João Paulo Picolo: “Tivemos que nos adequar a essa realidade”

 João Paulo Picolo

A NürnbergMesse Brasil é uma subsidiária do Grupo NürnbergMesse, uma das maiores empresas internacionais organizadoras de eventos e exposições no país. Com um portfólio composto por 14 eventos, todos os líderes em seus mercados de atuação, a companhia movimenta diversos segmentos da economia nacional, com alto nível de profissionalismo e competência. A empresa é comandada atualmente por João Paulo Picolo, que possui mais de 20 anos de experiência no setor e passou por todas as grandes promotoras presentes no Brasil e no mundo. João comentará sobre o futuro do setor de eventos, como ele foi prejudicado pela pandemia, números dos prejuízos… contará como a empresa fez para sobreviver nessa crise e quais recursos digitais e ações foram realizadas. “Cuidar das pessoas. Nosso principal pilar é o cuidado com as pessoas, interno e externo. Independente da turbulência, prezamos um atendimento de qualidade, ouvir quais são as dores do mercado e tentar solucioná-las juntos, da mesma forma que queremos o bem-estar e saúde de nossos funcionários, pois, eles é que nos fazem chegar onde estamos. Somos uma plataforma de negócios, e vamos fazer isso independente do formato ou período. Isso inclui também a comunicação aberta e transparente, não adianta mentirmos e falarmos que está tudo bem. Só conseguimos jogar juntos quando estamos com o jogo limpo”, afirma João Paulo Picolo.

João, qual será a mudança mais substancial na forma de fazer eventos pós-pandemia?

Ainda é um pouco cedo para dar uma resposta concreta. Tudo o que estamos fazendo é meio que um teste e ninguém sabe ao certo, as coisas estão mudando muito rápido. Entretanto, o digital chegou como uma ferramenta forte nesse momento em que as pessoas não podem se aglomerar. É um ótimo recurso e acredito que ele ainda será utilizado para manter a comunicação com os clientes e consumidores ao longo de todo o ano e não mais apenas nos dias de encontros físicos. Acredito que o digital vai ser um ótimo complemento e veio para ficar, claro que tudo depende do público que estamos atendendo ou da indústria de atuação.

Que resquícios da pandemia serão sentidos na forma de fazer eventos pós-pandemia?

Criamos diversos protocolos de segurança e saúde com um dos melhores hospitais da América Latina. Acredito que isso permanecerá por um bom tempo ainda para realmente fazer um evento seguro e proteger a saúde dos visitantes. Cuidado nunca é demais.

A feira é uma forma assertiva de networking. Essa foi a maior dificuldade trazida pela pandemia?

Com certeza! É muito difícil – para não dizer impossível – transferir a experiência de networking presencial para o online. É completamente diferente. Apesar de ser um recurso que passamos a utilizar muito porque era a única forma de comunicação com os clientes, não é a mesma coisa. O vídeo é impessoal e passa uma sensação de distância. Isso sem contar com os inúmeros alertas de atenção que recebemos enquanto estamos em uma atividade no computador. O celular não para de tocar, o filho em casa está chamando, televisão. Muitas coisas retiram sua atenção, então o engajamento acaba sendo muito mais baixo do que o presencial. Outro fator relevante é que o brasileiro é de raça gregária, ou seja, gosta de estar em grupo, é um povo caloroso. Então o contato pessoal é fundamental tanto para os negócios quanto para a saúde mental e desenvolvimento pessoal.

Quais foram as soluções mais notórias que a NürnbergMesse Brasil conseguiu encontrar nesse período?

Tínhamos duas opções no início da pandemia. Esperar para verificar como o mercado ia ficar ou inovar. E escolhemos o segundo. Não sabíamos quando tudo iria terminar e, na verdade, mesmo com uma melhora, o cenário ainda está um pouco incerto. Então investimos bastante em tecnologia e mão de obra especializada. Fizemos parceria com um estúdio de streaming, onde transmitimos ao vivo os nossos eventos e fazemos toda a gestão das atividades e dos participantes. Isso foi criado durante a pandemia para atender as necessidades do mercado. Outra coisa muito legal que desenvolvemos foi um aplicativo de Inteligência Artificial, chamado NMB SmartData. Ele é capaz de mapear todos os nossos mercados de atuação e passar informações relevantes para os clientes, como quem são os concorrentes, market share, faturamento da empresa, oportunidades de negócios. É uma análise profunda, um estudo, para ajudar a decidir os próximos passos.

Que pilares da empresa são imutáveis mesmo em períodos de grandes turbulências?

