Carlos Busch: “Devemos ser muito fortes sobre isso”

 Carlos Busch

Carlos Busch reúne mais de 20 anos de experiência como executivo de multinacionais de tecnologia, como: ONU, ecossistema Microsoft, Oracle, Software AG e Salesforce – onde atualmente ocupa o cargo de Vice-Presidente de Vendas na Latin America. Busch possui formação em importantes universidades, como a PUC-RS e FGV, e, especializações em instituições ícones no mundo dos negócios, como Harvard Law School, Massachusetts Institute of Tecnology, Singularity University, London University entre outras. Recentemente lançou sua primeira obra literária: “Muito Além das Expectativas”, pela editora Gente. Segundo ele, a obra foi idealizada para quem busca protagonismo na carreira e nos negócios. Para isso, além de sua história, a de um “improvável” como se intitula já que iniciou sua carreira lavando caminhões até se tornar líder de importantes companhias nacionais e internacionais, Carlos Busch conta em 191 páginas, casos práticos, revela as mudanças constantes do mundo empresarial e cita os principais desafios que um profissional hoje enfrenta para se manter ativo, crescer e ser notado. Como lição, o executivo descreve o método dos “5Ps”: Propósito, Pioneirismo, Pense e Faça, Performance e Pessoas – atitudes básicas para alcançar o sucesso nos dias de hoje. “O pense e faça que uso no livro está muito vinculado em não esperarmos o momento certo para realizar uma atividade. Muitas pessoas têm ideias boas, mas não executam. Uma ideia boa não é nada sem execução. Muitas pessoas acabam esperando muito tempo”, afirma.

Carlos, o que é fundamental para quem busca o protagonismo na carreira e nos negócios?

Na verdade, o protagonismo passa por algumas decisões. Primeiro que a gente não pode terceirizar a responsabilidade de qualquer coisa que acontece na nossa vida, nós somos responsáveis por tudo o que acontece. Temos que eliminar a sensação de vitimismo que muitos carregam consigo ou de terceirizar a responsabilidade. Uma vez que toma essa decisão de ser protagonista, acredito em dois pilares fundamentais. O primeiro coloco que é sempre estar evoluindo. Brinco e ilustro que é a gente ser melhor 1% dia após dia, só comparar a gente com a gente mesmo. Isso é importante para ser protagonista. Além disso, tem um mantra que uso muito que é: servir primeiro. Se a gente sempre busca atender a expectativa do outro, superar a expectativa e entregar primeiro para o outro, sempre teremos um retorno adequado ao longo do tempo.

O que permeia esse protagonismo?

O protagonismo, na verdade, permeia a gente ter uma evolução sobre nós mesmos. É muito complicado a gente se comparar com um terceiro, muitas empresas acabam fazendo isso também e isso é equivocado. Me comparar com um terceiro profissional, por exemplo, pode fazer com que a comparação não seja justa. Estou comparando o palco dele com o meu bastidor e, em contrapartida, a jornada para cada um tem variáveis completamente diferentes. Então o protagonismo para mim se baseia no momento que a gente passa a ser responsável por todas as decisões que a gente toma na nossa vida e que a gente consiga ser melhor que a gente a todo momento.

Vamos falar um pouco sobre os 5Ps. Por que o propósito é essencial para a definição do que se quer?

O propósito é a base de todo o fundamento de você ter sucesso, seja como empreendedor, seja como empresário, executivo, um profissional de mercado. O propósito é muito mais amplo do que preocupar com causas sociais, quando envolve a sociedade – que obviamente são questões importantes, a questão de ter a satisfação do cliente como base, tudo isso é importante. Mas o propósito, na verdade, é a razão de existir. Se a gente não estiver executando aquilo que mexe dentro da gente, e pra quem tem empresa, aquilo que mexe pela sensação e desejo de ter feito aquela empresa, a gente não vai entrar na performance máxima, porque não existe como a gente ser muito bom em algo que não está com aquele calor dentro de nós. Então o propósito dispara muito nisso, ele passa por aquelas pessoas que acima de tudo, acima do ego e do dinheiro, elas têm uma razão de fazer aquilo e isso é fundamental, é um dos grandes pilares.

Por onde deve passar esse propósito?

