Johnny Marr, Napoleão, Cleitinho…
Nem todo mundo tem tempo (ou estômago) para acompanhar o noticiário inteiro. É guerra lá fora, escândalo aqui dentro, político fazendo dancinha no TikTok e economista prometendo milagre com inflação alta. Enquanto isso, você tenta sobreviver à vida real. A gente entende.
Por isso nasceu o Condensado: uma dose diária de realidade em 6 tópicos, com informação quente, ironia fria e aquele comentário ácido que você gostaria de ter feito — mas estava ocupado demais trabalhando pra pagar o boleto.
Aqui não tem enrolação, manchete plantada ou isenção fake. Tem olho cirúrgico e língua solta. O que rolou (ou rolará) de mais relevante no Brasil e no mundo vem aqui espremido em 10 linhas (ou menos) por item. Porque o essencial cabe — e o supérfluo, a gente zoa.
Informação? Sim. Respeito à inteligência do leitor? Sempre. Paciência com absurdos? Zero.
Bem-vindo ao Condensado. Pode confiar: é notícia, com ranço editorial.
Lula quer anular decisões que culpam seu Governo e escolhe Toffoli: o mesmo Toffoli que acha que o Orkut foi criado no Brasil; Barroso defende que redes façam censura sob demanda, porque censura terceirizada é mais moderna
Lula, sempre ele, resolveu agora pedir ao STF que anule decisões judiciais que reconhecem que sua gestão e o INSS participaram do maior assalto já feito aos aposentados deste país. Até aí tudo previsível, mas o truque vem agora: Lula quer que o relator do pedido seja o ministro Dias Toffoli, famoso não exatamente pela discrição nem pelo conhecimento técnico — mas por ser, digamos, bastante “sensível” aos interesses do Governo. Toffoli, aliás, acabou de afirmar publicamente que o Orkut foi inventado por brasileiros. Só errou o continente: quem inventou foi o turco Orkut Büyükkökten, nos EUA. Mas vá lá. Enquanto isso, Barroso — aquele que nos prometeu “democracia” — agora quer que as redes sociais sejam obrigadas a remover conteúdo sem ordem judicial. Não é censura, não. É “ônus da remoção”. A censura agora vem em embalagem gourmet e lacrada a vácuo. Modernidade.
Johnny Marr defende grupo pró-Palestina censurado no Reino Unido e expõe a nova face da velha censura: agora com palcos, festivais e transmissão pela BBC com tesoura embutida no roteiro
O ex-guitarrista dos Smiths, Johnny Marr, não é apenas o autor de riffs melancólicos: agora também é defensor de liberdade de expressão. Marr saiu em defesa da banda irlandesa Kneecap, acusada de terrorismo cultural por apoiar a Palestina. O grupo foi escalado para o Glastonbury 2025 — mas parte da opinião pública britânica quer sua apresentação censurada ou “editada”. A BBC, corajosa como sempre, disse que vai transmitir, mas já cogita cortar qualquer fala política, porque, afinal, rock é só entretenimento inofensivo, não é mesmo? Marr rebateu tudo, defendendo o direito à expressão no palco. Pois é: a liberdade de expressão anda cada vez mais parecida com aquele pacote de salgadinho cheio de ar e com pouquíssimo conteúdo. Só que agora com paletó e gravata.
Recordar é Viver: a Batalha de Waterloo foi há exatos 210 anos e Napoleão continua sendo mais lembrado pela pose no quadro do que pelos desastres políticos — a vantagem de não ter Instagram
Em 18 de junho de 1815, Napoleão Bonaparte teve sua segunda e definitiva queda. A Batalha de Waterloo enterrou de vez as ambições imperiais do general corso. Um império ruído, uma Europa remexida e o fim da era napoleônica. Mas como a humanidade gosta de glamour, Napoleão acabou mais famoso pela pintura de Jacques-Louis David do que pela pilha de mortos na Bélgica. Sorte dele não ter vivido na era do Instagram: hoje teria hashtag, meme, polêmica no X e textão reclamando do colonialismo. De todo modo, 210 anos depois, a lição continua sendo ignorada: a arrogância política costuma ter data de validade. Mas os retratos a óleo seguem eternos, pendurados nas paredes de quem prefere estilo à substância. Viva o marketing.

