Jacqueline Resch: “As empresas precisam de novas competências”

A consultora e empreendedora

Jacqueline Resch é a idealizadora da RESCH RH e da metodologia de grupos colaborativos, oferecida no portfólio da consultoria. É empreendedora desde 1993, além de professora e autora. É formada em Psicologia pela PUC do Rio de Janeiro, tem MBA em Gestão pelo COPPEAD e é certificada em Facilitação Sistêmica de Processos Coletivos pela Fundación Moîru e em Práticas Colaborativas e Dialógicas pelo Taos Institute. A RESCH começou em 2002 com uma ideia: oferecer serviços de recrutamento e seleção em formato boutique, de um jeito muito próximo e personalizado para cada cliente. A vontade da RESCH desde o princípio de suas atividades era gerar bons encontros e atender às necessidades das empresas conciliando a experiência técnica a todo o cuidado que a recomendação de profissionais exige. “As novas demandas e a crescente digitalização dos negócios vão sempre gerar oportunidades, mas é preciso estar atento a estes movimentos de mercado e atualizar constantemente nossos conhecimentos e habilidades de modo a manter a empregabilidade em alta. Mesmo na pandemia, os setores de saúde, varejo, logística, bem como TI, demandaram profissionais. Em contrapartida, não podemos negar que a pandemia trouxe como consequência um enorme número de demissões como uma primeira reação de proteção dos negócios sobre dias de incertezas”, afirma a empreendedora.

Jacqueline, o que é fundamental para um profissional que está buscando recolocação no mercado num dos momentos mais conturbados da história?

É verdade, o momento é dos mais complicados, mas, muitas vezes nestes momentos também ativamos recursos e/ou descobrimos novas possibilidades de seguirmos individual e coletivamente. Neste momento, é fundamental manter o equilíbrio com uma rotina de atividades (como manter e expandir os contatos, prospectar oportunidades e acompanhar os sites das consultorias de recrutamento e seleção, por exemplo), gerenciar a ansiedade, ter clareza do que quer e do que tem a oferecer, sem perder a perspectiva das condições de mercado. Ficar muito atento às oportunidades e acionar a rede de contatos com critério é importante.

Quais as competências necessárias para esses novos tempos?

Acho que a adaptabilidade e flexibilidade são as grandes competências dos tempos atuais. Lidar com a incerteza, a ambiguidade e as mudanças constantes vai ser cada vez mais requerido de todos nós. Não vivemos mais a época da estabilidade, do certo ou errado, ou de uma única verdade. Os problemas são complexos, portanto, diferentes visões ajudam a encontrar a melhor solução para aquela situação específica. E muitas vezes a melhor solução vem como resultado do diálogo de pessoas com visões e abordagens diferentes. A diversidade é uma riqueza humana que devemos cultivar e nos nutrir dela. Então, além da adaptabilidade, a capacidade de escutar, dialogar e de colaborar são competências relevantes nos novos tempos.

A acelerada digitalização deve afetar esse “novo profissional” em que termos?

A digitalização permite que o profissional se conecte mais rápida e facilmente com muitas pessoas e temas. O acesso é total e a todo o momento surge novas informações. Mas como não é possível se aprofundar em tudo, é necessário investir tempo e energia para investigar e estudar os temas de maior interesse. Eleger prioridades ajuda muito no foco, concentração e em entregas de qualidade.

Como esses profissionais devem agir numa entrevista de emprego?

A entrevista é o momento de se apresentar a empresa, deixando claro a sua experiência e as contribuições que pode dar. Concentre-se nas perguntas do entrevistador, forneça as informações com objetividade, mas, deixando claro sua marca pessoal na forma como realizou aquela tarefa ou administrou uma determinada situação. E o mais importante: seja autêntico e sincero com você e a empresa. Não adianta conseguir a oportunidade agora e daqui a pouco perceber que aquela cultura não combina com você.

Conhecimento e comportamento ainda são fundamentais. Como mesclar bem esses dois pontos?

Conhecimento e comportamento tem que andar juntos. O conhecimento é mais fácil de adquirir, mas é preciso mantê-lo sempre atualizado. Quanto ao comportamento, é o autoconhecimento que vai nos possibilitar reconhecer nossos recursos, nossos pontos fortes de modo a potencializá-los, como também identificar aqueles comportamentos que temos desejo ou precisamos aprimorar.

Existem perspectivas de aberturas de novas vagas?

As novas demandas e a crescente digitalização dos negócios vão sempre gerar oportunidades, mas é preciso estar atento a estes movimentos de mercado e atualizar constantemente nossos conhecimentos e habilidades de modo a manter a empregabilidade em alta. Mesmo na pandemia, os setores de saúde, varejo, logística, bem como TI, demandaram profissionais. Em contrapartida, não podemos negar que a pandemia trouxe como consequência um enorme número de demissões como uma primeira reação de proteção dos negócios sobre dias de incertezas.

Você já afirmou que vagas de substituição sempre vão existir. Esse cenário será alterado pós-pandemia?

O mundo vem mudando muito e de forma rápida. Como disse, penso que a adaptabilidade é a grande competência dos tempos atuais. E não estou falando da adaptabilidade como submissão a uma situação, mas da plasticidade de encontrar novos recursos e possibilidades, de estarmos abertos a novos conhecimentos. As vagas de substituição sempre existirão porque o mundo não é estático, as necessidades das empresas mudam e as expectativas dos profissionais também. Então as pessoas se movimentam para novas oportunidades e as empresas precisam de novas competências.

Mas é importante pensar que o mundo do trabalho está mudando muito e o vínculo empregatício não será a única forma de trabalhar, seja para garantir o sustento, seja para realizar um propósito. Muitas pessoas se reinventaram na pandemia por falta de opção e acabaram descobrindo talentos e transformando-os em trabalho de onde podem obter renda.

O que os recrutadores estão buscando nesses profissionais?

Além das competências técnicas para cada vaga específica, as competências cada vez mais demandadas pelas empresas são: adaptabilidade, comunicação (e aqui entra também a capacidade de escuta e diálogo), pensamento crítico, criatividade, iniciativa, autogestão, entre outras.

Quais as maiores necessidades das empresas na atualidade?

Pessoas flexíveis para se adaptar a novas situações e superar obstáculos, que sabem conviver com a incerteza, tenham disposição para agir e aproveitar oportunidades e sejam capazes de atuar em colaboração com os outros.

Qual o peso da Inteligência Emocional para a obtenção de êxito nesse processo?

O peso é enorme. Porque quando estamos atentos as nossas emoções e somos capazes de reconhecê-las, conseguimos administrá-las, exercendo o autocontrole e cuidando de nossos relacionamentos com o entorno.

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