Rallie: “Vamos dar vivas à tecnologia”

Rallie

Jornalista, empresário, professor e consultor de comunicação, o baiano Rallie vem se dedicando de corpo e alma à sua grande paixão: a música. Depois de realizar o sonho de gravar em parceria com Gilberto Gil, a música “Um Sonho”, Rallie prepara um lançamento inovador: o álbum Imersão 32D acaba de chegar a todas as plataformas com uma tecnologia pioneira. É o primeiro lançado no Brasil com a tecnologia 32D. Ao ouvir cada uma das 13 faixas, o ouvinte é conduzido à sensação de uma apresentação ao vivo, como se estivesse em frente ao palco. “O ouvinte vai ter a experiência de um processo hipnótico, principalmente porque a pessoa se sente transportada para uma atmosfera de show ao vivo, graças à sensação de que a vibração do som acontece em várias direções”, explica Rallie. Durante o isolamento na pandemia, Rallie mergulhou fundo em sua essência musical e trouxe essa grande novidade para os seus fãs. Quem escuta as canções com fones de ouvido, percebe uma experiência sensorial perfeita, pois, o recurso recria um ambiente, com efeito espacial. O repertório de Imersão 32D mescla inéditas, releituras do cancioneiro angolano, composições da autoria de Rallie e de grandes autores da MPB, como Tim Maia e Carlos Imperial (“Cristina”), Pierre Onassis e Edu Casanova (“Amigo”), Jorge Benjor (“Zumbi”), Cassiano (“Primavera”), Waldick Soriano (“Tortura de Amor”) e Benito de Paula (“Retalhos de Cetim”), entre outros.

Rallie, você é jornalista, empresário, professor e consultor de comunicação. Como esse “caldeirão” se tornou um fio condutor para a sua maior paixão que é a música?

Na verdade, gosto de música desde criancinha. Minhas atividades profissionais não impediram que eu desse vazão à minha paixão pela música, mas como ouvinte apenas, não como intérprete. Minha primeira composição, chamada “Quando eu crescer“, fiz aos 10 anos. Época também em que comprei o primeiro dos meus mais de 8 mil álbuns, musicais, entre LPs e CDs. Moro na África há duas décadas, vivendo em Luanda e em Salvador. Lá, como Presidente da Assembleia Geral da Associação dos Empresários Brasileiros em Angola (Aebran) reeleito em cinco mandatos, como Raimundo Lima (Rallie é nome artístico) apostei no empreendedorismo com ênfase na responsabilidade social e me notabilizei pelas ações de integração dos povos do Brasil e de Angola. Meu trabalho foi reconhecido inclusive através de prêmios nacionais e internacionais recebidos em Nova Iorque, São Paulo e Luanda, por exemplo. Por isso, sou considerado um dos brasileiros que mais promoveram a integração do Brasil com Angola nas últimas décadas, por minhas diversas ações empresarias, profissionais, culturais e sociais. Coordenei a Comissão Organizadora das cinco primeiras Semanas Comemorativas da Independência do Brasil em Angola, com shows musicais, seminários empresariais, mostras de cinema, gastronomia, palestras, debates e muitos outros eventos.

Fui responsável pela ida à África de mais de 500 brasileiros, entre empresários, líderes religiosos, dirigentes da área educacional, gestores, professores e muitos artistas, como Olodum, Jorge Vercílio, Luiz Melodia, Jorge Aragão, Zeca Baleiro, Targino Gondim, Geraldo Azevedo, Magary Lord, Capinam, Elba Ramalho, Márcia Short, Roberto Mendes, Banda de Boca, Raimundo Sodré e Quinteto Sanfônico, entre outros. Assim, em Angola, cantei algumas vezes em palcos por brincadeira. Mas terminei sendo muito incentivado por amigos e desconhecidos também. Isso me estimulou a gravar já sexagenário, mas o fiz com a ideia de que nunca é tarde para começar a fazer aquilo que a gente gosta.

Como as observações do seu entorno aparecem em suas canções?

Várias músicas do meu repertório são releituras de canções que estão no meu imaginário desde a infância. São composições ou interpretações de ídolos nacionais como Tim Maia, Paulo Diniz, Altay Veloso, Waldick Soriano e Benito de Paula, por exemplo, ou estrangeiros como Filipe Mukenga, Adélia, Amália Rodrigues, e Michel Jackson, entre outros, que, na minha intimidade eu cantava ao meu modo. Então, nas minhas versões procurei dar interpretação própria, algumas delas muito influenciadas pelo meu background adquirido nas minhas vivências no Brasil e na África, principalmente. Nas minhas composições estão fortemente presentes a minha experiência de vida, minha personalidade, meu caráter, meu temperamento, minha filosofia de vida, marcados indelevelmente pelas observações do meu entorno, como ator ativo ou como paciente.

Quando essas observações se misturam com a sua essência?