Cuidar das pessoas. Nosso principal pilar é o cuidado com as pessoas, interno e externo. Independente da turbulência, prezamos um atendimento de qualidade, ouvir quais são as dores do mercado e tentar solucioná-las juntos, da mesma forma que queremos o bem-estar e saúde de nossos funcionários, pois, eles é que nos fazem chegar onde estamos. Somos uma plataforma de negócios, e vamos fazer isso independente do formato ou período. Isso inclui também a comunicação aberta e transparente, não adianta mentirmos e falarmos que está tudo bem. Só conseguimos jogar juntos quando estamos com o jogo limpo e as cartas na mesa, pois, a expectativa é a mesma dos dois lados. Só assim conseguimos realmente ajudar nossos clientes, proteger nossos funcionários e impulsionar os negócios nesses mercados. Esses dois pilares são de extrema importância para NürnbergMesse Brasil.

Quanto foi o prejuízo da empresa em números durante esse período?

Foi muito complicado. Tivemos que nos adequar a essa realidade, fizemos ajustes na equipe, tivemos também que rever vários investimentos programados e planejamentos. Não tivemos renda no ano de 2020, não houve evento. Os encontros digitais e até mesmo patrocínio não são a principal fonte de renda da casa, então foi preciso rever tudo. Nós sempre fomos uma empresa financeiramente saudável, sem dívidas ativas e com bom caixa reserva. Foi isso que nos salvou durante esse período. Hoje em dia dou muito mais valor a esse trabalho financeiro que construímos ao longo dos anos, ele é de extrema importância para momentos difíceis como o que estamos vivendo.

Você esperava que as coisas mudassem no segundo semestre do ano passado. Como é ter que lidar com tantas incertezas?

Eu diria que é um grande aprendizado. Acredito que quem olhou para esse cenário com a mente aberta, como oportunidade, evoluiu muito profissionalmente. Foi um período difícil, mas com muito trabalho foi possível tirar várias lições. Ambiente incerto, com mudanças a cada semana ou dia, pessoas inseguras, então isso tudo nos ensinou a ser mais forte, a desenvolver nossa habilidade de liderança, poder de decisão, entre tantas outras. Foi preciso muita responsabilidade, estudo e planejamento. Posso dizer que, profissionalmente, foi um dos melhores anos da minha vida, evolui muito mesmo, mas acredito que a vida é isso, um eterno aprendizado.

Os expositores estão esperançosos ou aflitos?

Na realidade, eles estão na mesma que nós, organizadores. Um mix de sentimentos. E com toda razão, pois, nossos cenários político e econômico também estão cheios de incertezas, não temos que ter uma posição diferente. Com certeza, todos estão aflitos porque não conseguem voltar as atividades, aos negócios normalmente, estão apenas pelo digital e isso traz uma dúvida financeira muito grande. Após mais de um ano em casa, estamos cansados e esperançosos por uma melhora e o retorno dos encontros presenciais.

A postura dos pavilhões têm sido satisfatória?

Sim, eles têm sido muito parceiros conosco. E nesse quesito tenho que elogiar e agradecer aos meus parceiros da GL events, que administram o São Paulo Expo. Eles são considerados um dos principais centros de exposição da América Latina. Lá é onde realizamos grande parte do nosso portfólio, atualmente composto por 11 eventos físicos. Eles foram muito parceiros na negociação das datas, remarcação de espaço e tudo o que envolve a operação de um evento dentro do pavilhão. Sem essa ajuda, com certeza, o caminho seria muito mais difícil.

Como a digitalização afeta esse processo?

Acredito que a digitalização não veio para afetar e sim para aprimorar esse processo. O presencial não será substituído pelo digital, as pessoas realmente preferem se encontrar, conversar e negociar frente a frente. A relação é outra, o resultado é outro, o engajamento é outro. O digital veio para colaborar e desenvolver uma nova frente e comunicação, mas não acredito que afete o presencial.

Esse pouco mais de um ano de pandemia está sendo um exercício diário de resiliência para todos nós. É o seu momento mais complexo como executivo?

É como eu disse na sétima resposta, acredito que ela encaixe aqui também. Não vou mentir que foi fácil, passei noites sem dormir, cabeça a milhão e muitas incertezas. Mas, hoje em dia, fazendo um balanço, acredito que foi muito bom para eu enxergar muitas falhas, corrigi-las e desenvolver novas habilidades. Fui aprendendo na marra muitas coisas, não tinha espaço para dúvida e nem tempo para erros. Então, acredito que toda situação difícil nos ajuda muito a crescer. Precisei de ajuda, claro. Família, esportes, psicólogo, meditação e tudo isso me ajudou a conhecer novos limites, a desenvolver saúde mental e equilíbrio. Por fim e que eu não posso deixar de citar de forma alguma, é a parceria e o apoio da nossa matriz, em Nuremberg. O Grupo NürnbergMesse fez toda a diferença, pois, acreditaram no nosso time, estiveram do nosso lado o tempo todo e nos deram apoio. Isso traz muita confiança e ainda mais garra para lutar.

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