Renata Spallicci: “Estou comprometida com essa causa”

A empresária

A VP da Apsen Farmacêutica, Renata Spallicci, vem se destacando por sua forte atuação no sentido de aumentar o espaço voltado ao gênero feminino no mercado de trabalho. Ela faz isso através de seu exemplo como líder em uma importante empresa farmacêutica e, também, através de ferramentas que buscam educar e inspirar mulheres a ganharem força e espaço nas diversas áreas de suas vidas. Há cinco anos, desenvolve o blog renataspallicci.com.br, onde publica artigos que abordam as dificuldades enfrentadas pelas mulheres no universo do trabalho, oferecendo soluções e exemplos em busca do empoderamento feminino. São parte de sua atuação para empoderar e inspirar mulheres o livro “Do Sonho à Realização – Um manual para encontrar seu propósito de vida e realizar seus sonhos” e a palestra homônima, apresentada por Renata em vários fóruns, onde trata de assuntos inerentes à carreira executiva, abordando as dificuldades e preconceitos enfrentados por ela, assim como as barreiras e paradigmas que precisou quebrar em sua trajetória de sucesso profissional. Um dos grandes exemplos do trabalho de Renata como agente transformadora de vidas femininas se deu através do Projeto Travessia, que consistiu em ajudar jovens em situação de vulnerabilidade social a fazer a transição da escola para o mercado de trabalho. “Elas contavam com quase nenhuma referência em relação à orientação de carreira”, explica a empresária.

Renata, quais são as maiores responsabilidades que você tem no cargo de VP da Apsen?

Atualmente, como Vice-Presidente Executiva da Apsen, estou responsável por seis departamentos, sendo eles: Eventos, GRI – Governança, Riscos e Integridade, Marketing Institucional, Planejamento Financeiro, Projetos & Processos Corporativos e SMS & Serviços Corporativos. O desafio de cada uma dessas áreas é o meu desafio também. De uma maneira bem macro, hoje algumas das minhas principais responsabilidades são: Sustentabilidade da Apsen por meio da visão de futuro – onde desde 2015 tenho centralizado esforços para o crescimento da Apsen através do nosso Planejamento Estratégico. Também atuei na implementação e agora no acompanhamento das áreas que estão estruturando toda a parte de projetos, processos, governança, riscos e integridade. E não podemos olhar para futuro sem olhar para inovação e digital, então toda a nossa comunicação institucional, eventos e ações de relacionamento com nossos stakeholders têm sido revisitada e acelerada para a transição ao mundo BANI. Mas, além de olhar para o futuro, também me mantenho atenta ao presente. Posso afirmar que sou uma guardiã do nosso jeito Apsen de ser, colocando a nossa gente, mais conhecida como “Nação Azul”, no centro do negócio.

Como a Apsen se encontra em seu mercado de atuação?

Nos últimos anos a Apsen tem se destacado com crescimento robusto versus o seu mercado de atuação. Nos últimos quatro anos, enquanto o mercado de atuação da Apsen apresentou um CAGR próximo de 11%, a Apsen cresceu a uma taxa de 18% (Close Up, R$). E esse crescimento vem sendo bastante fortalecido pelo perfil acelerado de lançamentos da empresa – que tem hoje 44% da sua receita com produtos lançados de 2015 pra cá. E, em 2020, não foi diferente. Com boa parte da empresa operando de forma remota, fizemos o lançamento de aproximadamente 30 SKUs, entre extensão de linha e lançamento de novas marcas no mercado, fora os 6 grandes lançamentos que já haviam ocorrido em 2019. E esses lançamentos mais recentes da companhia foram responsáveis por mais de 8% dos 18% que crescemos no ano passado (Close Up, R$). Além de todo o perfil inovador da Apsen, temos desenvolvido um importante trabalho com nossas marcas já conhecidas pelo mercado como Donaren, Flancox e Miosan que também apresentaram boa performance no ano passado. E, com todo esse cenário, atingimos cada vez mais o reconhecimento do público médico com números de share de prescrição médica cada vez maiores (Close UP, Market).