Tanto nas minhas ações como jornalista, empresário, líder sindical, ativista social, quanto nos aprendizados que eu tive na minha existência de sete décadas, passivamente também recebi muitas contribuições para compor esse backgrpound. Então, acumulei muitas informações e cognições que têm sido extremamente úteis na elaboração das minhas músicas, com base nesses conceitos adquiridos e agora aplicados e reproduzidos através da música. Quer sejam de cunho mais profundo no conteúdo das letras ou simplesmente lúdicas, pela forma como a melodia toca minha alma.

O que exala dessa essência e que acredita ser fundamental para você como músico?

Creio que seja fundamental buscar sempre apresentar um belo trabalho musical, que seja atraente e inovador, mas sem perder a minha identidade pessoal e a coerência desses anos todos de vida, tanto como profissional de comunicação quanto como humanista ou como empresário que atua com responsabilidade social. Na minha carreira artística, esta preocupação é evidente, por exemplo, quando nós lançamos o primeiro álbum em 32D do país. Em “Imersão 32D”, além de um repertório variado e bom gosto, a pessoa que usar fone nos dois ouvidos vai encontrar músicas imersivas, cujos efeitos causam a sensação de que os sons estão sendo reproduzidos em diversas direções. Ao ouvir os áudios mixados com essa tecnologia, é possível sentir também o eco e a distância dos sons como se você estivesse em uma apresentação ao vivo.

Quais as descobertas que você obteve quando mergulhou em sua essência musical durante a pandemia?

Estou vibrando com o uso de elementos avançados da tecnologia aliados à boa música. Vamos dar vivas à tecnologia e à alma que tem sede de flutuar, aquela que não está presa ao tempo nem ao espaço. Descobri que a privação de certas produções previstas é incrementador da criatividade e impulsionador da busca de novos desafios, propiciando assim uma produtividade impensada. Com a suspensão das atividades externas, houve a suspensão de shows programados para Portugal, Espanha e Angola nesses dois anos, mas em compensação montei um estúdio em casa, onde passei a gravar meus álbuns e buscamos novas soluções de produção musical atentos ao cuidado de não haver perda de qualidade, o que nos levou a ir além do que conhecíamos, como foi o caso da utilização pioneira da tecnologia 32D. Este lançamento musical inusitado possibilitou então aos apreciadores da boa música desfrutarem de um som diferente do habitual, aproveitando de uma inovação tecnológica aplicada à música, que possibilita obter-se uma nova experiência sonora binaural.

O que foi absorvido por você da gravação de “Um Sonho” com Gilberto Gil?

Para o artista, não há dinheiro que pague o prazer de criar essa possibilidade de provocar alegria, felicidade e emoção nas pessoas. É um sonho em movimento. O próprio encontro no estúdio Ampera, em Salvador, foi um momento único e muito intenso. Para mim, foi um feito maravilhoso, pois, é realmente um sonho concretizado registrar em disco uma parceria fonográfica com Gilberto Gil, o mais eclético de todos os cantores brasileiros. Grande honra ter gravado com um dos maiores artistas da história do Brasil uma música tão emblemática: “Um Sonho”, de sua autoria. Ninguém deve perder a oportunidade de ouvir a música e ver nosso videoclipe dessa pérola musical que está nas plataformas digitais. Sou suspeito, mas todo mundo diz que ficou lindo, muita gente se emociona e chora ao escutar o fruto dessa nossa parceria.

Quando começa o desenvolvimento do álbum “Imersão 32D?”.

Pra mim, tudo que deve ser feito, deve ser bem feito. Ou seja, devemos buscar fazer as coisas sempre da melhor maneira que pudermos. Então, na música não é diferente. Eu passei a pesquisar o que poderia haver de tendência atual ou perspectiva futura nessa área. Morando no exterior e visitando sempre a Europa, eu me liguei num vídeo que “bombou” no WhatsApp: o grupo musical Pentatonix, lançou uma versão da famosa canção “Hallelujah” em 8D. O conceito é o mesmo, de uma técnica multidimensional que reproduz o som em um formato além do plano linear, fazendo com que o ouvinte tenha uma experiência de imersão na música.

Me apaixonei e falei, na Bahia, com engenheiro de som Israel Carneiro, que tem experiências de gravações com grupos no exterior, propondo que ele aprofundasse nessa pesquisa. E o resultado foi uma coisa mais avançada do que eu tinha ouvido. Depois do Pentatonix, a cantora americana Billie Eilish apostou na tecnologia de uma forma mais evoluída para produzir músicas em 24D. Mas Israel chegou a esse formato mais avançado e me apresentou o 32D, com o qual gravamos o primeiro álbum do Brasil, quiçá do mundo, com essa tecnologia nesse nível.

O que todas as músicas do álbum têm em comum?

