Rafael Rodrigues: “Somos inspirados pelo princípio da colaboração criativa”

CECOP Brasil

As óticas independentes representam a maior parte do mercado ótico brasileiro, com uma fatia de aproximadamente 80% da presença nacional. Nos últimos anos, esses negócios vêm enfrentando grande concorrência e a necessidade de serem competitivos, sendo que tais pontos foram intensificados com a pandemia da Covid-19. Vale ressaltar que um ponto de suma importância para esses empreendimentos é a rentabilidade. Considerando que, em média, de 60% a 70% do faturamento é obtido por meio da venda de lentes oftálmicas, torna-se primordial ser estratégico na venda desta categoria. Para potencializar estes resultados e levar às óticas as tecnologias mais novas do setor, a CECOP, maior comunidade de óticas independentes do mundo, anuncia a criação e desenvolvimento do projeto Lentes ZOOM – Creative Vision. Integrada à rede de laboratórios independentes ELO, que já conta com dez laboratórios homologados e distribuição em todo território nacional, o lançamento da ZOOM promete revolucionar o mercado ótico independente. Rafael Rodrigues, Country Manager da CECOP Brasil, explica que o lançamento das lentes é visto pela CECOP como a vantagem competitiva que, de fato, potencializa os negócios das óticas independentes. “Estamos levando novas estratégias para que os empreendedores ampliem a receita com um modelo inteligente de markup”, pontua.

Rafael, como o seu caminho se desenvolveu até chegar no setor em que atua atualmente?

Iniciei minha carreira muito cedo, aos 17 anos vendia filtros de água porta a porta na região da Avenida Paulista, em São Paulo, até o dia em que fui vender em uma agência de publicidade e consegui um estágio na área em que estava me graduando. Durante a faculdade, estagiei em diferentes setores até passar em um programa de trainees de um grande banco em São Paulo, o Bradesco. O início de minha carreira então desenvolveu-se no mercado financeiro, em que passei pelas diferentes áreas do banco durante os quatro anos que fiquei por lá. Após isso, atuei na área de publicidade e eventos, trabalhando em uma das maiores agências do país, no setor de Live Marketing, a Aktuell, onde atendi multinacionais como Phillips, Bayer, Nextel e Diageo. Daí em diante, fui contratado pela empresa americana de telecom Brightstar Corp., como gerente de Marketing, para fazer o lançamento e start da HTC (fabricante de celulares taiwanesa) no Brasil. Neste período conheci todo território brasileiro e me desenvolvi também na área de vendas, atendendo as contas da Tim, Vivo, Oi e Claro.

Em 2011, cheguei ao setor ótico e durante sete anos fui diretor de Marketing da Mormaii, Colcci e Absurda (marca própria que lançamos e teve grande sucesso em 2011 e 2012, da qual me tornei sócio). Em 2017, montei a operação da filial como Country Manager nos Estados Unidos, onde morei por dois anos. Também morei em Lisboa e Madrid, nos últimos 2 anos, onde fui contratado para ser Country Manager da CECOP e olhar o Brasil desde a matriz na Europa. Recentemente, após quatro anos, voltei ao Brasil e vivo hoje em Florianópolis, onde continuo na posição de Country Manager.

Quais os desafios que devem ser transpostos por alguém que está no cargo de Country Manager como você?

É necessário ter diferentes habilidades para ser um Country Manager, que, normalmente são conquistadas ao longo do tempo, com experiência e desenvolvimento pessoal, emocional e profissional. Demanda uma boa capacidade estratégica, de saber entender e contextualizar o mercado e se posicionar. Uma necessidade de se comunicar muito bem, seja com a matriz, com fornecedores, clientes e funcionários. Capacidade de liderança, de interação com diferentes personalidades, de desenvolver e contratar pessoas. Humildade, flexibilidade e uma série de outros valores. Mas muito além de tudo isso, precisa ter bastante energia, pois, a operação e o dia a dia trazem oportunidades, problemas, surpresas e demandam ação e compreensão o tempo todo. Diria que é muito empolgante e prazeroso, apesar de às vezes estressante e desafiador.

Manter um negócio num dos momentos mais complexos da nossa história requer o quanto de ambição e perseverança?

Em momentos difíceis como este que estamos vivendo, que, principalmente, não existe escolha, temos a necessidade de superação. E o ser humano, por natureza, se move e acha soluções na hora da necessidade. Todos temos medo e dúvida em determinados momentos, mas saber canalizar isso para a ação e a criatividade em busca de soluções gera uma energia sem igual. Um motor que bem direcionado, e com a fé e a confiança, traz feitos mágicos.

Como se encontra o mercado ótico brasileiro na atual conjuntura?

