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Como controlar sem controlar por Marina Vaz

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Marina Vaz é CEO e fundadora da Scooto, central de atendimento que transforma o relacionamento entre pessoas e empresas. Com exclusividade para o portal Panorama Mercantil, a executiva analisa a arte de controlar sem controlar: “A liberdade e a flexibilidade irão te ajudar a construir uma relação mais saudável com você mesmo no trabalho e, consequentemente, com as pessoas que estão ao seu lado, ajudando a desenvolver o seu negócio. A confiança é peça fundamental para construir qualquer tipo de relação humana. Confiança muda o jogo. O problema é que a dinâmica de poder ficou muito desigual e isso pendeu em relações de trabalho desumanas: quanto mais as pessoas se sentirem no direito de cercear a liberdade e escolhas dos trabalhadores, mais perigosa é essa relação”. Ela ainda arremata: “Um ambiente extremamente controlador, normalmente, é pautado pela alta fiscalização, excesso de processos e burocratização de um trabalho que não é burocrático. Além disso, temos o cerceamento de liberdades e escolhas individuais, e o microgerenciamento, que resulta em uma política de trabalho pautada pela desconfiança. Quando um profissional se encontra nessa situação e considera aceitável, ele acaba se adaptando a uma realidade invasiva, o que não deve acontecer. É importante destacar que um ambiente de trabalho saudável e produtivo geralmente valoriza a autonomia, o respeito e a confiança entre os membros da equipe”.

Marina, que impactos a falta de confiança nas relações de trabalho pode ter no desempenho e na produtividade dos colaboradores?

A máxima: é preciso estar bem para atender bem é real. Quem consegue ficar bem em um ambiente de constante desconfiança? Quando há desconfiança, as pessoas se sentem inseguras e desmotivadas, o que afeta diretamente em sua produtividade e interesse pelo trabalho. A falta de confiança pode afetar, inclusive, as relações entre as equipes, criando um clima em que a colaboração e parceria ficam completamente comprometidas.

Qual a importância de incentivar a autonomia e a autogestão de tempo e tarefas no trabalho remoto?

Quando a gente tem liberdade para tomar decisões e gerenciar nossas próprias atividades, nos sentimos mais livres e um profissional livre é um profissional mais criativo, mais resolutivo. Além disso, incentivar a autonomia e a autogestão de tempo afasta o tentador microgerenciamento por parte dos líderes, sobrando tempo e energia para os gestores se dedicarem em atividades mais estratégicas.

Por que você acredita que a confiança deveria ser o ponto de partida nas relações de trabalho, e não algo a ser conquistado a duras penas?

Porque acredito que a confiança é uma premissa em qualquer relação, inclusive nas de trabalho. Quando contratamos um profissional existe a confiança do lado dele de que a empresa pagará pelo seu trabalho, certo? Na outra ponta está uma empresa que acredita nas entregas desse profissional. Assim deveria ser suposto até que uma das partes prove o contrário e quebre os acordos definidos em contrato. Quando a confiança é estabelecida logo no início, as pessoas se sentem valorizadas e respeitadas, o que fortalece a relação com o empregador e garante resultados melhores, além de sustentabilidade em três pontos essenciais: econômico, ambiental e social.

Quais são os principais benefícios de promover um ambiente de trabalho baseado na confiança mútua entre empregador e colaboradores?

Além do aumento da produtividade, a confiança contribui para a retenção de talentos, redução da rotatividade e melhoria da qualidade do trabalho, com inovação e criatividade. Isso também impacta positivamente o atendimento ao cliente, pois, pessoas confiantes e engajadas têm mais chances de fornecer um serviço de qualidade.

Como o controle excessivo por parte do empregador pode afetar negativamente a relação de confiança com os colaboradores?

A fragilidade da confiança, um pilar tão essencial para as relações, e a fixação pelo controle, têm impedido que a gente desfrute dos benefícios proporcionados pelo modelo do trabalho. Como resultado, observamos uma diminuição da maturidade nas relações de trabalho, o que afeta negativamente a autonomia, a autogestão e a autorresponsabilidade. É bem improvável que os profissionais atinjam um desempenho satisfatório em um ambiente permeado pela desconfiança.

Quais são os principais desafios na implementação do trabalho remoto e como superá-los para obter resultados positivos?

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Desafiador é esse movimento de rompimento com o constante desejo pelo controle. Qualquer outro desafio a tecnologia já tem dado um jeito. E para driblar o desafio do controle a todo custo, a gente tem que ir pelo caminho da confiança e do desenvolvimento das habilidades importantes no modelo de trabalho remoto: autogestão, intraempreendedorismo, organização, etc.

Por que é importante reconhecer que o trabalho remoto nem sempre é adequado para todos os profissionais?

É necessário reconhecer a particularidade de cada pessoa. Quanto mais a empresa fomentar a escolha do profissional em trabalhar da forma que achar melhor, consequentemente, a entrega será melhor.

Quais medidas podem ser tomadas para estabelecer critérios mais pessoais na determinação do modelo de trabalho mais adequado para cada indivíduo?

A medida-mor é o foco no resultado e entrega. É essencial direcionar atenção para os resultados e metas a serem alcançadas, e se afastar do microgerenciamento e excesso de processos burocráticos, onde o foco é controlar o profissional. Ao estabelecer metas claras e expectativas para cada função, os processos podem se desenvolver de forma mais natural e eficiente. E assim, de forma simples, o trabalhador naturalmente entrega o que se propôs a fazer.

Por que a liberdade e a flexibilidade são fundamentais para construir relações de trabalho saudáveis?

A liberdade e a flexibilidade irão te ajudar a construir uma relação mais saudável com você mesmo no trabalho e, consequentemente, com as pessoas que estão ao seu lado, ajudando a desenvolver o seu negócio. A confiança é peça fundamental para construir qualquer tipo de relação humana. Confiança muda o jogo. O problema é que a dinâmica de poder ficou muito desigual e isso pendeu em relações de trabalho desumanas: quanto mais as pessoas se sentirem no direito de cercear a liberdade e escolhas dos trabalhadores, mais perigosa é essa relação.

Quais são os sinais de um ambiente de trabalho excessivamente controlador e como os profissionais podem lidar com isso?

Um ambiente extremamente controlador, normalmente, é pautado pela alta fiscalização, excesso de processos e burocratização de um trabalho que não é burocrático. Além disso, temos o cerceamento de liberdades e escolhas individuais, e o microgerenciamento, que resulta em uma política de trabalho pautada pela desconfiança. Quando um profissional se encontra nessa situação e considera aceitável, ele acaba se adaptando a uma realidade invasiva, o que não deve acontecer. É importante destacar que um ambiente de trabalho saudável e produtivo geralmente valoriza a autonomia, o respeito e a confiança entre os membros da equipe.

Como a confiança pode impactar o desenvolvimento de um negócio e as relações entre pessoas e empresas?

A confiança é a melhor política de gestão e governança para qualquer empresa e qualquer tipo de relação. Quando as relações entre pessoas e empresas são baseadas na confiança, há um alinhamento claro de objetivos e comprometimento, uma comunicação efetiva, além do sentimento de parceria. Isso facilita o crescimento e o sucesso do negócio, bem como estabelece relações duradouras, produtivas e principalmente saudáveis.

Última atualização da matéria foi há 9 meses


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