Carlos Cêra: “Vivemos em um novo cenário”

 Carlos Cêra

Superlógica é uma plataforma financeira e de tecnologia para condomínios e imobiliárias. A empresa foi criada em 2001, em Campinas, interior de São Paulo pelos irmãos Carlos e Luis Fernando Cêra e por Lincoln César do Amaral Filho. Nasceu entregando softwares sob encomenda, mas os sócios decidiram mudar a natureza do negócio, logo depois da fundação, e passaram a investir no setor de condomínios, um mercado que está se profissionalizando cada vez mais. Líder no mercado brasileiro de softwares de gestão financeira para empresas de pagamentos recorrentes, como administradoras de condomínios, imobiliárias, SaaS e serviços por assinatura, a Superlógica tem cerca de 620 funcionários e atende mais de 100 mil empresas. “A Superlógica é uma plataforma financeira e tecnológica para o mercado condominial e imobiliário, cujo principal objetivo é melhorar a vida de quem vive em condomínios. Como estamos em um mercado B2B2C, o grande pilar da empresa é o entendimento que nosso cliente direto, imobiliárias e administradoras de condomínios, são o canal de distribuição de serviços para o consumidor final. Assim como a XP Investimentos tem o agente autônomo, criamos um modelo no qual, atingimos nosso objetivo de transformar a vida de quem vive em condomínios, por meio dos nossos clientes diretos: as administradoras e imobiliárias”, afirma Carlos Cêra.

Carlos, como você analisa o ecossistema empreendedor em nosso país?

O ecossistema empreendedor no Brasil está se aprimorando consistentemente e tem se tornando um ambiente cada vez mais propício para o desenvolvimento de empresas inovadoras em todos os segmentos. O processo de digitalização imposto pela pandemia e o rápido crescimento das empresas de tecnologia colocaram uma leva de startups a caminho da Bolsa brasileira (B3) e até da Nasdaq nos EUA. Houve diversas aberturas de capital das empresas “tech” logo no início do ano e isso tem gerado um efeito favorável em todo o ecossistema, já que os fundos de venture capital e private equity completam seu ciclo e provam que vale a pena investir em startups brasileiras atraindo ainda mais liquidez.

Além disso, em países como EUA e China, as maiores e mais valorizadas empresas são do setor de tecnologia. Então há uma expectativa de que empresas de tecnologias venham ocupar esse posto aqui no Brasil também. Portanto, os investidores brasileiros estão olhando as empresas “techs” como uma grande oportunidade e estão valorizando esses ativos de forma diferenciada, o que, de forma indireta, provoca em empreendedores e fundos interesse em trilhar os mesmos caminhos.

A Superlógica nasceu há 19 anos. O que você tem de mais nítido em sua memória do mercado em que atua desde àquela época?

O mercado mudou bastante. Dificilmente uma empresa como a Superlógica conseguiria investimento naquela época. Antes, o cenário não era tão favorável e as empresas dependiam de empréstimos de instituições financeiras com elevadas taxas de juros. Havia poucos programas de fomento ao empreendedorismo e estímulo para gerar inovação.

Hoje, o ecossistema está muito mais desenvolvido e há vários fundos de venture capital dispostos a apostar em bons empreendedores com ideias transformadoras. Acredito que se a Superlógica nascesse hoje, com sua proposta de transformar a vida de 50 milhões de pessoas, ela seria muito bem amparada e conseguiria atingir seus objetivos em muito menos tempo do que fizemos.

Quais resquícios ficaram daquela época para os dias atuais?

Vivemos em um novo cenário, mas há uma lacuna que precisa ser corrigida em relação à mentalidade e as atitudes de empresas mais tradicionais. Muitas empresas conseguiram fazer a virada de chave e entender as novas oportunidades, mas ainda há muito trabalho a ser feito. Considero que a Superlógica é uma dessas empresas que conseguiu se reinventar. Conseguimos aliar a experiência de uma empresa com quase 20 anos de estrada com a agilidade de uma startup. Nosso papel agora é guiar nossos clientes, as imobiliárias e administradoras de condomínios, a fazerem essa virada também.

Quais os grandes e principais pilares da Superlógica?

A Superlógica é uma plataforma financeira e tecnológica para o mercado condominial e imobiliário, cujo principal objetivo é melhorar a vida de quem vive em condomínios. Como estamos em um mercado B2B2C, o grande pilar da empresa é o entendimento que nosso cliente direto, imobiliárias e administradoras de condomínios, são o canal de distribuição de serviços para o consumidor final. Assim como a XP Investimentos tem o agente autônomo, criamos um modelo no qual, atingimos nosso objetivo de transformar a vida de quem vive em condomínios, por meio dos nossos clientes diretos: as administradoras e imobiliárias.

E os seus maiores diferenciais?

