Dhaval Chadha: “Empreendedorismo é uma grande jornada de autoconhecimento”

 Dhaval Chadha

Com a proposta de modernizar a contratação de seguros de automóveis, tornando o processo mais rápido, simples e acessível, acaba de ser lançada a Justos, uma startup focada no segmento. A insurtech será a primeira seguradora que vai utilizar dados para recompensar quem dirige de forma consciente e assim, oferecer preços mais justos. A nova empresa foi fundada pelo indiano Dhaval Chadha, pelo mexicano Jorge Soto Moreno e pelo espanhol Antonio Molins, sócios que se conheceram no Vale do Silício e tiveram cargos de liderança na Classpass, Netflix e Airbnb. Com uma experiência somada de mais de 25 anos, eles já levantaram mais de US$50 milhões em suas empreitadas. “Por coincidência, nós três tínhamos planos de empreender na América Latina”, conta Dhaval Chadha, um dos fundadores. “Passamos oito meses estudando possíveis caminhos, conversando com pessoas e investidores nos Estados Unidos, Brasil e México, até que chegamos à ideia de criar uma seguradora que consiga modernizar o setor”, explica o executivo. Os sócios levantaram uma rodada inicial (seed) de R$15 milhões liderada pelo fundo de investimentos Kaszek com participação da Big Bets. Além dos fundos, os CEOs de 7 unicórnios também participaram na rodada, como David Vélez, do Nubank, Sergio Furio, da Creditas, Patrick Sigrist, fundador e ex-CEO do iFood, Carlos Garcia, da Kavak, Assaf Wand, da Hippo Insurance, e Fritz Lanman, da Classpass.

Dhaval, você é um empreendedor inquieto. Acredita que essa inquietação é fundamental para tempos incertos?

Para empreendedores, sim! Mas, no geral, diria que curiosidade, resiliência e flexibilidade são mais importantes do que inquietação.

O que você traz para a Justos e que é oriunda de outras experiências que você teve como empreendedor?

Acho que, acima de tudo, a experiência de quase ter quebrado, pivotado e dado a volta por cima. A experiência de empreendedorismo é uma grande jornada de autoconhecimento – você é forçado a testar seus limites, enfrentar suas sombras e abraçar o desconforto. Sofrer nos faz crescer, nos ensina a ser mais empáticos e a saber liderar melhor. A minha experiência no Vale do Silício também contribui muito. É o ecossistema de startups mais desenvolvido no mundo e fazer parte daquele meio te faz aprender e crescer muito rápido também, além de ajudar a criar conexões com pessoas altamente qualificadas.

Como analisa o mercado das insurtechs no Brasil?

Estamos no início de algo muito promissor. Tem vários projetos e equipes de altíssimo nível apostando neste mercado e com muita oportunidade pela frente.

Quais as principais tendências desse mercado?

Experiências mais rápidas e mais simples (por conta do celular) e preços mais baratos.

Existem grandes fatias para expansão desse setor?

O mercado de seguro auto tem menos de 30% de penetração. Tem muito espaço para crescer. Muitos segmentos que são cobrados preços muito caros, por exemplo, jovens e pessoas com carros mais velhos, porque tem algumas pessoas com essas características com uma sinistralidade alta que acaba influenciando o preço para todos. Isso precisa mudar.

Quais os grandes pilares da Justos?

Precificação mais justa, medimos a maneira em que os usuários dirigem e, ao dirigir de maneira mais consciente, ele paga menos.

O grande diferencial da Justos será utilizar a forma como os motoristas dirigem como informação extra para definir o preço do seguro. Em que momento essa definição foi norteada como o principal diferencial?

Um dos meus sócios tem PhD de Harvard e MIT e foi diretor de Data Science na Netflix. Propositalmente, escolhemos entrar em um ramo onde os dados são um diferencial. Ou seja, desde o início da Justos, apostamos nessa ideia.

Qual a importância da democratização do acesso para a Justos?

Fundamental. O propósito da Justos é criar um mundo mais justo e seguro, tornando o seguro universalmente acessível. Mais de 70% dos carros no Brasil não tem seguro auto. O motivo para isso é que os preços praticados no mercado não são acessíveis para a maioria dos brasileiros.

Modernizar o setor será um desafio que passará por quais caminhos?

Redução de preço e melhoria de experiência do usuário, ou seja, tornar a contratação do seguro mais rápida, menor tempo de espera para resolver sinistros, simplificação dos produtos e linguagem mais informal.

Grandes CEOs estão apostando na operação da Justos. Como você encara essa expectativa de grandes nomes do mundo dos negócios em torno da insurtech?

Mais do que uma expectativa, é um apoio importante para mim e para nossa equipe. Aprendemos com eles e suas experiências. Isso não tem preço.

Fale um pouco mais sobre a parceria da Justos com as ONGs.

Ainda não podemos falar sobre o assunto, mas em breve teremos novidades sobre as parcerias.

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