Como a farmacêutica está passando pela crise causada pela pandemia?

Na Apsen, tivemos que encarar desafios gigantes para manter nossas operações em funcionamento a fim de garantir o tratamento de milhares de pessoas, tendo que contornar os desafios, desde o fornecimento de matéria-prima, até a implantação de protocolos específicos para garantir a saúde dos nossos colaboradores. Desde os primeiros indícios da pandemia, estruturamos um comitê de crise com a presença da alta direção da empresa, a fim de termos mais agilidade e para que todas as questões pudessem ser analisadas por um olhar multidisciplinar e as tomadas de decisão fossem realizadas de forma colegiada. Contratamos um conceituado médico infectologista que atuou como consultor técnico e nos auxiliou na elaboração de protocolos de testagem, orientações técnicas quanto às medidas de enfrentamento à pandemia e elaboração de relatórios técnicos orientativos, o que possibilitou darmos embasamento científico a todas as nossas ações. Com a participação desse infectologista e de outros dois médicos do nosso corpo clínico, criamos um comitê médico que realizou o monitoramento dos casos de nossos colaboradores em todo o Brasil e conduziu, periodicamente, reuniões de harmonização de nossos protocolos de testagem e enfrentamento à pandemia com os protocolos das empresas terceirizadas que prestam serviço em nossas dependências.

Aliado a tudo isso, realizamos todos os protocolos que vimos em boa parte das empresas: teletrabalho para as áreas administrativas e rígidos processos de segurança para os colaboradores das áreas produtivas e técnicas que continuaram trabalhando presencialmente.

Muitas ações e tecnologias que adotamos hoje em nosso dia a dia são fruto de esforços para soluções de problemas. E tenho a certeza de que, com a questão da pandemia, também avançamos algumas casas em certos hábitos e tecnologias que vieram para ficar.

Hoje, a presença comercial nas plataformas digitais já é uma realidade e quase uma situação sine qua non para boa parte das companhias. Mas o mundo digital vai muito além da venda pela internet. Na Apsen, por exemplo, a transformação digital é algo que viemos acompanhando e trabalhando há um bom tempo, e este momento nos forçou a realizar em meses mudanças que talvez levassem anos.

Enfim, o ano de 2020 nunca será esquecido muito pelas dificuldades, mas acredito que ainda mais pelos aprendizados e legados que nos deixará para o futuro, e o preparo para lidarmos com essa nova onda da Covid-19 em 2021.

Dessa forma, acredito que a Apsen está passando por essa pandemia com um olhar bem responsável para com os colaboradores, parceiros e pacientes, buscando sempre inovar e cuidar da nossa gente.

Quais os pilares da empresa?

Nossos 3 principais pilares são: Cuidado com as pessoas, cuidado com a comunidade e a sustentabilidade do nosso negócio.

Demonstramos esses três pilares por meio de diversas ações com nossos colaboradores, com a sociedade, profissionais da saúde e pacientes. Investimos em inovação, pesquisa e desenvolvimento de novos produtos para as necessidades médicas não atendidas, cuidamos dos nossos colaboradores e de seus familiares com o zelo que só a Apsen tem. Auxiliamos na educação continuada da classe médica e profissionais de saúde;

E também temos o nosso jeito de dizer muito obrigada por meio de iniciativas sociais e de sustentabilidade com projetos como:

Miligramas contra a fome: Auxílio social por meio da arrecadação de doações de alimentos, para diminuir o impacto da fome no Brasil. Por isso, a cada 750 mg de levofloxacino vendido somente sob prescrição médica são doados 750gr de alimento para quem precisa através da Associação Civil Banco de Alimentos.

Casa Santa Terezinha: Uma instituição com o objetivo de combater o preconceito e promover ações que visam melhorar a qualidade de vida de crianças e adolescentes com genodermatose (doenças congênitas da pele de origem hereditária), a qual a Apsen está comprometida em prestar auxílio.

