Cíntia Miguel: “Estamos mais disponíveis aos clientes”

Cíntia Miguel

Na liderança da Engaje!Comunicação no Rio Grande do Sul, Cíntia Miguel Kaefer, mãe de duas meninas, de 2 e 9 anos, afirma que o ano de 2020 foi de reinvenção. Além de liderar processos com os clientes de uma forma diferente, com mais agendas e reuniões de planejamento, foi preciso e inevitável reorganizar o espaço da casa, uma vez que a família toda ingressou no home office e no homeschooling. “Mesmo acostumada com o trabalho remoto, o momento foi desafiador, servindo para organizar minuciosamente as demandas de trabalho e também os momentos de desligar de tudo e dar atenção total às crianças”. Essa realidade tem relação direta com o relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da ONU – realizado em 70 países, que demonstra as características femininas que impactam diretamente no mundo dos negócios, mesmo em cenários adversos. O levantamento mostra que a presença feminina em direções é um dos fatores que contribuem para o desempenho e lucratividade. Os dados apontam que as mulheres são mais empáticas e flexíveis, bem como, mais persuasivas e dispostas a assumir riscos. No contexto afrontado pela pandemia há praticamente um ano, as pessoas tiveram que se adaptar ao novo contexto e pensar novas formas de fazer a gestão dos negócios. “A comunicação recuperou um espaço estratégico nas organizações”, enfatiza a diretora da agência no Rio Grande do Sul.

Cíntia, como você analisa a presença feminina nas empresas de modo geral?

O cenário da pandemia impôs uma redução da participação das mulheres brasileiras no mercado de trabalho, registrando uma queda de 14% em relação a 2019, conforme dados da PNAD Contínua, pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A realidade adversa traz reflexos duros para a realidade, pois, mais uma vez, parte das mulheres deste imenso país ficam sem renda e com a responsabilidade de cuidar da casa e dos familiares. Mas precisamos superar isso e seguir avançando nas políticas de igualdade de oportunidades nas empresas.

Há sinais de que a caminhada continua. Recentemente li uma reportagem do Uol, em que mais de 60% das empresas não possuem políticas claras para aumentar a presença de mulheres nos cargos de chefia, conforme dados da consultoria Robert Half. Ao mesmo tempo, 76% das empresas pesquisadas possuem a preocupação em reduzir a desigualdade entre homens e mulheres e conhecem os benefícios de um mercado de trabalho mais igualitário na questão de gênero. Estamos todos em caminhada, aprendendo a partir de erros e acertos. Por mais que a necessidade seja antiga, a discussão ainda é recente. Saber que as empresas entendem esse lugar como estratégico e importante já é um começo. Neste processo, o mais importante é manter o objetivo de fazer do mundo dos negócios um espaço de diversidade e crescimento coletivo.

Quais os fatores que são determinantes para superar as diferenças de oportunidades nos ambientes corporativos?

Acredito que o principal fator para superar as diferenças nos ambientes corporativos seja um trabalho voltado para a diversidade. As empresas precisam entender o quanto podem ganhar trabalhando com mentes diferentes, com histórias de vida diferentes.

Como você superou esses fatores?

Venho de uma trajetória familiar de muito trabalho e superação. Meus pais não completaram o ensino fundamental, mas sempre souberam dizer aos filhos que sem estudo e trabalho não teríamos oportunidades de crescer pessoal e profissionalmente, considerando a superação que os negros precisam ter em tudo o que fazem. E assim, cheguei na comunicação corporativa abrindo espaços, com muita curiosidade e tendo profissionais inspiradores no caminho. As trocas de conhecimento são pontes para tantas coisas, por isso acredito tanto que podemos ir além quando o assunto é compartilhamento.

A palavra reinvenção fez parte do seu norte para superar esses fatores?

No ano de 2020 posso dizer que a palavra reinvenção me acompanhou. Mesmo trabalhando há anos de forma remota, foi preciso recriar os espaços do trabalho, os momentos de cuidar das aprendizagens das minhas filhas e a divisão do home office com meu marido, em tempo integral. Daria para dizer que descobrimos um novo modo de vida, com seus entraves e suas vantagens, assim como toda família surpreendida pela pandemia do coronavírus. Se puder citar as expressões que me acompanham nestes quase 20 anos de trabalho com a comunicação corporativa, eu diria: força de vontade e atenção às pessoas.

Como você se tornou líder na Engaje!Comunicação?

