Hugo Mathecowitsch: “Temos que inovar no próprio processo”

 Hugo Mathecowitsch

A a55, fintech que viabiliza crédito para empresas de tecnologia e receita recorrente, foi selecionada para o Programa Scale-Up Endeavor Fintech 2021. A a55 está entre as 12 fintechs escolhidas para participar da iniciativa que tem como objetivo acelerar o crescimento das scale-ups que estão revolucionando o setor. Um levantamento da Distrito mostra o potencial do mercado financeiro, que teve um crescimento de 34% em 2020 e concedeu cerca de R$10 bilhões em crédito no último ano de acordo com ABCD e a ABFintechs. Todas as fintechs selecionadas cresceram, em média, 250% nos últimos três anos e, juntas, já acessaram mais de R$1,1 bilhão em fundraising. É o caso da a55 que conta com mais de 12 mil clientes cadastrados em sua plataforma com serviços de gestão financeira, impulsionou mais de 200 empresas no Brasil e no México originando mais de R$170 milhões em crédito. “A nossa inteligência de crédito baseada em dados faz com que consigamos prever a necessidade de capital de giro das empresas para impulsionar seus negócios e a economia. A seleção no programa da Endeavor não só reforça nosso potencial de escalabilidade com as soluções como agrega valor ao negócio nos conectando com grandes especialistas do mercado”, acrescenta Hugo Mathecowitsch. Durante o programa os selecionados vão se conectar com uma rede de especialistas formada por empresas como Movile, Ailos, MAG Seguros, B3 e Warburg Pincus.

Hugo, qual o principal insight para a criação da a55?

Entendemos que as opções de financiamento de empresas de tecnologia eram muito limitadas e pouco adequadas. Justamente por isso, nascemos como a primeira fintech brasileira especializada em empréstimos para as empresas na nova economia com a vontade de trazer uma alternativa justa, ágil, sustentável e empática para os empreendedores digitais.

Por que a escolha por esse nicho de atuação?

Escolhemos trabalhar com SaaS inicialmente justamente pela ausência total de alternativas para esse segmento e pela possibilidade de previsibilidade da receita e com e-commerce pelo entendimento (progressivo) de como entender as dinâmicas de previsibilidade desses negócios. Além disso, atuamos nos dois segmentos por acreditarmos que ambos vão continuar crescendo exponencialmente.

A escolha pelo modelo de negócio da a55 passa por quais caminhos?

Primeiro pela criação de comunidades, para ter canais de comunicação e acessos a empreendedores dos nossos segmentos. Segundo pela tecnologia robusta que oferecemos para conseguirmos financiar em escala. Por fim, o acesso ao mercado de capitais (modelo intensivo em capital).

O que uma fintech de crédito deve fazer para não ser mais uma nesse mercado?

É preciso ter um produto muito diferente dos que são oferecidos e não simplesmente fazer “algo offline de forma digital”. Temos que inovar no próprio processo, oferecendo serviços que possam ir muito além do crédito e entender esse crédito como um meio para os empreendedores atingirem seus objetivos.

Qual o principal diferencial da a55 para não se tornar mais uma?

O que torna a a55 diferente no mercado de crédito é justamente o fato de alavancarmos um ativo que os outros players não olham – a receita recorrente. Fomos e somos pioneiros no segmento. Além disso, temos como carimbo o uso de recursos e incorporação de inteligência nesse uso para garantir que este capital gere receita futura.

Nós também contamos com uma plataforma única em que as empresas têm acesso a serviços de gestão financeira como consolidação das contas bancárias, soluções de custódia, faturamento, meio de pagamento e inteligência de crédito com insights sobre suas operações a partir de seus dados.

A previsibilidade da receita é o principal ingrediente para que a a55 focasse nas empresas de tecnologia com crédito recorrente?

Sim, foi o nosso motivador. O cenário da nova economia vem alavancando novos modelos de negócios como as companhias que atuam com receita recorrente. A nossa linha de crédito é voltada para companhias que atuam com gestão de relação com o cliente (CRM), sistemas integrados de gestão (ERP), plataformas de pontos de venda (PDV), software como serviço (SaaS), hardware como serviço (HaaS), plataforma como serviço (PaaS), provedores de internet e telefonia, além de clube de assinaturas e serviços mensais. Todo um mercado em potencial que não estava sendo notado.

Quais outros ingredientes são vitais para essa operação?

Podemos mencionar um time com talentos excepcionais e ambientados com as dores dos nossos clientes, a construção de marca que passe confiança e know how, capital eficiente, escalável e canais de aquisição e comunicação com empreendedores digitais.

Jared Miller, CEO da Accial Capital, já destacou a resiliência do modelo de negócio da a55. Essa resiliência foi fundamental durante a pandemia?

Sim, além disso, o segmento de empresas digitais sofreu menos que as empresas tradicionais neste período de pandemia e está em ascensão.

A a55 cresceu 6 vezes no último ano. Qual seria o segredo para um crescimento sustentável mesmo em momentos complexos?

O fato de podermos escolher empresas que cresçam de forma digital, acíclica e poder crescer com elas. Além disso, contar com uma estrutura de capital estável e escalável para ter a possibilidade de financiar e refinanciar empresas e manter rigor e critérios de seleção adequados das empresas.

Acredita que seja isso que fez a fintech ser selecionada para o Programa Scale-Up Endeavor Fintech 2021?

Sim, com tração e estrutura tecnológica, comercial, financeira e inserção na chamada ‘Nova Economia’.

O que a a55 vislumbra para o segundo semestre de 2021?

Temos como objetivo manter a nossa posição de destaque no mercado de SaaS brasileiro, ampliar safra de empresas e posicionamento em e-commerce no Brasil e escalar presença em SaaS no México, especialmente com o investimento de US$35 milhões da Accial Capital, uma investidora em carteiras de empréstimos habilitados em tecnologia em mercados emergentes, a E3 Negócios e a Mouro Capital, justamente para essa expansão.

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