Somos a única plataforma do mercado que alia tecnologia e serviços financeiros em um só produto. Essa mistura tem se provado transformadora. Por exemplo, estamos lançando um produto chamado Inadimplência Zero que elimina o efeito da inadimplência nos condomínios. O produto equilibra, de um lado, automatização de processos, máquinas preditivas, algoritmos de score de risco e, de outro, engenharia financeira e funding, para criar uma solução definitiva para a inadimplência condominial. É uma solução que só poderia ser criada por uma empresa que domina muito bem estes dois mundos.

O grande objetivo da Superlógica é resolver os problemas de gestão de condomínios no Brasil. Como isso tem sido realizado no dia a dia?

Como dito anteriormente, o principal objetivo da Superlógica é melhorar a experiência de quem vive em condomínio. A gestão de condomínios é uma frente importante, no entanto, há outras frentes como a convivência e conveniência para os condôminos, que são igualmente importantes. Essas 3 frentes juntas são a base para a construção de serviços e soluções que transformam a vida de quem vive, trabalha ou administra condomínios.

A gestão de condomínios é a frente por onde começamos. Mas agora, estamos criando cada vez mais produtos voltados às outras duas. Os produtos que mais geram interesse são aqueles que conseguem misturar um pouco das três. E o Inadimplência Zero, é um deles, já que melhora a gestão, porque elimina a necessidade de cobrar não pagadores, reduz conflitos entre vizinhos, porque o inadimplente não encarece a taxa de condomínio dos demais e aumenta o conforto do morador pelo mesmo motivo.

Qual a importância da cultura para que esse objetivo seja colocado em prática?

Manter a cultura da empresa forte é importante para os times que almejam objetivos ousados. A Superlógica investe em uma cultura organizacional forte e somos reconhecidos no mercado por isso. A cultura é o jeito de operar e resolver dilemas de uma empresa. Se os líderes não refletem sobre isso e nem agem de forma deliberada para ter uma cultura forte, a chance do negócio ser devorado por uma “contracultura” viciada e prejudicial, aumenta na medida que ela cresce.

Por reconhecer a importância da cultura, assumimos o papel de propagar para os nossos clientes o aprendizado que tivemos em relação à cultura forte. Fazemos isso por meio de eventos presenciais e virtuais que ocorrem por todo o Brasil.

Como esse setor tem sentido os efeitos da pandemia?

O setor passou quase ileso da pandemia. As pessoas ficaram mais em casa por causa do lockdown e acabaram dando mais atenção ao seu lar, o que indiretamente foi positivo para o mercado condominial e imobiliário. Houve um aumento no número de negócios imobiliários, e a taxa de condomínio e o aluguel acabaram ganhando importância na prioridade das famílias.

Um aspecto que ganhou foco foi a aceleração da transformação digital, e no nosso segmento isso ficou visível com a ampliação da utilização das assembleias virtuais de condomínios. Visando diminuir as aglomerações e manter a saúde de todos os condôminos e moradores, a alternativa encontrada em muitos condomínios foi realizar a assembleia remotamente. Desde 2012, a Superlógica oferece a funcionalidade da Assembleia Virtual em sua plataforma. A ferramenta, que segue os mesmos ritos de uma assembleia tradicional, viabiliza o acompanhamento e a votação online. Tudo de forma simplificada e com respaldo legal, facilitando muito a vida das administradoras, síndicos e condôminos.

A pandemia só reforçou que estávamos preparados e tínhamos uma grande vantagem competitiva. Fomos inovadores há quase 10 anos com a construção de uma plataforma amigável, intuitiva e um sistema de notificação e gerenciamento completo. Isso é comprovado por meio da participação dos condôminos nas assembleias virtuais, índice que alavancou de menos de 15% para 70% de presença nas reuniões, segundo levantamentos internos da Superlógica.

A inadimplência com as prestações do condomínio aumentou nesse período?

Durante a pandemia, a inadimplência oscilou, em um primeiro momento, para cima, gerando muita preocupação. Nesse momento, criamos um produto para renegociar dívidas que foi muito útil durante um pequeno período porque, depois de alguns meses do início da pandemia, o índice caiu para o nível mais baixo já registrado.

Como a Superlógica enxerga as oportunidades que a atual conjuntura proporciona?

Com a retomada da economia, esperamos uma aceleração dos negócios provocados por demandas reprimidas. Com o fim da pandemia, também já é possível notar a inadimplência voltando aos índices normais o que favorecerá a adoção de nosso novo produto, a inadimplência zero.

Tendo em vista essas oportunidades, 2021 tem sido aquilo que a Superlógica planejou para a sua operação?

Sim, o ano de 2021 está sendo um período de bastante expansão para a companhia. Em 2020, estávamos avaliando os possíveis cenários trazidos pela pandemia, portanto, fomos bem mais cautelosos. No início de 2021, resolvemos retomar todos os planos colocados em espera em 2020. Como, por exemplo, o plano ambicioso de assumir a inadimplência de 50% dos condomínios do Brasil nos próximos 4 anos, com o Inadimplência Zero.

Compartilhar:
Voltar ao Topo
Skip to content