Guilherme Castro: “A produção agrícola é um sistema complexo”

Guilherme Castro

O agricultor vive constante evolução no potencial produtivo das lavouras, além das crescentes demandas por alimentos produzidos dentro de práticas sustentáveis. Isso traz desafios e oportunidades na busca de mais eficiência nas fazendas, o que para o agricultor pode trazer mais rentabilidade e qualidade. As decisões de implementação de novas tecnologias e práticas são difíceis, pois, a forma de medi-las é, de maneira geral, empírica e pouco confiável aos olhos do produtor. Com este cenário, a Inteligência Artificial e os algoritmos ganham nova força no campo. Alinhada historicamente às demandas do produtor e à performance das plantas, o Grupo Stoller, líder mundial na nutrição, fisiologia vegetal e fixação biológica de Nitrogênio, adquiriu participação societária na Cromai, AgTech posicionada entre as cinco startups mais promissoras do mundo em Visão Computacional para Agricultura, segundo pesquisa da Startup Insights. O desenvolvimento da Inteligência Artificial aplicada ao campo pelas duas empresas ocorre há três safras. “Estamos muito animados com essa nova etapa da Cromai. Ampliaremos a atuação em campo com a digitalização do manejo agronômico. O momento é promissor e uma parceria desse porte nos possibilita levar, a mais produtores, essa inovação de alto nível tecnológico com resultados transformadores”, comenta Guilherme Barros Castro, cofundador e CEO da Cromai.

Guilherme, você acredita que o mercado AgTech será a próxima grande onda do mercado global?

Acredito, sim, que ao longo dos próximos 10 anos as AgTech vão ganhar muita relevância ao nível global. O Agro, além de ser um mercado enorme, possui uma importância única e crescente para a nossa sociedade: a FAO estima que a necessidade por alimentos será 60% maior em 2050, por causa do crescimento da população mundial. Além disso, esse aumento da produção deve vir principalmente do aumento da produtividade, e com mais sustentabilidade. Isso une uma demanda patente a uma série de novas oportunidades que surgiram com os avanços tecnológicos recentes e que vão ser responsáveis por saltos de eficiência, produtividade e sustentabilidade.

Qual o potencial brasileiro nessa área?

O potencial brasileiro é muito grande, visto que, além de ser um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo, o Brasil sempre foi referência em conhecimento agronômico. Esse conhecimento amplo do mercado e das suas dificuldades e oportunidades permite a criação de soluções inovadoras com ganhos extraordinários. Além disso, o Brasil possui características biológicas e geográficas específicas, e aumentar a produtividade aqui, onde temos muito potencial para o aumento da produtividade, requer a vivência desse contexto.

Por que muitos apontam o Brasil como líder desse movimento?

Por causa do protagonismo mundial que o Brasil já tem no Agro, e por termos condições geográficas muito favoráveis a um grande aumento de produtividade.

Quais as grandes tendências do mercado de Agtechs na atual conjuntura?

A produção agrícola é um sistema complexo, com muitos processos antes do plantio, durante o ciclo de desenvolvimento das plantas e depois da colheita. Com isso, há muitas oportunidades de otimização, que geram ganhos de eficiência impressionantes. Vejo que a digitalização da operação, desde a logística dos insumos, das máquinas e da distribuição, até as atividades de manejo agronômico, é uma grande tendência no mercado de Agtechs hoje. Além dela, fintechs e marketplaces totalmente direcionadas para o Agro também compõem tendências importantes no setor.

Qual o papel da Inteligência Artificial para a melhoria dos processos no setor de agronegócios do Brasil?

A Inteligência Artificial traz novas possibilidades. Soluções que aprendem padrões de dados, textos, sons e imagens podem endereçar inúmeros problemas de forma inédita. Portanto, abrem-se muitos caminhos novos para grandes saltos de eficiência nos processos, e todos ganham com isso.

Como a Cromai está situada nesse mercado?

A especialidade da Cromai é na aplicação da Inteligência Artificial em imagens e nossa atuação é exclusivamente no Agro. Desenvolvemos soluções digitais (softwares e sensores) para gerar do campo informações relevantes sobre o desenvolvimento das plantas, permitindo que os produtores e agrônomos tomem decisões de manejo com embasamento em dados agronômicos. Com esse novo fluxo de informações, geramos novas possibilidades de ações em campo e, assim, uma redução de custos e aumentos de produtividade e sustentabilidade.

Quais os grandes pilares da startup?

Temos 2 grandes pilares: o foco em entregar a melhor solução para o cliente e a profundidade de conhecimento. Colocamos os clientes no centro desde o primeiro momento em que pensamos na solução que desenvolvemos, para que possamos realmente resolver os problemas deles e gerar o maior valor possível. Isso significa desenvolver a solução que melhor se adequa ao dia a dia do campo, sendo fácil incorporar aos processos agrícolas que já existem e de simples utilização. Ao mesmo tempo, buscamos gerar o maior retorno possível a esses clientes, pensando sempre em como podemos ter saltos grandes nos resultados. Para potencializar muito o valor gerado para o cliente, entra em ação nosso segundo pilar, abrangendo tanto o conhecimento da nossa base tecnológica – a Inteligência Artificial – quanto o conhecimento agronômico e dos processos agrícolas.

Ser considerada uma das cinco mais promissoras do mundo em Visão Computacional para Agricultura traz muitas responsabilidades para a empresa?

Traz a responsabilidade do pioneirismo, que envolve mostrar ao mercado o quanto uma nova solução pode gerar resultados transformadores. Gerar esses primeiros resultados, construir os primeiros casos de sucesso e revelar ao mercado de forma pragmática o impacto de uma nova solução é um passo importante para sua ampla adoção.

Você como CEO se relaciona com essas expectativas externas de que forma?

Nossa visão desde o início da Cromai era a de desenvolver soluções inovadoras, com tecnologia avançada, para endereçar uma oportunidade patente no Agro: o salto de eficiência que seria possível com o acesso a um novo fluxo de informações relevantes do campo. Com isso, sabíamos o desafio que estávamos abraçando e nos preparamos para ele desde o começo. Nossa proximidade e interação com os clientes e a construção tecnológica em alto nível que fizemos desde a fundação da Cromai foram de suma importância para chegarmos até aqui e para nos propormos a continuar avançando de forma acelerada.

Qual a importância da participação societária do Grupo Stoller na Cromai?

O investimento do Grupo Stoller na Cromai potencializa muito a nossa trajetória. Além do lado financeiro, que já nos permitiu aumentar a equipe, o conhecimento agronômico da Stoller, com anos de interação com agrônomos e produtores em todo o mundo, e o acesso a novos mercados têm um papel muito importante nessa parceria e vão ampliar ainda mais rápido a nossa atuação em campo.

Quais as perspectivas da Cromai para o restante do ano?

Até o final do ano, nosso principal objetivo é ampliar a nossa presença no mercado de cana-de-açúcar, com nossas soluções em pelo menos 20 usinas. Pretendemos ainda, com a parceria com a Stoller, iniciar nosso crescimento no mercado de soja a partir da safra 21/22 e, no ano que vem, levar nossas soluções aos mercados de café, milho e algodão.

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