Gabriel Boyer: “Alimento orgânico é o ouro do futuro”

Gabriel Boyer

Gabriel Boyer é um empreendedor de turnarounds. É conselheiro do Rancho São Francisco de Paula – uma produtora de alimentos orgânicos e cofundou a NEWE Seguros – 6º maior seguradora do Brasil com foco no setor agrícola (ele deixou a seguradora após dobrar faturamento em dois anos). Formado em Ciências Atuariais pela UFRJ, tem quase 20 anos de carreira, onde foi responsável por grandes operações em multinacionais como IRB, Alterra e Markel. Como diria Naval: “You will get rich by giving society what it wants but does not yet know how to get. At scale” [“Você vai ficar rico dando à sociedade o que ela quer, mas ainda não sabe como conseguir. Ou seja, agregando valor de verdade. Em escala”]. O Alimento orgânico é exatamente o que a sociedade quer. Um alimento nutritivo, sem agrotóxico e com processos produtivos que protegem o planeta. Os desafios que esse produto encontrava se davam principalmente pela questão de preço, continuidade (não ruptura) e qualidade (visual e não nutritivo). Nos últimos anos esses desafios têm sido endereçados e a consequência não poderia ser outra que não o crescimento do mercado que tem dobrando de tamanho a cada 3 anos. Vale ainda lembrar que nos últimos anos o mundo tem dado ainda mais atenção à saúde e a agenda ESG que são dois grandes catalisadores do crescimento do mercado de orgânicos”, afirma.

Gabriel, qual foi o seu primeiro turnaround no mundo dos negócios?

Primeiro e único (risos)… foi o MBO da operação da Markel Seguros, braço de seguros da Markel Corporation no Brasil (NYSE: MKL). A operação foi transformada após a aquisição na NEWE Seguros, já atingindo break even nos 6 primeiros meses de transformação e hoje está consolidada como um dos maiores players do setor de seguros agrícolas no Brasil. Concluí a venda de minha participação acionária no grupo de controle no primeiro trimestre de 2021.

O que ficou marcado em você depois dessa primeira experiência?

Que o coração das empresas está na área financeira e que poucas pessoas no mercado entendem isso. Ficou ainda a sensação de que temos um universo de empresas no mercado brasileiro sem acesso a corretas ferramentas de gestão e conhecimento financeiro e que, devido a isso, os seus negócios estão passando por problemas que poderiam ser facilmente contornados com a aplicação dessa “playbook de turnaround”.

Como se faz a identificação de empresas turnaround?

Você precisa de um sim duplo: a empresa precisa ter um “underline business” e desafios de gestão financeira.

Restabelecer o valor ou fazer a ressurreição da performance, o que é mais complexo em um processo turnaround?

Ressurgir a performance. Não é questão de complexidade, esse é o único caminho. O restabelecimento de valor será uma simples e grata consequência da ressurreição da performance da empresa.

Que estratégias são inerentes para qualquer empresa que passa por um processo de turnaround?

Revisão completa dos processos financeiros e das áreas de negócio. Você precisa cuidar dos clientes e do seu coração (área financeira). Sem uma imersão profunda nesses dois pilares você não será capaz de reverter a situação da empresa.

Em que momento a redefinição do foco estratégico se faz necessário?

No dia 1 do processo. A sua capacidade de dizer “não” será um dos pontos mais valiosos no processo. Não se trata de um foco estratégico elaborado. Você tem que ser um soldado e completar aquelas tarefas e processo definidos. Você provavelmente terá uma lista de 10 a 20 pontos que precisam de atenção urgente e você tem que ser obcecado em concluir essa lista até que possa se mover em outros pontos. Não é uma questão de simples querer, é uma questão de sobrevivência.

O que mais atrapalha uma empresa em um processo de turnaround?

Falta de foco, falta de um organograma claro da nova estrutura da cia e a ausência de uma liderança clara desse novo processo. Mudanças precisam ser feitas e isso precisa estar muito claro. Infelizmente mudar dói, porém, a mudança tende a gerar rápido resultado e essa dor vai embora na mesma velocidade.

O digital se tornou um bom meio para uma estratégia que passa por turnaround?

O digital sempre é um caminho ótimo, principalmente para a aquisição de novos clientes. Digitalização de processos e rotinas não deveria sequer ser tratado com algo novo, as empresas que não o fizerem estão fadadas ao fracasso. Mas, como venho falando, o mais importante é uma definição clara de foco. Aproveito esse ganho para dar um exemplo de um processo atual: O foco de uma das cias que participo do conselho é no B2B e começaram a surgir ideias de um crescimento no digital e B2C. Após ampla análise, a resposta foi não. Uma empresa em turnaround precisa mais do que ninguém respeitar o seu foco e saber dizer não.

Acredita que o mercado agrícola sairá ainda mais forte da pandemia?

Mais forte do que nunca. Tenho uma tese sobre os mercados que só param em casos extremos e o Agro é um deles. As pessoas vão continuar comendo e a população mundial não para de crescer. Segurança alimentar é um tema tratado de forma velada, porém, é sobre isso que estamos falando quando vemos a força que o Agro está tendo cada vez mais e o posicionamento de alguns players globais no seu formato de compra e estoque de alimentos.

Você também é um conhecedor do setor de alimentos orgânicos. Por que você acredita que o ramo teve um crescimento considerável no ano passado?

O alimento orgânico é o ouro do futuro, e não as criptomoedas. Como diria Naval: “You will get rich by giving society what it wants but does not yet know how to get. At scale” [“Você vai ficar rico dando à sociedade o que ela quer, mas ainda não sabe como conseguir. Ou seja, agregando valor de verdade. Em escala”]. O Alimento orgânico é exatamente o que a sociedade quer. Um alimento nutritivo, sem agrotóxico e com processos produtivos que protegem o planeta. Os desafios que esse produto encontrava se davam principalmente pela questão de preço, continuidade (não ruptura) e qualidade (visual e não nutritivo). Nos últimos anos esses desafios têm sido endereçados e a consequência não poderia ser outra que não o crescimento do mercado que tem dobrando de tamanho a cada 3 anos. Vale ainda lembrar que nos últimos anos o mundo tem dado ainda mais atenção à saúde e a agenda ESG que são dois grandes catalisadores do crescimento do mercado de orgânicos. Adivinha qual o setor em que estou dedicando a maior parte do meu tempo em um processo de turnaround? Orgânicos! Se o agro é tech, pop e tudo… o orgânico é tudo e mais um pouco.

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