O propósito tem que ser de uma maneira muito equilibrada de fato o que a gente pensa. Por exemplo, se tenho uma loja de roupa e digo que o meu propósito é resolver todos os problemas dos meus clientes, inclusive relacionados a roupas ou as camisetas, se um cliente meu me buscasse querendo uma camiseta de cor diferente ou com uma estampa diferente e eu não tivesse, não tenho que dizer que não tenho, não posso indicar um telefone de alguém que tenha, tenho que resolver para ele, porque tenho a condição e tenho o propósito de fazer isso. Daí que passa o propósito. Como profissional tenho o propósito de sempre entregar mais do que as pessoas esperam, de me superar, entre outras formas de propósito.

Ser pioneiro é o que distingue uma carreira e um negócio notável do resto da multidão?

O pioneirismo passa pelo pensamento das pessoas originais, daquele pensamento diferente, que ele não faz parte da média e da maioria. Muitas vezes as pessoas acabam adaptando a sua forma de ver as coisas por receio de como elas serão entendidas, ou por receio de não ter aprovação pela maioria. Na verdade, a vida de um pioneiro passa muito por ter ideias que não são tradicionais, são mais originais e ele tem que ter a força de manter isso, acreditar nisso. A gente teve vários pioneiros na sociedade, poderia comentar vários executivos de muito sucesso, como o próprio Elon Musk, Jeff Bezos, Bill Gates, várias pessoas que tiveram um pioneirismo muito forte. Podemos levar esse pioneirismo para outro viés de sociedade que não são só desse tipo de pessoas, como o de Martin Luther King, de querer buscar uma igualdade de direitos, mulheres também, pessoas que trabalham com causas sociais. Temos vários tipos de pioneirismo, o problema é que a gente deixa de ser pioneiro porque não temos a adesão em massa das pessoas sobre uma opinião nossa. Devemos ser muito fortes sobre isso.

O que trava o pensar e o fazer na hora que se tem outros predicados?

O pense e faça que uso no livro está muito vinculado em não esperarmos o momento certo para realizar uma atividade. Muitas pessoas têm ideias boas, mas não executam. Uma ideia boa não é nada sem execução. Muitas pessoas acabam esperando muito tempo, achar o momento oportuno para fazer algo e muitas vezes nesse esperar esse momento elas acabam perdendo a caminhada. Acredito muito na velocidade, mas gosto de separar a velocidade da pressa. A pressa faz com que a gente faça as coisas de maneiras inadequadas, e não é isso o que quero, ter atalho ou pressa. É ter agilidade, senso de agir de imediato, senso de criar uma oportunidade e não esperar uma oportunidade.

Como medir uma performance?

Não parto muito de medir a performance, mas sim do comportamento que tenho que ter para ter performance. A gente conhece muitos profissionais que acabam sendo reconhecidos por grandes resultados, muito porque eles têm um viés de ter um talento para alguma atividade, como um jogador de futebol que vemos que eles destoam da maioria. Muitas vezes eles não são quem busca a melhor performance o tempo todo no treino, mas acabam por um direcionamento biológico, uma facilidade para isso. Mas, de verdade, o protagonista tem que depender só do T1, a performance no sentido de treino. Buscar seu melhor o tempo inteiro, não se basear em benchmarking, no líder de mercado, mas nele mesmo. Ele tem que entender que cada dia ele tem que ser um pouco melhor do que ele já foi. Isso é uma grande oportunidade para quem entender, porque se, por exemplo, melhorar 1% ao dia, imagina o impacto que esse profissional ou essa empresa pode ter em 5 anos. Esse é o grande foco que trago de performance.

Performances podem ser diferentes mais com resultados iguais?