Gerenciamento dos resíduos gerados, em que nos responsabilizamos pela manutenção do licenciamento ambiental e da conformidade com a legislação ambiental aplicável.

Por fim, todo ano são realizadas campanhas e ações que reforçam a nossa essência de cuidado com as pessoas.

Qual o papel do propósito em sua vida como empresária?

Meu propósito de vida como empresária é cuidar de pessoas. Meu zelo começa com nossos colaboradores, nossa gente da Nação Azul que são os grandes responsáveis pela existência da Apsen. Eles quem tornam realidade os produtos que desenvolvemos, produzimos e colocamos no mercado. Cuidam de toda a operação da empresa. Meu pai e eu cuidamos deles com todo amor e respeito. Conectando os sonhos individuais ao grande sonho da Apsen. Como consequência entregamos para a classe médica e os profissionais de saúde alternativas de tratamento cada vez mais aderentes as necessidades médicas buscando minimizar efeitos colaterais aos pacientes.

Para com os pacientes temos a missão de entregar mais saúde e qualidade de vida através de nossas medicações.

Revertemos para a sociedade nossos louros e crescimento em forma de projetos sociais que nos são muito caros no programa Apsen por um mundo melhor.

Pessoalmente tenho a missão de batalhar pelas causas femininas e servir de exemplo para que cada dia mais mulheres sejam representadas especialmente no C-Level e nos conselhos, onde ainda temos muito espaço para conquistar.

As mentorias para a preparação de mulheres que saem da escola seria um dos pontos desse propósito?

Com certeza. Me encontrei dando mentorias, é algo que amo fazer. Fiz um projeto muito especial chamado A Travessia, de menina a mulher, com uma grande amiga minha Leila Santos. Um projeto que tenho muito orgulho por termos contribuído efetivamente no futuro de jovens mulheres em situação de vulnerabilidade social. Hoje, inclusive, algumas delas trabalham na Apsen. Sonho em estruturar esse projeto no futuro para atingir mais jovens. Além disso, sou mentora do Winning Women, uma inciativa da Ernst Young para mulheres empreendedoras com várias atividades para reconhecer, celebrar, apoiar e inspirar empresárias que lideram a expansão e a transformação de suas organizações. Sou apaixonada por esse programa e feliz em conhecer mulheres incríveis e poder contribuir para o crescimento delas como profissionais e de seus negócios.

Qual a importância dessas mentorias para o preparo profissional e intelectual dessas jovens?

A mentoria para jovens em vulnerabilidade social tem um papel importantíssimo para ajudar a identificar talentos e direcionar suas carreiras. Essas jovens têm pouquíssima referência de profissionais que conhecem pessoalmente e admiram. Isso faz com que a visão de possibilidade de carreira seja diminuta bem como os caminhos para se chegar ao sucesso, tendo em vista todas as dificuldades, especialmente financeiras, que enfrentam. Um reforço para temas não atendidos na escola se faz necessário para prepará-las para o mercado de trabalho. E boa parte do trabalho consiste em aumentar a autoestima e a crença de que é possível construir um futuro diferente.

Creio muito que ajudando os jovens estamos construindo um futuro melhor. Hoje no Brasil temos 16 milhões de pessoas vivendo em favelas, boa parte desses em situação precária. Temos 13,4 milhões de desempregados. Como uma mulher privilegiada que sou, pela posição que ocupo, preciso ajudar essas jovens a encontrar um caminho promissor de futuro.

Quais são os frutos dessas orientações e que você se orgulha como mulher e profissional?

Meu maior orgulho é ver as meninas que mentorei crescendo pessoalmente e profissionalmente, encontrando seus caminhos e vislumbrar o futuro brilhante que elas podem ter. É apenas o começo do trabalho de construção de uma carreira, mas quando quebramos a barreira da entrada e tornamos essas meninas fortes emocionalmente o suficiente para batalharem pelos seus sonhos, o futuro se torna muito promissor.