O mercado ótico no Brasil tem um potencial imenso, diria que pode ainda dobrar de tamanho nos próximos dez anos. O número de óticas por habitantes no Brasil ainda é menos que a metade de países europeus. A informalidade e pirataria concentram 50% do total do mercado de 23 bilhões de reais no Brasil. O acesso aos profissionais de saúde e saúde visual ainda é muito limitado. Para se ter uma ideia, no período de mais abundância econômica, 2006-2013, em que tivemos uma grande ascensão da classe C no Brasil, o mercado cresceu em média 18% ao ano.

Além disso, estamos falando de um mercado que, em média, 75% do faturamento de uma ótica provém da necessidade (lentes + armações), ou seja, de pessoas que necessitam de correção visual. Não só a pirâmide populacional no Brasil vai ficando cada vez maior (faixas etárias mais velhas), como a utilização de telas e novas tecnologias fazem com que cada vez mais pessoas necessitem de correção visual e invistam na saúde da visão. As óticas ainda são um formato de varejo que foi amparado durante a crise, pois, além de 60% da venda ser lentes (ou seja, não existe necessidade de inventário na loja), na grande maioria das cidades foi considerada como serviço essencial (como as farmácias e supermercados). Assim, mesmo com fluxo reduzido de clientes, permaneceram abertas e com ajuda da digitalização, delivery e demais ferramentas, puderam, pelo menos, não parar de faturar. Aquelas que são menores e de rua sofreram menos. As localizadas em shoppings e centros comerciais sofreram mais. Lógico que independentemente disso tudo, sem dúvida foi e está sendo um período duro e desafiador, principalmente em termos de fluxo de caixa. Mas, ao mesmo tempo, muitas oportunidades e novos caminhos têm surgido.

Óticas independentes estão aproveitando o cenário para se destacar. Como a CECOP Brasil tem operado em meio a essa instabilidade?

A pandemia não só nos inspirou como nos fez transpirar. Ela nos fez viver da forma mais profunda o nosso proposito como empresa: trabalhar diariamente para que a ótica independente seja competitiva. Nesse sentido, apertamos o turbo desde o início da pandemia. Desenvolvemos muitas iniciativas dentre conteúdos, mentorias gratuitas, produtos e serviços especiais, pesquisas, ações sociais, enfim, nos desdobramos para buscar soluções para todas as maiores dores das óticas independentes. Lançamos dois projetos muito consistentes que estão fazendo, de fato, diferença para estes empreendedores da nossa comunidade e estamos muito felizes em ver tudo isso tomando forma.

Quais são os pilares da empresa?

A CECOP tem como missão fazer com que a ótica independente seja competitiva utilizando ferramentas baseadas em: Marketing, Promoções, Tecnologia e Educação e sempre respeitando os nossos valores de comprometimento, ética, flexibilidade, colaboração e excelência.

Esses pilares interferem e dão o norte na condução do dia a dia do negócio?

Sem dúvida, são eles que nos movem para qualquer ação ou decisão. Nos orientam desde a resposta a um e-mail até a definição da estratégia ou do lançamento de um novo produto.

Fale um pouco sobre a idealização da ZOOM.

As Lentes ZOOM oferecem uma nova rota de crescimento para as óticas independentes, permitindo que os empreendedores ampliem sua receita com um modelo inteligente de markup. Nascemos na crise, fortalecidos por uma comunidade de 4.500 óticas independentes ao redor do mundo. Nossa proposta é construirmos, juntos, uma nova realidade para o mercado ótico, estabelecendo uma jornada de sucesso que leva em conta os desafios do cenário econômico atual. Para tornar este sonho realidade, foi preciso ouvir e estudar todo o processo de oferta de lentes oftálmicas, e entender como entregar tecnologia e comodidade com simplicidade e qualidade. Juntamos um grupo de profissionais com mais de 25 anos de experiência na indústria ótica, em um processo colaborativo nunca pensado. Uma solução conjunta e eficaz.

A ZOOM revolucionará o mercado em quais direções em sua visão?

Talvez seria muito prepotente querer dizer que vamos revolucionar o mercado ótico, mas estamos entregando uma solução estratégica para a maior dor em termos de competitividade da ótica independente, em uma área do negócio que representa até 80% do faturamento de uma loja. Estamos dando competitividade e melhorando significativamente a margem e a capacidade de geração de caixa dessa comunidade. Muito mais do que isso, integramos serviços e digitalização junto a um produto por meio de colaboração.

Quais serão as ações de branding e marketing da marca para apresentar a ZOOM especialmente para o consumidor?

A ZOOM já nasce com um propósito: uma comunidade pensada para inspirar pessoas com visões de mundo diferentes.

Somos globais, mas também independentes. Somos inspirados pelo princípio da colaboração criativa, e pela missão de simplificar as relações dos indivíduos com sua visão. É isso que nos move, que define a nossa cultura e que faz com que cada consumidor tenha a sua importância. Nossos produtos são plurais, respeitando a diversidade e suas diferentes visões, unindo tecnologia, acessibilidade, diversidade e conforto. Nosso objetivo é gerar experiências extraordinárias e sem limitações.

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