Concordo. Na verdade, performance pra mim hoje engloba, principalmente pro mercado quando falamos de venda, de resultados de negócios, hoje ser uma pessoa com uma performance muito alta, é uma pessoa que tem resultados e tem reconhecimento da forma como chegou nesses resultados. se a pessoa tiver uma forma muito sólida de como está chegando nos resultados, ela será uma pessoa de altos resultados por muito tempo, frente a pessoas que podem ter resultados pontuais ao longo de uma caminhada e elas não são exemplos de performance por isso. Então a performance tem que medir aspectos importantes, por exemplo, se sou um vendedor o mais importante de avaliar o resultado de venda é avaliar o resultado de satisfação de experiência criada para os clientes. Porque a venda é uma consequência disso. muitas pessoas vão gerar uma experiência e conseguir vendas, mas na sociedade que teremos, elas terão uma condição muito menos favorável no passar do tempo se não mudarem essa forma de trabalhar. A performance tem a ver não apenas com o resultado, mas pela forma a qual chego no resultado e como me preparo para isso. Aí encaixa com os outros Ps. Qual o propósito tenho para fazer essa performance? Estou sendo pioneiro de melhorar alguma relação, de entregar um diferencial? Coisas desse sentido.

Qual o papel das pessoas na trilha de um profissional ou de um homem de negócios que quer ser protagonista?

Já existe uma fala muito conhecida de mercado, não conheço o autor, mas que fala que se a gente quer ir mais rápido a gente vai sozinho, mas se a gente quer ir mais longe, a gente tem que ir com alguém. Desde que os homo sapiens passaram a protagonizar na sociedade, há trezentos mil anos, a gente precisa um do outro. Nunca fomos o animal mais forte ou mais rápido, ou de maior tamanho. Mas sim a capacidade que a gente tem de incentivar um ao outro, a capacidade de ter mentores próximos da gente, faz com que possamos, de verdade, ser um protagonista. Um protagonista não é um profissional isolado, mas sim um profissional que tem vários pontos de atenção ou os meus 5Ps, por exemplo, e um deles passa por ter as pessoas certas de forma próxima, pessoas que fazem você progredir.

Como você já disse, não é um processo fácil. O que pode ser feito para suavizar esse caminho?

Gosto muito de uma analogia que se eu fosse querer pintar uma águia no papel, poderia ter uma grande dificuldade devida a complexidade que é a imagem de uma águia. Mas, se eu pegasse essa imagem e desse um zoom, ou seja, aumentasse até um tamanho que ficasse pixelado, tipo como um jogo de crochê, veria cada quadradinho que forma aquela águia e aí eu teria uma desmitificação muitas vezes da caminhada que eu teria. Poderia ver que aqueles muitos quadradinhos nada mais são que quadradinhos pretos, cinzas, brancos e mistos dessas cores, apenas isso. No momento que começo a fazer vários quadradinhos desses, muitos um dia, poucos no outro, mas constantemente estar sempre fazendo quadradinhos adicionais, provavelmente ao longo de um período que me projetei para aquilo, terei a imagem da águia perfeitamente desenhada. Às vezes a gente não tem a condição quando a gente começa uma jornada de ter a capacidade de entregar o final que a gente espera, mas se eu tiver os propósitos adequados, a performance adequada, a visão adequada, o direcionamento adequado, a cada quadradinho estarei somando uma grande imagem que provavelmente será essa águia que eu desejava, por exemplo. Isso suaviza o processo, porque vejo progressão diária, em períodos curtos. Muitas pessoas almejam metas grandes, mas elas não se organizam com foco diário e com metas menores.

Esses 5Ps foram a sua mola mestra?

Diria que sim. Eu ainda não tinha o conhecimento se eram cinco, quatro, três, quais eram os Ps, mas fiz uma autoanálise frente a esses mais de vinte e cinco anos que tenho protagonizado no mercado, de onde saí para onde estou hoje, vendo o que cada quadradinho dessa águia que fui pintando, e esses elementos fizeram parte e foram importantes. Quando analisei outros grandes executivos de mercado, protagonistas não só do meu segmento, mas do esporte, outros caminhos e segmentos de mercado, vi que esses 5Ps também faziam parte. Então uma das formas de ajudar a sociedade, ajudar quem de verdade tem o interesse de fugir da média, ser uma pessoa que de fato possa protagonizar, busquei desmistificar um pouco desse conceito de ser um protagonista, como ser uma pessoa que consegue dia a dia ser melhor e focado no seu propósito. Uma pessoa que tenta de formas diferentes para superar as expectativas das pessoas. Uma pessoa que tem velocidade na forma de agir, que todo dia busca ser melhor e, acima de tudo, uma pessoa que sabe colaborar e receber conhecimento, apoio e energia de todo mundo que o cerca.

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