Paulo Oliveira Andreoli: “O Open Banking trará competitividade”

Paulo Oliveira Andreoli

Ao falar de transformação digital, é impossível não citar o Open Banking, um sistema onde a tecnologia está no centro de todas as atividades por meio do compartilhamento de dados bancários e financeiros, e, além disso, movimenta totalmente o impacto da economia. Este painel, trará debates importantes sobre a implementação do diretório no Brasil até o momento, quais os principais desafios que as instituições enfrentam para implantar a infraestrutura de segurança, e, por fim, quais são as oportunidades para bancos e fintechs, aproveitando também a melhor experiência de seus usuários. De acordo com o Head do Grupo FCamara, Paulo Oliveira Andreoli, o Open Banking traz diversos benefícios, sendo um dos mais importantes, o aumento da competição. “Não há a obrigação de se manter preso a uma instituição. O cliente poderá compartilhar o seu histórico de crédito e de transações com outras instituições que então poderão oferecer condições melhores de crédito e tarifas menores, por exemplo. O cliente acaba tendo liberdade e autonomia para trocar de empresas prestadoras de serviços sem “perder” o seu histórico, e, para as instituições, cria-se um ambiente competitivo e benéfico, que leva mais opções aos usuários e permite a entrada de mais produtos e instituições no mercado”, explica Paulo, que também ressalta: “A implantação do Open Banking mudará o mercado financeiro brasileiro”.

Paulo, qual o potencial do Open Banking no Brasil?

O potencial é enorme. A implantação do Open Banking mudará o mercado financeiro brasileiro e a maneira como as pessoas e empresas se relacionam com os bancos. As pessoas poderão escolher as instituições financeiras que melhor as atenderem ou que derem as melhores condições sem terem a preocupação de perderem seu histórico, pois, poderão levar todas as suas informações com elas para a nova instituição financeira.

Quais os principais benefícios do Open Banking e que ainda não foram entendidos claramente pela grande maioria das pessoas?

Será necessário fazer um grande processo de divulgação e educação sobre o que é o Open Banking, para que serve e quais são as vantagens que as pessoas terão em compartilhar seus dados. O princípio básico do Open Banking é que as informações são suas, não importa em que empresa esteja, e você pode compartilhar estas informações com outras empresas para ter acesso a melhores produtos e serviços.

A partir da implantação do Open Banking, as pessoas poderão compartilhar com outras instituições financeiras informações de seu extrato bancário e de produtos de crédito que contrataram na instituição financeira atual para terem acesso a ofertas de crédito com juros menores ou poderão ter acesso às informações de todos os bancos em que tenham contas agrupadas em um único lugar onde estas informações serão categorizadas e poderão gerenciar melhor a sua vida financeira, por exemplo. Estes são apenas alguns dos muitos benefícios que o Open Banking irá trazer.

Quantas pessoas e empresas aderiram ao Open Banking em nosso país em 2020?

O Open Banking no Brasil ainda está em sua Fase 1, implementada em fevereiro de 2021, onde algumas instituições financeiras devem compartilhar dados públicos sobre canais de atendimento (agências, caixas eletrônicos, etc) e informações de produtos e serviços (conta-corrente, cartões de crédito, operações de crédito) e suas respectivas tarifas e valores. As pessoas e empresas poderão aderir ao Open Banking a partir da Fase 2, prevista para o dia 15 de julho. É na Fase 2 que as pessoas e empresas poderão compartilhar seus dados de conta-corrente, cartões de crédito e operações de crédito, se desejarem.

Qual a importância da transformação digital acelerada pela pandemia para esses números?

A pandemia fez com que muitas empresas acelerarem a sua transformação digital e o Open Banking fará com que muitas instituições financeiras tenham que iniciar ou acelerar ainda mais esta transformação para cumprirem os requisitos do Open Banking. A partir da Fase 2 do Open Banking as instituições financeiras terão que compartilhar, com autorização de seus clientes, os dados cadastrais e das transações instantaneamente a partir do consentimento do cliente. Para isso muitas instituições financeiras terão que adequar seus sistemas legados antigos para proverem estas informações com a velocidade definida pela regulação, mas as instituições que considerarem o projeto de Open Banking apenas como um projeto regulatório tendem a ficar para trás e a perder competitividade. O Open Banking é um excelente estímulo para as instituições investirem em sua transformação digital e em todas as fases e funcionalidades do Open Banking para aproveitarem todo o seu potencial.

Quais os maiores desafios para implementação desse sistema?