PF indicia Bolsonaro e Carlos Bolsonaro por espionagem ilegal na Abin; o melhor do escândalo: parte dos acusados foi nomeada por Lula — porque o Brasil não decepciona nunca no quesito ironia
A Polícia Federal resolveu fazer o que ninguém esperava: investigar a si mesma. A operação sobre a Abin Paralela produziu 35 indiciados, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, seu filho Carlos (o da conta de memes) e o deputado Alexandre Ramagem, além de outros integrantes da própria Abin. Detalhe saboroso: vários dos acusados foram nomeados agora, no Governo Lula, como quem chama o lobo para cuidar do galinheiro. Segundo a PF, Ramagem chefiou o esquema de espionagem ilegal contra adversários políticos. Carlos Bolsonaro, que já estava mais para influencer de extrema-direita do que para vereador, aparece como o estrategista digital do escândalo. Bolsonaro, claro, “não sabia de nada”, como de costume. Moral da história: Brasília é a capital mundial do “pelo menos um dos culpados fui eu que nomeei”.
Israel e Irã trocam mísseis, drones e ameaças na versão 2025 de ‘o mundo está acabando e você aí mexendo no celular’; mortos já passam de 240 e a conta não para
Israel e Irã decidiram transformar o Oriente Médio em um campo de testes bélicos ao vivo para quem ainda acha que Terceira Guerra Mundial é teoria da conspiração. O Irã atacou Tel Aviv e Haifa com drones Shahed 107, novinhos, autodestrutivos e de alcance de 1.500 km. Israel rebateu antes com mísseis de precisão contra instalações nucleares iranianas. A IRNA, agência oficial do Irã, está praticamente narrando o Apocalipse em tempo real. O saldo já é macabro: 248 mortos (a maioria iranianos), um monte de prédios no chão e nenhuma ideia clara de quando isso vai parar. Mas pelo menos o TikTok continua funcionando. Afinal, se é pra assistir ao fim do mundo, melhor com um filtro bonito no rosto. E quem discordar será devidamente removido pelas novas regras da censura gourmet.
Senador Cleitinho quer transformar charlatanismo religioso em crime mais duro: finalmente alguém tentando proteger a fé dos fiéis e não a conta bancária dos espertalhões com terno barato
Parece mentira, mas o Senado às vezes acerta. O senador Cleitinho (Republicanos-MG) propôs um projeto para aumentar a pena de quem usa religião para arrancar dinheiro dos outros com promessas falsas de cura e salvação. Charlatão religioso sempre teve proteção informal: um microfone, um púlpito e uma conta no exterior. Agora pode ter também cadeia. A proposta prevê reclusão de dois a seis anos e aumento da pena caso a vítima seja idosa, tenha deficiência ou esteja em vulnerabilidade social. Nada mais justo: se o sujeito quer ficar rico, que invente uma startup, abra uma cafeteria descolada ou vire coach no Instagram. Usar Deus como atalho para Lamborghini é baixo até para os padrões políticos brasileiros. Talvez o projeto não passe. Afinal, o lobby dos picaretas com Bíblia é um dos mais organizados do país. E eles não costumam gostar de concorrência.

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Franco Atirador assina as seções Dezaforismos e Condensado do Panorama Mercantil. Com olhar agudo e frases cortantes, ele propõe reflexões breves, mas de longa reverberação. Seus escritos orbitam entre a ironia e a lucidez, sempre provocando o leitor a sair da zona de conforto. Em meio a um portal voltado à análise profunda e à informação de qualidade, seus aforismos e sarcasmos funcionam como tiros de precisão no ruído cotidiano.




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