estímulo inclusive para o aumento de produtividade. Nelas conseguimos aliviar o estresse e evitar o esgotamento tanto físico quanto mental.

Como não deixar que essas pausas se tornem uma fuga para algo que pode se tornar destrutivo?

Fazer pausas não significa fugir da realidade. Elas implicam se distanciar um pouco para que possamos inclusive enxergar o contexto geral. Se esses intervalos caminharem para uma não aceitação do que se apresenta ou para um sentimento contínuo de impotência, talvez seja o momento de procurar alguma ajuda.

Passar de espectadores para protagonistas da nossa história requer coragem?

Considero que as tomadas de decisões, de uma maneira geral, exijam muita coragem. Entender que desde que acordamos até o momento em que vamos dormir estamos continuamente decidindo sobre situações, relacionamentos ou atitudes que direcionam nossa história é algo ao mesmo tempo, libertador e assustador. E é necessária muita bravura para encarar isso de frente.

Qual o papel do autoconhecimento para que isso ocorra de forma natural?

Quanto mais nos conhecemos, melhor conseguimos entender determinados impulsos ou gatilhos que nos estimulam. Nesse sentido, um olhar mais demorado pra nós, pra nossa própria história, pode nos fornecer pistas valiosas sobre nosso modo de agir ou pensar.

Esse é o grande desafio neste ano que está florescendo?

Difícil prever, pois, o ano ainda está despontando. Contudo, parece que muito do que experimentaremos este ano é de alguma forma uma consequência do que ocorreu no ano anterior. Numa época de tantas mudanças, tão velozes e potentes, talvez o grande desafio seja se manter conectado frequentemente com nossa saúde de forma integral, nos ajustando aos novos desafios e seguindo dispostos a receber o que vier.

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