Gastos dos brasileiros com viagens no exterior

Os gastos dos brasileiros com as viagens a outros países chegou ao nível mais baixo, após quase 16 anos, de acordo com o Banco Central. Em 2021, as despesas com viagens internacionais somaram US$ 5,25 bilhões. O valor é 2,66% menor que o registrado em 2020, quando foram gastos US$ 5,394 bilhões. Esse total está distante do que fora registrado antes da pandemia (US$ 17,593), em 2019. É o menor volume desde 2005, ano em que o montante atingiu US$ 4,720 bilhões. Para contribuir com a situação, a cotação do dólar para operações cambiais vêm sofrendo alterações importantes nas últimas semanas e, nos últimos dias, a moeda viajou entre altos e baixos, atingindo picos e resultados históricos para a rotina das variações observadas. Esse contexto interfere diretamente, também, no planejamento de viagens para o exterior e consequentemente nos gastos dos brasileiros em outros países. “A desvalorização do real frente ao dólar, a Covid-19 e as restrições sanitárias impostas pelos países em suas fronteiras, favoreceram na redução de gastos dos brasileiros no exterior”, afirma Anderson Souza Brito, CEO da Revhram, que atua na assessoria e intermediação de operações cambiais, traz soluções em câmbio e trade finance. Além de analisar o cenário, ele aborda estratégias para acompanhar o ritmo acelerado e encontrar os melhores espaços para comprar a moeda, considerando a instabilidade apresentada.

Anderson, quais os principais fatores para os gastos dos brasileiros com viagens a outros países estar tão baixo?

A desvalorização do real frente ao dólar, a Covid-19 e as restrições sanitárias impostas pelos países em suas fronteiras, favoreceram na redução de gastos dos brasileiros no exterior.

O dólar está oscilando em 5 reais. As coisas podem tomar um novo rumo com o preço da moeda neste patamar?

O aumento da taxa básica de juros do Brasil favoreceu a inserção de dólares na economia brasileira, no entanto, diante dos impactos acusados pela guerra entre Rússia e Ucrânia com as intervenções eminentes da OTAN, a tendência é de alta da moeda americana por conta dos impactos acusados pela guerra.

O reflexo de alta de janeiro deste ano se refletirá nos meses vindouros ou o período ajuda especialmente nesse caso?

Infelizmente com o avanço da guerra, haverá uma tendência maior de alta. Atrelado a isso, ações geopolíticas e o agravamento da pandemia e eleições presidenciais, a tendência é de grandes oscilações da moeda.

Você também vê riscos do turismo com os impostos sobre remessas no exterior?

Os impostos existem na maioria das operações cambiais. Hoje há possibilidades de se obter vantagens em algumas modalidades como: ao invés de viajar e arcar com os custos da viagem com o cartão de crédito internacional ou cartão pré-pago, onde a incidência é de 6,38%, existe a possibilidade de se obter uma conta internacional em dólar, ao custo de IOF a 1,10%, o mesmo custo de IOF da moeda física.

Quais são as principais nuances desse imposto e que ainda são pouco difundidas?

As contas internacionais em dólar ainda é uma oportunidade recente. Muitas pessoas acreditam que arcar suas despesas internacionais com o cartão de crédito ou cartão pré-pago ainda é a maneira mais segura e econômica. Mas a tendência é haver maior divulgação, inclusive em grandes meios de comunicação, o que já está acontecendo.

Vamos falar de câmbio. Qual a tendência do dólar para 2022 em sua análise?

Tenho a convicção que a tendência é de alta, dado os argumentos já expostos nas questões anteriores.

O papel das eleições de outubro será preponderante para essa tendência?

Com toda certeza. Existe hoje a polarização em dois nomes e tais nomes não possuem histórico de ações que favorecem a baixa do dólar e a valorização do real. A autonomia do Banco Central, impostas pela Lei Complementar 179/2021 e a Nova Lei Cambial 14.286/2021 trará ao Brasil a expectativa de melhoras na valorização da nossa moeda frente ao dólar.

Qual o impacto da entrada de dólares oriunda de investidores estrangeiros no câmbio atual?

O aumento da taxa básica de juros atraem investidores estrangeiros, que por consequência, grande volume de moeda estrangeira no país faz com que a moeda norte-americana recue.

Mesmo com a Ucrânia como “pano de fundo” o cenário tende a ficar o mesmo?

O cenário está com tendência de pessimismo por uma série de fatores que vão além da Ucrânia.

O dólar mais baixo aliviará as famílias com menor poder aquisitivo?

O dólar mais baixo não alivia as famílias com menores poderes aquisitivos, o que alivia a família com menores poderes aquisitivos é o aumento do poder de compra dessas famílias.

Como essas pessoas devem se proteger em momento de grande instabilidade?

As pessoas com menores poderes aquisitivos em meio à inflação devem pesquisar mais os produtos de consumo, pois, em muitos casos, por exemplo, existem marcas próprias de grandes supermercados que possuem grande diferença de preços. Já as pessoas que possuem interesse em adquirir moeda estrangeira e possuem viagens programadas, devem adotar a aquisição da moeda estrangeira gradativamente, objetivando realizar um preço médio dessas aquisições (método Dollar-Cost Averaging DCA).

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