Vocè é considerada uma profissional multifacetada. Como Isso lhe ajuda na condução dessas orientações?

O fato de eu fazer muitas coisas e ter um histórico de vida, tanto do meu lado pessoal quanto profissional, me ajuda muito a me conectar com as mulheres. Sempre há um ponto de conexão entre nós, algo na minha história que eu posso contribuir ou inspirar. Quebrar preconceitos e barreiras sempre foi um combustível para que eu possa tocar o coração das mulheres. Faço isso nas minhas mentorias, conto muitas histórias e trago ferramentas no meu livro “Do Sonho à Realização” (já estou escrevendo o segundo que sai em agosto, pela Editora Gente), nas minhas palestras, no meu blog com mais de 1.000 artigos publicados e nas minhas mídias sociais para ajudar as mulheres a conquistarem seu espaço e realizarem seus sonhos.

Como analisa a mulher no mercado de trabalho e nos postos de liderança de modo geral?

Conquistamos muito, e sou muitíssimo grata e honro as mulheres das gerações anteriores que batalharam tanto para que eu esteja na posição que estou hoje.

Há pouquíssimo tempo não podíamos estudar, votar, dirigir ou trabalhar em posições que não fossem operacionais. Hoje celebro a mudança de mentalidade, a preocupação que se instalou sobre Diversidade & Inclusão e a percepção cada dia mais reforçada de que a equidade de gêneros é tão importante e estratégica para os negócios. Um estudo da consultoria McKinsey de 2019 revelou que as empresas que promovem equidade de gênero em cargos de liderança tendem a ter resultado financeiro 25% maior do que as demais companhias. Mas ainda há muito espaço a se conquistar quando falamos de C-Level e mulheres em Conselho. Um estudo exclusivo feito pelo IBGC a pedido do Valor Investe mostrou que das 295 empresas avaliadas pelo instituto quase um quarto (22,4%) das companhias avaliadas não tem nenhuma profissional do sexo feminino no C-Level (os cargos de diretoria) ou conselhos. E quando pensamos em interseccionalidade, olhando para as mulheres negras o desafio é ainda maior. Em média, um em cada cinco executivos é mulher, mas apenas um em cada 25 executivos é mulher negra. Por isso a batalha continua e espero que eu possa contribuir, no que me cabe, para mudar esse cenário o mais rápido possível.

Diversidade e inclusão serão as palavras de ordem para que mais mulheres consigam chegar ao lugar de destaque no qual você se encontra?

Tenho estudado muito sobre Diversidade & Inclusão, pois, falar sobre equidade de gênero e inclusão de mulheres para mim, é fácil. É meu lugar de fala e por ter sempre me interessado sobre o tema navego bem. Já no tema Diversidade em toda a sua amplitude precisei mergulhar de cabeça para aprender. E assim tenho feito e me dedicado em mentorias e grupos de discussão. Boa parte dos livros, documentários, vídeos e podcasts que tenho acompanhado são sobre o tema. Mas, acima de tudo, tenho aprendido com pessoas generosas que têm compartilhado seu conhecimento comigo. Diga-se de passagem me conectei com pessoas incríveis nessa jornada que acalentaram meu coração e me fizeram enxergar quanta coisa linda tem sido feita sobre o tema. É um assunto relativamente novo para o público geral, mas tem muita gente se dedicando profundamente a ele em grupos específicos há muito tempo.

As mídias sociais trouxeram visibilidade para essas pessoas e isso é muito positivo.

O caminho para se chegar à Diversidade & Inclusão, na minha opinião, passa necessariamente pelo conhecimento sobre o assunto. Saber o quanto somos responsáveis por reparar a discrepância de oportunidades e de estudo de boa parte da nossa população, bem como entender que Diversidade, não é apenas uma questão social, mas acima de tudo estratégico. Ouso dizer que as empresas que não tiverem esse olhar e realizarem suas jornadas com afinco estão fadadas ao fracasso. Estou comprometida com essa causa.

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