Existem vários desafios para a implementação do Open Banking nas instituições financeiras. Conforme comentei acima, um deles é a adequação dos sistemas legados para fornecerem as informações exigidas na velocidade, no formato e com a segurança exigida pela regulação sem impactar as outras transações. As instituições devem construir sistemas para extrair estas informações de seus sistemas legados, construir as APIs no padrão definido pela regulação e todo o sistema de gestão de consentimento, que é o sistema que fará o controle de que clientes autorizaram o compartilhamento de seus dados, para que dados estão autorizando este compartilhamento e até quando vale esta autorização, tudo seguindo rigorosos critérios de segurança.

O Open Banking no Brasil usa padrões de segurança muito novos e complexos que poucos profissionais no mundo conhecem por isso é importante ter o auxílio de empresas que tenham este conhecimento na implantação. A FCamara, por exemplo, oferece para as instituições uma plataforma que torna a implantação muito mais rápida, barata e segura, usando toda a experiência da Raidiam, uma empresa inglesa parceira da FCamara, que é implementadora do diretório de Open Banking do Reino Unido e do Brasil.

Já estamos na terceira fase de implementação do Open Banking no Brasil. Como passamos pelas duas fases anteriores?

Estamos na Fase 1 do Open Banking desde fevereiro de 2021 e a fase 1 contempla apenas dados das instituições financeiras como canais de atendimento e informações de produtos e serviços, portanto, ainda com pouco envolvimento dos clientes. A implantação da Fase 1 correu bem e em maio tivemos mais de 20 milhões de chamadas de API e a partir da Fase 2 prevista para 15 de julho, onde os dados dos clientes serão compartilhados, este número tende a crescer muito apesar de serem poucas as instituições obrigadas a entrarem nesta fase. Na Fase 3 em agosto teremos a maior quantidade de instituições financeiras entrando no Open Banking, a princípio para cumprir a regulação, mas que devem aderir as outras fases para aproveitarem os benefícios do Open Banking.

Muito se fala da competitividade no setor. Este aumento da competitividade será gradual?

O Open Banking trará aumento significativo da competitividade. A velocidade na minha opinião dependerá muito de 2 fatores: na divulgação e conscientização das pessoas do que é o Open Banking e que benefícios elas terão para compartilhar os seus dados, e da velocidade na qual as instituições financeiras e fintechs criem ofertas de valor para os clientes usando o Open Banking.

Como é a experiência de estar acompanhando e fazendo parte desse momento?

Estou neste mercado há mais de 20 anos, acompanhei muitas mudanças no mercado e a experiência de estar participando de marcos tão importantes como o Pix e o Open Banking é muito gratificante já que estas iniciativas estão trazendo muitos benefícios para as pessoas e para o mercado. A equipe do Banco Central do Brasil tem feito um trabalho excelente nos últimos anos para aumentar a inclusão e a competividade e o Pix e o Open Banking são excelentes exemplos disso.

O Open Banking pode ser considerado revolucionário em sua visão?

Sim, com toda certeza. O Open Banking trará aumento da competitividade, novos produtos e serviços financeiros e mudará a forma com que os clientes se relacionam com as instituições financeiras. Muitas pessoas comparam o potencial do Open Banking no mercado financeiro com a Internet: sabemos que vai trazer muitas mudanças para o mercado, mas deve trazer novos produtos e serviços financeiros que hoje nem imaginamos que poderão existir.

Quem será a peça principal dessa revolução?

A revolução do Open Banking terá duas peças principais que têm forte relação entre elas: as instituições financeiras e fintechs que criarão produtos e serviços inovadores usando Open Banking, e percepção por parte dos clientes dos benefícios que terão ao compartilhar seus dados.

Como vislumbra o Open Banking e seus movimentos nos próximos meses?

A partir da Fase 2 em julho quando se inicia o compartilhamento de dados de conta teremos instituições financeiras pedindo para seus clientes compartilharem dados de seu relacionamento com outras instituições financeiras, o que vai aumentar a competitividade principalmente em produtos de crédito. Teremos também a criação ou aprimoramento de soluções de agregação de contas e de gestores financeiros onde as pessoas e empresas poderão visualizar e analisar todas as transações de contas e cartões de forma centralizada.

Na Fase 3 em agosto teremos a iniciação de pagamentos e encaminhamento de propostas de crédito. Com isso veremos a criação de novas formas de pagamento e de novos canais para contratação de crédito.

Na Fase 4 em dezembro entram os produtos de investimento, previdência e seguros, o que trará maior competição para estes mercados, novos canais de venda e melhores condições para os consumidores. Com o Open Banking implantado e consequentemente com o acesso a todos estes dados de clientes (sempre com consentimento do cliente) e a possibilidade de fazer transações na sua conta-corrente usando outros canais, as possibilidades de criação de produtos são imensas, portanto veremos muita inovação no mercado nos próximos meses.

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