Raphael Pintão: “O conceito de mobilidade vai mudar”

Raphael Pintão

A NeoSolar Energia, empresa pioneira em soluções de energia solar, expande sua atuação no mercado de infraestrutura para veículos elétricos com uma nova marca, a NeoCharge. O objetivo é dar maior independência a essa operação, atendendo às particularidades da mobilidade elétrica, além de facilitar a comunicação com os clientes que possuem perfil e necessidades diferentes dos da NeoSolar. Nos seus mais de dez anos de atuação, a NeoSolar se consolidou e conquistou credibilidade e respeito no mercado por meio da distribuição de equipamentos, projetos e instalações de sistemas fotovoltaicos. A empresa paulista carrega como propósito o desejo de fomentar o uso da energia solar fotovoltaica em todo o país e acredita que o conhecimento é a porta de entrada para que isso aconteça. É por isso que desde o início disponibiliza conteúdos relevantes sobre o mercado, abre discussões em seus canais, participa de eventos em universidades e criou seu próprio centro de treinamentos, que já capacitou mais de 2000 profissionais, em sua sede, em São Paulo. Por trabalhar com um negócio pioneiro, a empresa sempre acompanha e discute o futuro e, para eles, ficou claro que os veículos elétricos (VE) vieram para ficar e que essa mudança acontecerá logo. “Está no DNA do nosso negócio antecipar os movimentos para apreender e nos posicionar”, conta o sócio-diretor da NeoSolar e da NeoCharge, Raphael Pintão.

Raphael, atualmente o Brasil é o nono país no ranking das nações com maior capacidade de sistemas de energia solar. O país terá condições de galgar opções ainda mais altas nos próximos anos?

Certamente sim, nosso potencial energético é um dos melhores do mundo e só não estamos mais bem posicionados por falta de políticas públicas mais claras. Aliás, o Brasil já é exemplo mundial em energias renováveis e provavelmente será também um dos mais relevantes em energia solar.

O que é preciso fazer para o país se tornar uma liderança mundial?

É preciso tomar decisões políticas e adotar um planejamento de longo prazo. Infraestrutura é um setor que sempre dependerá de planejamento e políticas públicas. Todas as mudanças significativas que tivemos até hoje no setor energético foram “puxadas” por decisões claras, investimento e planejamento de longo prazo. Não será diferente dessa vez. Uma única diferença é a possibilidade da geração distribuída, pois, há a possibilidade de cada consumidor investir diretamente, o que muda bastante a dinâmica do mercado e a demanda por capital estatal. No entanto, sem regulamentação e políticas claras de incentivo, mesmo esse movimento ficaria lento demais para nos tornarmos líderes mundiais.

Atualmente o setor corresponde a 1,7% de toda matriz energética brasileira. Como enxerga esses números?

Essa porcentagem parece pouco, mas não é. Principalmente se pensar que grande parte dessa participação veio através de investimento privado. Hoje há países como a Alemanha que já chegam perto de 10% de sua matriz com fonte solar, portanto, nosso potencial de crescimento é muito grande quando consideramos as condições favoráveis no Brasil – onde a região de menor radiação solar supera em 50% as melhores regiões da Alemanha.

Como a NeoSolar Energia se encontra nesse mercado?

A NeoSolar é pioneira em energia solar no Brasil e já estamos no setor há 11 anos. É uma longa trajetória atuando em distribuição de equipamentos, projetos e cursos para engenheiros, técnicos e empreendedores. Trabalhamos especialmente com geração isolada e distribuída. Não lidamos com grandes usinas de geração centralizada, porém, acompanhamos esse mercado como um todo. Temos crescido muito rapidamente, colhendo os frutos do aprendizado e investimentos feitos ao longo de mais de uma década. As perspectivas são ainda melhores para o que está por vir.

Quais os principais pilares da empresa?

Hoje temos diferentes unidades de negócio dentro do grupo. A principal é na distribuição de equipamentos para instaladores e revendedores Off grid, ou geração isolada para acesso à energia, em que somos líderes de mercado. Ainda em geração Off grid, também temos um pilar de projetos especiais, focado grandes projetos de programas como o Luz Para Todos (LPT) e Mais Luz para a Amazônia (MLA), de universalização de energia no país. Há ainda a unidade Agro, focada em soluções específicas para esse setor pujante da economia, como, por exemplo, sistemas de bombeamento solar e soluções para eletrificação rural. Saindo da geração Off Grid, há a unidade de Geração Distribuída, também conhecida como On Grid, onde focamos nas soluções com microinversores para residências e comércio que desejam substituir a energia convencional pela geração própria.

