Julia Pak: “Queria encontrar minha própria essência”

A talentosa estilista

Julia Pak descobriu o dom de criar vestidos de noivas aos 22 anos, quando recebeu um pedido inesperado de uma prima para que desenhasse e executasse o seu vestido de casamento. Um ano depois, em 2015, inaugurou seu primeiro atelier, na Bela Vista, o qual mudou de endereço, para a rua Oscar Freire. Em 2019 foi vencedora do programa “Prova de Noiva”, do Discovery Home & Health, sua segunda participação em competições televisivas – a primeira foi no programa “Um Show de Noiva”. Em 2020, lançou o MEL (Mulheres de Espírito Livre) by Julia Pak, e-commerce de roupas sob medida, que se apoia em tecnologia para entregar aos clientes um serviço de alta-costura online e oferece ampla grade de tamanhos. Suas criações são frequentemente vistas na dupla Anavitória. “Vivemos em um sistema ordenado por padrões e que, sim, facilitam nossa vida em sociedade em muitos aspectos. Mas tentar encaixar, principalmente, nossos corpos em padrões vai completamente contra toda a complexidade e diversidade que somos enquanto seres humanos. Essa dinâmica (de trabalhar com apenas um padrão estético) como nossa única e exclusiva forma de consumir roupa/informação de moda já nos causou muitos danos psicológicos e emocionais, acho imprescindível pensarmos em outras soluções e formas de consumo mais inclusivos!”, afirma a estilista que está em plena ascensão.

Julia, como as observações externas foram fundamentais para as suas criações?

Observar e absorver o externo foi o processo que, inconscientemente, fundou a minha empresa! Todas as minhas criações, desde a sua concepção à comunicação final, foram pensadas a partir de (muitos) questionamentos sobre o mercado, sobre o meu papel nele e, consequentemente, na sociedade. Então, não consigo imaginar nenhuma criação do atelier sem essa conexão com o externo!

O que você conserva em seus trabalhos atuais e que foram primordiais em seus primeiros momentos como estilista?

A liberdade que as clientes/o público tem para interpretar nossas criações como bem entenderem! Desde o comecinho do atelier, me propus a ser uma ferramenta de expressão para as mulheres e não um canal cujo objetivo é “ditar” alguma moda ou tendência e isso permanece até hoje! Sinto que o design dos produtos amadurece conforme a marca amadurece também mas, da mesma forma que prezo muito pela minha liberdade criativa, gosto de cuidar da liberdade das mulheres que nos vestem também!

Quais foram os complementos dessas observações que fizeram o seu trabalho ter uma identidade única?

Talvez tenha sido a autenticidade. A minha vontade de proporcionar às minhas clientes essa liberdade criativa partiu muito da minha própria vontade de conhecer a minha identidade.

Então, sei o valor que esse processo tem e como ele, realmente, pode transformar a nossa trajetória! Nunca quis seguir o estilo ou traços de outro estilista. Queria encontrar minha própria essência e acredito que, quando apresentamos um trabalho autoral, as pessoas captam e você se distancia (um pouco, pelo menos) do comparativo com outras empresas se tornando único!

Qual a importância da liberdade criativa para você?

Toda! A gente até sabe viver sem ela. Salvo as exceções, são raros os momentos em que somos estimulados, de fato, a deixá-la se manifestar. Então, quando encontro um lugar, uma marca ou um serviço que me permita ter liberdade criativa ao longo do processo é simplesmente uma experiência incrível que permite que eu me conheça cada vez mais.

Essa liberdade é fundamental para que amarras que já foram pré-estabelecidas no mundo da moda sejam soltas?

A meu ver, com certeza. Vivemos em um sistema ordenado por padrões e que, sim, facilitam nossa vida em sociedade em muitos aspectos. Mas tentar encaixar, principalmente, nossos corpos em padrões vai completamente contra toda a complexidade e diversidade que somos enquanto seres humanos. Essa dinâmica (de trabalhar com apenas um padrão estético) como nossa única e exclusiva forma de consumir roupa/informação de moda já nos causou muitos danos psicológicos e emocionais, acho imprescindível pensarmos em outras soluções e formas de consumo mais inclusivos!

Quais os grandes pilares do seu atelier?

Inclusão, consumo consciente e gestão humanizada. Esses são os princípios que levo tanto para as coleções Bridal (para as noivas) e também para a MEL.

Em que momentos esses pilares foram encontrados?

Desde o início da marca. Ela nasceu como uma tentativa de existir no mercado de moda respeitando esses valores.

Qual a importância da tecnologia para o seu ofício?

Especialmente para o nosso objetivo mais recente: o de levar o ofício sob medida para a moda casual, ela é crucial, pois, as plataformas ainda são configuradas para você ser P, M ou G! A equipe da Cítrica (empresa que desenhou o e-commerce da @melbyjuliapak), virou noites conosco, tentando adaptar o site para receber a demanda sob medida! Hoje, estamos em busca de parceiros e investidores que nos ajudem a desenvolver esse sistema sem precisar “maquiar” a plataforma de e-commerce.

A MEL by Julia Pak surge dessa inquietação?

Sim. 100%!

Fale um pouco mais sobre o seu e-commerce.

A MEL, que já carrega em seu nome as iniciais de Mulheres de Espírito Livre, nasceu para unir um ofício do passado, o sob medida, com esse antigo desejo para o futuro: o de libertar a mulher de padronizações estéticas e, enfim, contemplar a sua identidade que habita um corpo único e particular!

Todas as nossas peças podem ser encomendadas sob medida ou por uma tabela ampla de numeração e temos atendimento full time via WhatsApp para que elas se sintam assistidas durante essa experiência e se tornarem mais familiarizadas com essa nova forma de consumir que envolve o desafio de tirar suas próprias medidas.

O que fará a MEL ser ainda mais valorizada e requisitada nos anos vindouros em sua visão?

Provavelmente, ter sido precursora nesse processo de levar o sob medida para mais pessoas. Espero, de coração, abrir espaço para outras marcas fazerem o mesmo. Muitas mulheres (e homens, claro) ocupam pouquíssimos espaços na moda por falta de opção e representatividade e, com esse processo de confecção, elas passam a fazer parte dessa indústria tão importante. Por exemplo, mulheres PCD.

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