As 13 músicas têm em comum exatamente um áudio que é uma forma de imitar a realidade, tornando possível que a pessoa “sinta a música”. Todas passaram necessariamente pelas técnicas de edição e efeitos do 32D, que causam a sensação de que os sons estão vindo de diferentes direções. As ondas auditivas são usadas para produzir esse efeito espacial. É feita a mixagem especial na gravação de origem. Na verdade, neste novo álbum, a voz e a harmonia estão em 32D (sendo uma parte da harmonia em 16D), enquanto a base com os graves está em 8D.

Algumas das canções são de sua autoria. Como as outras foram escolhidas?

Sim, escolhi algumas músicas minhas que julguei mais adequadas ao momento atual, que tem levado as pessoas a uma nova reflexão sobre a vida e sobre a necessidade de maior solidariedade e fraternidade entre os seres humanos. Entendo que a música é importantíssima nesse sentido, por ser uma linguagem universal, que todos podem ser tocados por ela. Por isso gravei músicas do cancioneiro angolano em Kimbundo. E humanismo é a palavra-chave. Por isso também escolhi uma música feita há meio século por Jorge Benjor, “Zumbi”, e dei uma roupagem totalmente nova, a partir da visão africana que adquiri nessas duas décadas morando em Luanda.

Depois dessa catástrofe sanitária inimaginável há dois anos, vimos que o mais condenável é o desprezo à dignidade humana. Por isso, no disco buscamos também a valorização da natureza e das coisas simples, como em “Notícias da beira-mar”, que fiz com Capinam. Ou seja, depois da pandemia, precisamos seguir com os nossos desafios históricos, agora mais acentuados: lutar pela vida digna da pessoa humana e pela “reumanização” dos que tiveram sua consciência mutilada pela exploração dos poderosos. É preciso quebrar a barreira da desigualdade. Nessa linha, gravei, por exemplo, “Amigo”, de Edu Casanova e Pierre Onassis. A questão hoje, mais que nunca, é saber trilhar o caminho do amor, da fraternidade, da paz, da generosidade e da solidariedade. E eu estou fazendo a minha pequena parte quando escolho a maior parte das músicas dentro desse conceito.

Qual a influência da cultura angolana no álbum?

Hoje tenho duas pátrias: o Brasil, onde nasci, e Angola, a que adotei por escolha. Saio de Angola, mas Angola não sai de mim. Vivo em Angola há 20 anos, convivendo proximamente com muitos artistas angolanos, como Yuri da Cunha, Filipe Mukenga, Paulo Flores, Dodô Miranda, Banda Maravilhas entre tantos outros talentosos músicos. Então é natural essa absorção da cultura angolana, com um destaque especial para meu saudoso querido amigo André Mingas, que deixou um maravilhoso legado musical e me influenciou profundamente, sobretudo pela proximidade pessoal durante anos. Para começar, a minha convivência com os angolanos durante essas duas décadas, especialmente no cenário musical, terminou me incentivando a dar início a uma carreira artística profissional. Foi em Luanda que eu me animei a subir em alguns palcos, ainda de forma amadorística. E agora, mesmo aos 63 anos, decidi trilhar por uma carreira artística, incentivado que fui por muitos amigos, sobretudo de Luanda. A minha ligação quase umbilical com a música angolana, fez com que tanto o meu disco de estreia quanto nos quatro shows que fiz em teatros no Brasil pouquinho antes da pandemia começar (com casa lotada sempre), tenha dedicado boa parte do repertório ao cancioneiro de matriz africana, principalmente de Angola. Inclusive tive a honra de contar com a participação fenomenal de um ícone da música africana, Filipe Mukenga, na gravação comigo de um medley de temas angolanos no meu CD “Surpreendente!”: Muxima/Humbi humbi”

Por que a experiência sensorial moldará “Imersão 32D” em sua total amplitude?

Ressaltando que, para se obter o efeito espacial, é imprescindível o uso de um fone de ouvido com isolamento de ruídos externos nos dois lados, destaco o seguinte sobre a experiência sensorial: sendo relacionada às duas orelhas, a audição binaural, com a filtragem de frequências, permite aos ouvintes determinarem a direção da origem dos sons. Por isso, a sensação, ao ouvir esse novo álbum, é de que a pessoa está num show, em frente ao palco, numa amplitude total. Ao ouvir os áudios do “Imersão 32D” é possível sentir também o eco e a distância dos sons como se você estivesse em uma apresentação ao vivo. Não posso dizer cientificamente quais efeitos o áudio 32D gera em nosso corpo, mas alguns ouvintes revelaram que, com a minha música, aproveitam para relaxar, outros afirmam que tem ajudado a adormecer. Um médico que esteve internado com Covid disse que minha música aliviou a sua dor e eu próprio constatei que ouvir meu álbum em 32D gera alívio físico. Portanto, já entendem que os batimentos binaurais podem afetar nosso cérebro de alguma forma positiva. Então, coloque os fones dos dois lados e ouça Rallie em qualquer plataforma digital para se dar bem.

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