E, finalmente, temos uma unidade de mobilidade elétrica, com nome de NeoCharge, 100% dedicada à infraestrutura de recarga para veículos elétricos, onde já somos líderes de mercado em fornecimento e instalação de carregadores. Um outro pilar estratégico, que suporta todos os demais, são os cursos e treinamentos que nos ajudam a qualificar nossos clientes integradores, rede de serviços e revendedores para o mercado, além de difundir o uso da tecnologia.

Por onde passa a mudança de hábitos da sociedade quando o assunto é energia renovável?

Diferentes pesquisas apontam o Brasil como uma das populações mais sensíveis a temas relacionados a sustentabilidade e greentechs. Porém, entre o desejo e a prática, há sempre uma distância a percorrer. Falando do nosso setor, com energia solar e carros elétricos, há ainda muita mística a respeito dos preços, por exemplo. A maioria das pessoas vê a energia solar como algo caro, enquanto hoje você pode financiar seu projeto e pagar as parcelas com a própria economia de energia.

Com os veículos elétricos não é muito diferente. As pessoas sabem que o carro é caro, mas poucas sabem que o custo para rodar com o carro é cerca de 4x mais barato do que com gasolina e que a manutenção custa apenas 20 ou 30% do que você gasta com um carro convencional. Acredito que cada vez mais essas tecnologias serão desmistificadas, enquanto o preço continuará caindo e tornando-as mais acessíveis. É algo natural de qualquer transição.

Como a NeoSolar participa dessa mudança em sua visão?

Nosso lema é “Chegar na frente é o que nos move” e isso diz muito sobre nossa visão. A transição energética já está acontecendo e nossa estratégia sempre foi antecipar esse movimento de mercado e viabilizar as novas tecnologias. Não é fácil, quem é pioneiro sempre paga um preço para aprender, porém, também cria vantagens e ativos para colher os frutos em seguida.

A lei 5.820/2019 implementará uma nova dinâmica para o setor?

Mais do que uma nova dinâmica, a 5829 vai trazer segurança jurídica para o setor. A falta de regulamentação ou a regulamentação frágil é hoje o calcanhar de Aquiles do setor porque ninguém gosta de investir sem ter certeza das regras do jogo. De forma resumida, a 5829 prevê a formalização das regras e uma transição gradual conforme o aumento da participação da GD na matriz energética, viabilizando os investimentos reduzindo riscos legais no setor.

Quando surge a NeoCharge dentro desse contexto?

O movimento que percebemos no setor energético não se resume à energia solar ou às energias renováveis. Há uma série de novas tecnologias ou tendências que vêm sendo enxergadas como um todo no movimento que chamamos de Transição Energética. Uma dessas tendências é a eletrificação, que fica muito evidente no caso da mobilidade com os veículos elétricos. Basicamente já se pode dizer que os carros a combustão estão com os dias contados e você pode imaginar o tamanho do desafio.

A NeoCharge surge nesse contexto, com o propósito de resolver um dos principais desafios à mobilidade elétrica que é a infraestrutura de recarga para os carros. Se todos vamos trocar o carro por um elétrico, onde é que vamos carregar nossas baterias? Será preciso instalar toda uma rede de pontos de recarga e é essa a solução que a NeoCharge oferece. Hoje a NeoCharge já é a principal fornecedora e instaladora de carregadores e temos planos muito ambiciosos para expandir os pontos por todo o país.

Qual a importância do DNA da NeoSolar para a entrada nesse novo mercado?

Nosso lema é “Chegar na frente é o que nos move” e isso diz muito sobre nosso DNA de antecipar os movimentos e viabilizar de forma pragmática o uso de novas tecnologias. Todos sabem dos desafios que estão por vir, mas a NeoCharge consegue tirar os projetos do papel e viabilizar de alguma forma esse mercado. É um pouco do que trouxemos do setor de energia solar, onde também começamos quando nem sequer havia regulamentação.

Isso poderá mudar o conceito de mobilidade urbana?

Vai mudar e muito. Aliás, não só pelo fato de eletrificarmos os veículos, mas também haverá novos costumes de uso, como, por exemplo, o compartilhamento de veículos e os veículos autônomos que já estão em uso em muitos países. É muito provável que em um futuro próximo às pessoas não possuam ou nem sequer dirijam mais os veículos, que se tornarão mais um serviço de mobilidade do que um produto de uso próprio. Se quiser ir mais adiante, já existem projetos-piloto com carros “voadores” e é bastante provável que essa tecnologia viabilize deslocamentos mais rápidos e baratos. Ou seja, o conceito de mobilidade vai mudar e muito nos próximos anos!

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