Rodrigo Lagreca: “O momento atual é mais desafiador”

 Rodrigo Lagreca

A Energia das Coisas é uma startup fundada em 2021, e apresenta uma solução integrada de hardware e software, com features criadas para dar ao usuário uma experiência amigável e efetiva na gestão do seu consumo de energia. Seu uso é endereçado inclusive a usuários não técnicos, empoderando-os a tomar decisões que tragam ganho de eficiência nos ambientes, equipamentos ou subsistemas em que esteja instalado. A Energia das Coisas é uma spinoff da HomeCarbon Energy Solutions, e pode integrar sua API a outros hardwares e softwares. “A solução tem como principais benefícios trazer empoderamento sobre como gerenciar seus gastos e tomar melhores decisões de negócio, a partir do impacto do consumo de energia em seus processos decorrentes das informações em tempo real do status do consumo de energia do cliente. Adicionalmente, soluções mais completas podem automatizar processos de eficiência de consumo, com mecanismos de acionamento remoto de energia – chamados de “liga/desliga”, e podem ser contratadas mediante a necessidade de cada usuário”, afirma Rodrigo Lagreca, CEO e fundador da Energia das Coisas e membro da ABINC. Ele ainda diz: “Entendemos que a nossa solução tem uma proposta mais disruptiva do que revolucionária, uma vez que a tecnologia já existe. Nossa disrupção está em propor um acesso amplo às tecnologias de monitoramento e gestão de energia”.

Rodrigo, estamos perto de enfrentar de fato uma escassez de energia?

Entendo que sim, na medida em que as fontes de geração de energia disponíveis estão se estrangulando, ou por questões climáticas (falta de chuva) ou por insuficiência (capacidade limitada da geração térmica), combinado ao fato que a geração eólica e solar também estão ainda se desenvolvendo.

Quais fatores estão mostrando esses dados com clareza?

Em parte a limitação da oferta, em contraponto ao aumento da demanda, com o reaquecimento previsto de setores intensivos com consumo de energia, como o industrial.

Tivemos uma crise energética em 2001. Por que não houve mais cuidados com essa área de lá para cá?

Foram eventos distintos, em 2001 o problema foi centrado na limitação da capacidade de transmissão, e hoje o problema é o esgotamento da capacidade de geração. De uma forma ou outra, a questão da energia demanda plano e ação orientados ao longo prazo, o que no Brasil acaba esbarrando em dificuldades sistêmicas.

O que pode ser feito para termos um maior controle sobre os gastos de energia?

O momento atual é mais desafiador do que a última grande seca, em 2012. Naquela época a atenção da mídia estava focada na seca – e os seus impactos na oferta de energia. Hoje há uma concorrência “desfavorável” com outros assuntos, como a questão sanitária, com uma pandemia sem precedentes matando centenas de milhares de pessoas, e também com crises políticas e institucionais, igualmente impactantes na sociedade e na economia.

Neste cenário, a adoção de tecnologias de monitoramento e gestão de consumo de energia que esclareçam usuários e potencializem a redução dos desperdícios ganham protagonismo dentre as opções possíveis. Caso não caiba no bolso, estar atento aos desperdícios também pode ser um ponto de partida.

Como a tecnologia pode ser a grande aliada para que as “coisas fiquem no eixo?”.

As tecnologias já são baratas e amigáveis o suficiente para não apenas informar e “cutucar” o usuário sobre desperdícios e situações indesejadas de consumo – como consumo maior que o esperado ou planejado por longos períodos de tempo – mas já pode também cumprir papel ativo na gestão de consumo, ligando e desligando equipamentos e disjuntores de forma autônoma e atrelada a regras pré-estabelecidas. Essa suíte de serviços já permite aos usuários terem um controle muito maior sobre seus processos de consumo de energia do que seria com a falta dela, logo os caminhos estão sendo trilhados.

A Energia das Coisas surge com esse foco?

A Energia das Coisas traz na sua proposta a universalização do acesso a tecnologias antes vistas como excessivamente caras ou disponíveis apenas a empresas de grande porte. A tecnologia lean dos monitores (hardwares) e a amigabilidade das plataformas móveis e dashboards pretende ser disruptiva como proposta de valor neste mercado.

Como funciona a solução?

A solução compreende sensores de consumo de energia, que são os nossos hardwares, instalados em ambientes ou equipamentos e subsistemas específicos, medindo um conjunto de parâmetros elétricos. Esses parâmetros – os dados – são enviados para ambientes na nuvem, onde são tratados e disponibilizados aos usuários em aplicações móveis ou dashboards.

O negócio está evoluindo para recebermos na nossa nuvem dados de uma miríade de outros hardwares, como sensores de temperatura, presença, umidade e até de outros medidores de energia. Todos os dados são tratados com uso de Inteligência Artificial e a combinação de múltiplos parâmetros gera ainda mais valor aos usuários.

Quais os principais benefícios que a Energia das Coisas traz aos seus usuários?

A solução tem como principais benefícios trazer empoderamento sobre como gerenciar seus gastos e tomar melhores decisões de negócio, a partir do impacto do consumo de energia em seus processos decorrentes das informações em tempo real do status do consumo de energia do cliente. Adicionalmente, soluções mais completas podem automatizar processos de eficiência de consumo, com mecanismos de acionamento remoto de energia – chamados de “liga/desliga”, e podem ser contratadas mediante a necessidade de cada usuário.

Por que você acredita que a Energia das Coisas é uma solução revolucionária?

Entendemos que a nossa solução tem uma proposta mais disruptiva do que revolucionária, uma vez que a tecnologia já existe. Nossa disrupção está em propor um acesso amplo às tecnologias de monitoramento e gestão de energia, sem que isso tenha um custo elevado aos clientes.

Como tem sido o feedback por parte dos consumidores?

As respostas por parte do mercado têm sido excelentes, sobretudo nas empresas de grande porte, que se mostram mais maduras para adotar propostas de valor como a do Energia das Coisas.

O ecossistema das Smart Grids tende a crescer nos próximos anos?

Isso é uma certeza, assim como o ecossistema da micro geração distribuída, que além da tecnologia é empurrada pela escassez energética, da qual falamos anteriormente.

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