Maitê Lourenço, fundadora e CEO da BlackRocks Startups: “A presença digital é extremamente importante”

A fundadora

Maitê Lourenço é fundadora e CEO da BlackRocks Startups, uma aceleradora de startups que promove o protagonismo da população negra tendo como missão aumentar a diversidade racial no ecossistema empreendedor brasileiro com o apoio a profissionais – negras e negros, sendo finalista do Startup Awards, categoria Impacto Social, uma das mulheres inspiradoras da Think Olga e premiada pela Revista Veja no Prêmio Veja-se, categoria diversidade, todas as premiações em 2017. Em 2018, foi considerada uma das jovens mais inovadoras pelo departamento de Responsabilidade Social da Rede Globo de Televisão e homenageada através do programa Caldeirão do Huck no Especial Inspiração. “É um ecossistema cheio de oportunidades, com venture capitals que não sentiram os reflexos negativos da pandemia, muito pelo contrário, estão investindo mais. As grandes empresas estão buscando oportunidades junto as startups. A crise que estamos passando oportuniza a criação de negócios mais inovadores, com menos custo e alta possibilidade de escala. No entanto, ainda percebemos que as oportunidades não são iguais, principalmente quando buscamos mulheres negras inovadoras. A discussão sobre direitos civis/inclusão da população negra está acontecendo no âmbito da colocação profissional, mas ainda estratégias para ter essa população como fornecedora de inovação é muito pouco discutido”, afirma Maitê.

Maitê, como avalia o ecossistema de startups no Brasil?

É um ecossistema cheio de oportunidades, com venture capitals que não sentiram os reflexos negativos da pandemia, muito pelo contrário, estão investindo mais. As grandes empresas estão buscando oportunidades junto as startups. A crise que estamos passando oportuniza a criação de negócios mais inovadores, com menos custo e alta possibilidade de escala. No entanto, ainda percebemos que as oportunidades não são iguais, principalmente quando buscamos mulheres negras inovadoras. A discussão sobre direitos civis/inclusão da população negra está acontecendo no âmbito da colocação profissional, mas ainda estratégias para ter essa população como fornecedora de inovação é muito pouco discutido.

O acesso da população negra a esse ecossistema tem melhorado nos últimos anos?

Ainda não temos um unicórnio que tenha um sócio negro, acredito que isso diz muito sobre qual acesso podemos enxergar “melhorias”. As pessoas negras sempre acessaram o ecossistema, mas a questão é: até onde elas conseguem acessar? E infelizmente não vejo melhorias em todas as esferas do ecossistema ainda.

Qual o papel da BlackRocks para que essas pessoas tenham esse acesso?

Nosso papel é fornecer suporte para negócios escaláveis que estejam buscando uma rede de contatos, clientes e acesso à capital. Trabalhamos para fomentar e incentivar que mais pessoas negras acessem o ecossistema de startups.

O que define o norte da aceleradora?

Entendemos que as startups lideradas por pessoas negras passam por diferentes desafios no ecossistema, oportunizar que elas tenham acesso a oportunidades é o que norteam nossas ações.

Essa pandemia é um divisor de águas para a gestão de negócios das startups?

Não só das startups, mas para todo tipo de negócio. A presença digital é extremamente importante, gerenciar menos recursos e gerar o maior número de impacto/escala é extremamente importante agora.

O que essas startups terão que ter em mente para triunfarem no pós-Covid?

Essa pergunta vale um milhão de reais. Ainda não temos uma definição clara sobre o pós-Covid. Todas as previsões que vi até agora de muitos especialistas caíram por terra. Não serei demagoga em ditar alguma ação que infelizmente não temos ideia de quando e principalmente quais os aspectos “beneficiarão” os negócios para o triunfo.

A inovação pode fazer a diferença para essas empresas em que momento?

A inovação não só beneficia negócios, mas também gera impacto para a sociedade como um todo. Acredito que a inovação é essencial para que as necessidades de um bairro, cidade, estado, país… do mundo sejam supridas. Hoje ela não é mais algo distante, a inovação é necessária e presente na vida de todos nós.

Investir em inovação é algo que deve ser recorrente ou pontual?

Com toda certeza recorrente e promovendo com que a maioria da população seja incentivada para desenvolvê-la, ou seja, que a população negra esteja presente e com proporcionalidade nas transformações que acontecerão.

A implementação de uma cultura de inovação deve ser moldada em que pilares?

Gosto muito do modelo clássico: negócios, tecnologia e pessoas, contudo sempre pergunto que pessoas, se são aquelas que frequentaram as mesmas universidades, que possuem praticamente o mesmo repertório, vivências, etc? Caso as respostas sejam sim, a inovação estará limitada ao que estas pessoas vivenciam, gerar discriminações e até um ambiente que não representa quem irá consumir aquela inovação e se não houver a intencionalidade real de promover maior diversidade na construção deste novo, não há como dar o nome de inovação.

Fale um pouco sobre o Programa de Aceleração que a BlackRocks lançou em parceria com a BTG Pactual.

O Grow Startup – Cresça seu negócio, é um programa de aceleração de startups que foca no crescimento econômico e escalável dos negócios. Esta é a primeira edição que será realizada em parceria com o banco BTG Pactual e selecionaremos oito startups que estejam em fase de pré-operação ou operação. As inscrições tiveram início no nosso site no dia 28 de setembro.

Quais os grandes diferenciais desse Programa?

Além de buscar fundadores e fundadoras negros(as), ofertaremos suporte para negócios validarem seus produtos/serviços, contato com o ecossistema interno do BTG Pactual como, por exemplo, o Boostlab que é o Hub de inovação do banco, além de parcerias com AWS e outras instituições que faremos o anúncio em breve.

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