Rodrigo Fiszman: “Nosso foco são empresas maduras”

 Rodrigo Fiszman

O Grupo Solum é uma holding que reúne três verticais de negócios com um mesmo propósito: conectar pequenas e médias empresas (PMEs) e investidores, contribuindo para o desenvolvimento da indústria de Private Equity e Venture Capital no Brasil. A primeira vertical é a gestora Solum Capital, que ano passado anunciou o lançamento de um Fundo de Investimento em Participações (FIP) focado em PMEs. A segunda iniciada em 2020, é a Solum.ed, braço de educação do grupo, que ensina sobre como investir em ativos alternativos, em especial participações de empresas privadas. Por último, a beegin é uma plataforma de soluções e serviços, que chega para democratizar o acesso a investimentos de participações de PMEs com muito potencial de crescimento. O Grupo foi fundado pelos sócios Rodrigo Fiszman e Patricia Stille (ex-sócios da XP), Pedro Janot (ex-CEO e cofundador da Azul Linhas Aéreas) e Alexandre Amitay (ex-consultor da Bain&Co). “Setores mais novos, como tecnologia, estão ganhando relevância mais recentemente na onda de IPOs de 2020 e 2021. Além disso, o mercado brasileiro, apesar da criação do Bovespa Mais em 2008, não conta com um mercado de acesso bem desenvolvido para empresas emergentes, como acontece nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Coreia, para citar os melhores exemplos”, afirma Rodrigo Fiszman, fundador e CEO do Grupo Solum.

Rodrigo, por que existe baixa diversidade de indústrias e setores econômicos nas empresas listadas na Bolsa de Valores?

O mercado de ações tal como está estruturado atualmente atraiu até então empresas brasileiras de maior porte e mais tradicionais, especialmente as dos setores de commodities. Setores mais novos, como tecnologia, estão ganhando relevância mais recentemente na onda de IPOs de 2020 e 2021. Além disso, o mercado brasileiro, apesar da criação do Bovespa Mais em 2008, não conta com um mercado de acesso bem desenvolvido para empresas emergentes, como acontece nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Coreia, para citar os melhores exemplos.

Existe uma maior diversidade em outros grandes centros financeiros do planeta?

Países com o mercado de capitais mais desenvolvido têm uma maior diversificação de setores representados na bolsa de valores. Isto acontece por vários motivos: as empresas têm o mercado de capitais como sua principal fonte de financiamento para o crescimento, os investidores estão mais acostumados a investir em diferentes setores, e o ambiente institucional conta com mais instrumentos financeiros para viabilizar essa conexão. No Brasil estamos evoluindo neste sentido em todos os aspectos, embora estejamos alguns passos atrás.

Por que alguns setores perderam escala?

Nas últimas décadas o Brasil foi beneficiado por um ciclo de expansão das commodities, o que ampliou o tamanho e a relevância tanto das cadeias do agronegócio quanto da indústria mineral e de Oil&Gas. Por outro lado, alguns setores da indústria sofreram com sua desconexão das cadeias globais de valor, o que os afastou da transformação tecnológica que elas enfrentaram internacionalmente. Mais recentemente, os setores brasileiros que melhor aproveitaram a transformação digital, como o financeiro e o varejo, ganharam relevância no cenário econômico brasileiro.

Quais foram os setores que mais perderam escala nos últimos anos por conta de fatores estruturais?

O principal caso de perda de representatividade na economia foi a indústria de transformação. De acordo com a Pesquisa Industrial Mensal, do IBGE, a atividade industrial teve seu pico em outubro de 2013, e desde então caiu 21,7%. Só para compararmos, no mesmo período em que a indústria decresceu, o comércio varejista se manteve no mesmo patamar de atividade, e o setor de serviços cresceu 13,7%, também de acordo com a pesquisa mensal do IBGE. E isto se deu mesmo com duas crises econômicas seguidas.

Como surge o Grupo Solum nessa conjuntura?

O Grupo Solum surge com o objetivo de atuar em um mercado ainda pouco explorado no Brasil. Temos em nosso país um grande gap: de um lado, o ecossistema vibrante de startups mais early stage – sendo investidas por famosos fundos de venture capital, grupos de investidores anjo, plataformas de crowdfunding, aceleradoras, etc – e do outro, empresas mais maduras que são alvo de fundos de private equity, mirando consolidações de mercado e movimentos pré-IPO.

Entendemos que entre esses dois grupos existe um mundo de oportunidades: negócios da economia tradicional que já faturam milhões, e reúnem os diferenciais fundamentais para ir muito além se tiverem acesso à capital e apoio estratégico.

O que norteia a atuação do Grupo?

Somos um grupo cujo foco é desenvolver o mercado de investimentos alternativos, ou seja, aqueles que não estão listados em bolsa de valores. Isto nos permite prospectar oportunidades em setores que não estão representados na bolsa, e investir em empresas que precisam de uma injeção de capital, governança e gestão para acelerar o seu crescimento atingindo a maturidade necessária para um eventual IPO.

Como o Grupo Solum identifica os setores que oferecem oportunidades de investimento?

Analisamos de forma contínua os setores que estão alinhados à nossa tese de investimentos, ou seja, compostos por pequenas e médias empresas com alto potencial de crescimento e inseridas em mercados com características nas quais acreditamos existirem maiores oportunidades de crescimento:

Mercados pulverizados, ou seja, aqueles em que os players líderes possuem até 30% de Market Share, com oportunidades de consolidação de empresas menores e o surgimento de um novo líder a partir delas; Mercados defasados, isto é, considerados atrasados quando comparados aos de países mais desenvolvidos. Nestes casos, dependendo do nível de defasagem podemos encontrar ótimas oportunidades em empresas que estejam atentas às tendências globais; Mercados em transformação, nos quais as empresas podem se beneficiar tanto de inovações tecnológicas como de mudanças de comportamento do consumidor.

Qual o papel do fundador da empresa para que a Solum possa fazer o investimento na mesma?

Um dos aspectos que analisamos ao considerar o investimento em uma empresa é o histórico dos fundadores. Em especial, avaliamos sua capacidade de executar a estratégia proposta. Para isso, buscamos saber o que estes empreendedores já realizaram no passado, se já fundaram empresas antes, qual foi o resultado delas e outros indícios que comprovem sua qualificação.

Esse seria o principal fator que separa quem receberá e quem não receberá o investimento?

É um dos fatores que consideramos. Como nosso foco são empresas maduras e validadas, analisamos a fundo os dados de performance do negócio em si, tanto seus indicadores econômicos quanto os operacionais. Além disso, aspectos de ética e compliance dos fundadores e da gestão da empresa são fundamentais para escolhermos ou não uma empresa para investir.

Em quais mercados a Solum já investiu?

Entre os setores nos quais já investimos, estão os de fertilizantes especiais, saúde, educação, serviços corporativos, seguros e construção civil.

Quais os próximos passos do Grupo?

Estamos focados no desenvolvimento das nossas empresas – a gestora Solum Capital, a plataforma de investimentos alternativos beegin e a plataforma de educação financeira Solum.ed. Isto envolve, principalmente, ampliar o volume de ativos sob gestão nos veículos de investimento criados na gestora e as ofertas na plataforma. Também estamos atentos as oportunidades voltadas ao desenvolvimento de infraestrutura de mercado de capitais que beneficiem investimentos alternativos no Brasil.

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