Minha caminhada profissional foi construída na comunicação corporativa, passando pelo desenvolvimento de trabalhos em comunicação interna, marketing, assessoria de imprensa, mídias digitais, além da gestão da área. Trabalhei em diferentes empresas e essas experiências são centrais para entender hoje as necessidades dos clientes ao propor soluções estratégicas de comunicação. Entrei na Engaje! em 2019 com a missão de liderar as contas da agência no Rio Grande do Sul e desde lá estou cada dia mais realizada com o meu trabalho.

Esse momento complexo e disruptivo é o mais desafiador da sua carreira vista pelo modo pessoal?

Acredito que não, pois, a Engaje! já nasceu na perspectiva do home office, com uma organização própria, na contramão das grandes agências. Enquanto a maior parte das empresas, que tinham a organização centrada no modo presencial, precisou se reorganizar, nós não precisamos nos adaptar, pois, já tínhamos fluxos de trabalho estabelecidos para ocorrer de qualquer hora e lugar.

Para pensar em complexidade e disrupção, lembro da gestão de crise da empresa em que trabalhava como assessora de imprensa. Na ocasião, a principal entrada e saída de Porto Alegre ficaram trancadas, com mobilidade zero de todos os tipos de transportes, por mais de 4 horas, mexendo com a vida de várias pessoas. Precisamos desconstruir muitas premissas e partir de um novo fluxo comunicacional para solucionar o problema. E deu certo!

Quais são os maiores desafios que a pandemia está impondo para você como líder da Engaje!?

Não encontrar as pessoas é difícil. Me refiro a clientes e prospects, em especial. Partimos de um trabalho baseado em relacionamento e interação sempre e percebemos que muitos sentem ainda mais falta de uma boa conversa presencial por conta de tanto tempo em isolamento. Está sendo desafiante encontrar as empresas só nas telas, sem as coberturas dos eventos e ações in loco. Também sentimos falta dos encontros presenciais da área de comunicação, dos cursos, congressos que contribuem muito para alimentar o network. Mas vamos superar tudo isso e resgatar os encontros com força total.

O tratamento dado aos clientes muda e se volta para quais direções?

Percebo que estamos mais disponíveis aos clientes. A agenda mudou. Se antes viajávamos para uma reunião presencial, hoje temos as necessidades de mais encontros no modelo on-line para tratar de assuntos específicos, apresentar dados. O atendimento ao cliente exige assim cada vez mais aprofundamento dos temas, conhecimento histórico e agilidade para atender as instabilidades do momento. Nós e eles também percebemos as vantagens de direcionar o tempo de deslocamento para aprofundar os trabalhos que são realizados.

A comunicação tem um papel fundamental nesse tratamento?

A comunicação é o fio condutor desse tratamento. Acompanhamos pesquisas que mostram que as informações repassadas pelas empresas são as de maior confiança para os funcionários, uma vez que a crença em instituições e representantes religiosos e políticos perdem espaço na sociedade (Edelman Trust Barometer 2021). A pandemia resgatou a importância do lugar estratégico da comunicação nas empresas, não só para efeitos de crise, mas para a comunicação feita olho no olho.

Por que a Engaje! está na vanguarda quando o assunto é a presença feminina na direção das empresas?

A Engaje!Comunicação é uma agência de comunicação integrada que reflete a realidade do segmento quando o assunto é mulheres na liderança. Uma pesquisa feita pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), sobre o “Perfil da Liderança em Comunicação no Brasil”, demonstra que as mulheres ocupam 69% dos cargos de liderança na comunicação corporativa no Brasil e representam 45% do total de cargos de direção ou vice-presidência nas empresas onde trabalham. Na nossa agência há mais mulheres na liderança dos processos, evidenciando a importância da diversidade e da igualdade de oportunidades, temáticas que acompanham as reflexões das empresas que atendemos atualmente.

Essa abertura para lideranças femininas deve ser um ato contínuo em sua visão?

Com toda certeza. Um caminho sem volta, como dizem. O relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da ONU – realizado em 70 países, demonstra que as características femininas impactam diretamente no mundo dos negócios. Os dados evidenciam que a presença feminina em direções é um dos fatores que contribuem para o desempenho e lucratividade. Os dados apontam que as mulheres são mais empáticas e flexíveis, bem como, mais persuasivas e dispostas a assumir riscos. Como não aproveitar tudo isso?

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