Frederico Flores: “Em momentos caóticos o empreendedor se sobressai”

O CEO da Scaleup

Frederico Flores – dono do perfil “O Real Empreendedor” – é CEO da Scaleup – plataforma de cursos 100% digital que tem como objetivo popularizar a educação para empreendedores. Palestrante e especialista em comércio eletrônico e marketplaces, é formado em Direito e Administração pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), com grande atuação no mercado e-commerce no Brasil e América Latina. Durante sua carreira, desenvolveu diversos projetos relacionados às áreas de tecnologia e empreendedorismo e em 2012, criou a Ecommet, empresa de tecnologia que ajuda empresários a vender pela internet por meio de um software de gestão de vendas chamado Becommerce, adquirido pelo Mercado Livre em 2017 por R$ 36,5 milhões de reais, com uma indicação clara que até mesmo as grandes corporações têm buscado soluções inovadoras para renovar o modelo de negócio. “Pequenos e médios empreendedores têm dificuldade de conseguir capital barato por terem pouco patrimônio e nome sujo. Isso acaba gerando um círculo vicioso que impede o pequeno de se desenvolver, mesmo com boas ideias. Na Scaleup, meu atual projeto, vamos emprestar dinheiro, sem juros, para alunos com projetos selecionados. O dinheiro usado para essa iniciativa virá dos mentores que ao invés de receberem pelas aulas, emprestarão seu tempo, com esse propósito”, afirma Flores.

Frederico, o que é ser um empreendedor em sua visão?

É ser alguém com vontade genuína de mudar o mundo a sua volta. Alguém que se incomoda com a situação atual de como as coisas são feitas e quer ir lá e fazer melhor, fazer diferente.

Como o empreendedor pode tirar proveito de momentos caóticos e complexos como o atual?

São em momentos caóticos que o empreendedor de verdade se sobressai. Os despreparados desaparecem, as oportunidades surgem e fica mais fácil de inovar e aproveitar os momentos de incerteza para propor algo diferente.

Esse momento tem sido de aprendizado para você também?

Sem dúvida nenhuma. Comecei o ano de 2020 tentando encontrar formas de mudar de verdade a forma como as pessoas aprendiam sobre empreendedorismo no Brasil. Estava perplexo, tentando viabilizar uma maneira de transformar uma indústria que praticamente não muda a milhares de anos (educação). Com a pandemia e a ascensão da “atenção digital”, abriu-se um caminho maravilhoso para essa transformação.

Você já afirmou que o empreendedorismo é o maior motor de ascensão social no Brasil. O que ainda falta para esse motor ser ainda mais abrangente?

Falta qualidade aos empreendedores do Brasil. Proporcionalmente, somos um dos países mais empreendedores do mundo, mas o índice de quebra é imenso (60% das empresas quebram nos 5 primeiros anos de vida). Isso acontece por dois fatores principais: falta de instrução (conhecimento) dos fundadores e dificuldade em conseguir capital barato para financiar bons projetos. Sem esses dois elementos, o empreendedorismo brasileiro encontra um muro alto para avançar. Quero ajudar a resolver isso de uma vez só.

Como facilitar o acesso a capital para esses empreendedores?

Pequenos e médios empreendedores têm dificuldade de conseguir capital barato por terem pouco patrimônio e nome sujo. Isso acaba gerando um círculo vicioso que impede o pequeno de se desenvolver, mesmo com boas ideias. Na Scaleup, meu atual projeto, vamos emprestar dinheiro, sem juros, para alunos com projetos selecionados. O dinheiro usado para essa iniciativa virá dos mentores que ao invés de receberem pelas aulas, emprestarão seu tempo, com esse propósito.

A aceleração digital é uma aliada desse empreendedor?

É. Grandes empresas têm muito mais dificuldade de se digitalizar do quem está começando um negócio novo. Além disso, as estratégias de aquisição por canais digitais acabam sendo muito mais baratas quando comparadas com meios de aquisição tradicionais.

Você já vendeu duas empresas por mais de 70 milhões de reais. Quais foram essas empresas?

Becommerce, em dezembro de 2017 e a outra, não posso citar o nome ou detalhes da transação por questões contratuais. Posso apenas informar que foi no setor de Tecnologia para Food Service/Delivery.

O que o mercado busca quando empresas ficam tão valorizadas como as suas ficaram?

Proposta de valor clara e percebida pelo cliente, aliada a uma taxa de crescimento sustentável, tanto de faturamento, como em quantidade de clientes. Esses são os principais elementos analisados pelo mercado a medida que negócios começam a ficar grandes.

Quais os pilares que levam uma empresa a ser diferenciada, valorizada e inovadora?

1) Tecnologia proprietária (desenvolvida internamente), 2) Cultura organizacional que promova a inovação, colaboração e meritocracia e 3) Obsessão pela experiência do consumidor, na minha opinião, são fatores que mudam o jogo a favor de qualquer empresa.

O que é essencial para estimular e preparar novos empreendedores?

Ambiente de colaboração (networking) entre empreendedores e acesso a conhecimento prático e testado. Isso é muito difícil ou muito caro no Brasil.

Sua página “O Real Empreendedor” já seria um desses caminhos para novos aprendizados?

Tem sido a porta de entrada para o ecossistema que estamos criando. Hoje a conta já é acessada por mais de 2 milhões de pessoas por semana e possui mais de 230 mil seguidores desde o início da pandemia.

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