Roney Giah, CEO da Doiddo Filmes: “O norte do segmento é sobreviver”

Doiddo Filmes

Com uma carreira de 25 anos pontuada pela convergência entre música, produção de áudio e criação de conteúdo, direção de filmes e propaganda, Roney Giah desenvolveu uma rica variedade de projetos para provedores de conteúdo, agências de publicidade e marcas. Formado em Música pelo Musicians Institute of Technology (MIT), em Los Angeles (1993), e em Engenharia de Som pelo IAV, em São Paulo (2003), atuou como produtor de áudio e desenvolveu trilhas para marcas como Colgate, HSBC, Bank of America, Pringles e Mattel – contas atendidas por agências líderes do mercado no Brasil e exterior. Como RTV, Roney Giah trabalhou por três anos na Giacometti Comunicação (2011-2014); na sequência, fundou a própria produtora – Doiddo Filmes – na qual expandiu seu know-how na direção de filmes, séries de TV e comerciais. Seu trabalho na Doiddo Filmes foi reconhecido com quatro Leões de Cannes, sendo dois de ouro e dois de prata; conquistou, ainda, três Clio Awards. Na Doiddo Filmes, Roney Giah dirigiu filmes e projetos para agências como WMcCann, Young & Rubicam, Havas WW, MullenLowe do Brasil, Giacometti Comunicação, para marcas como NET, Nestlé, ASICS, TNT Energy Drink, Merck Sharp & Dohme, TELECINE, entre outras. Como músico, artista e produtor de conteúdo, Roney Giah lançou 10 CDs e foi reconhecido pela Billboard Awards e pelo John Lennon Festival Award, assim como pelo Prêmio VISA.

Roney, como avalia o mercado audiovisual na pandemia?

O mercado busca saídas e está atrás de inovação. Seja em tecnologia para trazer segurança para equipe, seja em criatividade de roteiros que possam contar grandes histórias de forma simples (para que tenha uma logística simples) e emocional. Grandes mudanças são esperadas no setor audiovisual e é possível que novos players surjam dessa demanda.

Quais são as grandes oportunidades desse setor atualmente?

Produção de EaD, animação 2D e 3D, produções em fundo verde (que permite acabamento em pós-produção e evita aglomerações), roteiros originais e simplificados e equipes de produção mais produtivas e atentas aos processos de segurança.

Que diferenciais foram incorporados na indústria audiovisual na pandemia e que farão a diferença no pós-Covid?

Novas tecnologias, protocolos de segurança mais firmes, reuniões de produção não-presenciais e equipes menores, porém mais produtivas. Mas uma vez que os protocolos se tornem desnecessários após a vacina, é difícil saber o que de fato levaremos para o futuro. Acredito, porém, que no pós-Covid tenhamos mais profissionais audiovisuais de animação e pós-produção capacitados. A demanda no setor cresceu bastante e devemos ter um aumento destes profissionais técnicos.

Acredita que o trabalho remoto será à tona ou tem outra visão sobre isso?

Acredito que vamos assumir as reuniões de produção não-essenciais no formato online, gerando um protocolo mais alinhado com o Meio Ambiente. Fora isso, devido ao aumento do ensino e capacitação a distância (ampliada ainda mais pelo Covid-19), é capaz que profissionais técnicos de várias etnias, geografias e gêneros possam entrar no mercado da animação e do efeito especial, trazendo uma pluralidade bem-vinda ao setor.

Em quais pilares esse novo profissional deverá estar alicerçado?

Para ser remoto, o profissional tem que gerar confiança. Muita confiança. Tem que criar uma aura de disponibilidade, ser claro nas comunicações e principalmente saber trabalhar em equipe, ouvindo e se antecipando aos possíveis problemas.

Falando da propaganda em especial, ela terá que se reinventar para sobreviver nos moldes que a conhecemos?

Estava se reinventando e continuará ainda mais. É esperado que a propaganda online, fique – infelizmente – menos criativa e mais amparada pela mídia programática, guiada pelos dados.

O profissional que aprender a ler esses dados corretamente terá mais chance de se sobressair. Já os poucos que aliarem dados com criatividade poderão dominar a nova era publicitária.

Entretanto, a propaganda offline das últimas décadas, criativa e despendiosa, que já se resumia a poucos anunciantes, deverá se encolher ainda mais.

Que norte você acredita que será seguido pelo segmento?

O norte do segmento é sobreviver. Não acredito que teremos um norte moral, criativo ou filosófico. A não ser de uma minoria que possa fazer isso. O segmento vai se adaptar da melhor maneira que conseguir e ninguém pode dizer exatamente qual maneira é essa.

Como a Doiddo Filmes se encontra nesse ecossistema?

A Doiddo Filmes é uma butique de produção audiovisual que busca qualidade no micro e no macro. Já éramos, antes da pandemia, apaixonados por eficiência e excelência e por projetos que enxergam isso como uma vantagem. Aprimoramos nosso trabalho e afinamos nossos processos online, ampliando nossa rede de colaboradores com talentos ímpares. Estamos em fase de desenvolvimento de duas séries live action e uma animada e continuamos fazendo propaganda. Cada dia abre espaço para um novo aprimoramento: seja de processo, de logística ou de talentos.

A rápida digitalização afeta a empresa ou ela já estava bem orientada antes desses acontecimentos?

Já estávamos remando nesse sentido. Não nos surpreendeu.

Fale um pouco sobre o curso de Direção de Filmes e Propaganda ministrada por você.

A ideia é auxiliar e guiar futuros talentos abordando o mercado audiovisual da forma mais real possível. Sem ilusão. Sem rodeios. Existem diretores com dificuldade em seguir uma planilha de custos aprovada, não sabem prever ou solucionar problemas no set com sua equipe, não conseguem vender sua ideia ao cliente ou mesmo dimensionar soluções em pós-produção durante a pré-produção e não quando a filmagem foi concluída. É como se houvesse um gap entre realidade e esse profissional. Gostaria de somar minha experiência para que novos talentos evitem armadilhas e possam ser plenos e mais realizados. Nosso mercado merece diretores técnicos e apaixonados que entendam a responsabilidade que é ser um diretor.

Que compreendam que ser diretor está além de entender de fotografia, palheta de cor, enquadramento, direção de cena e formatos de roteiro. O diretor é um CEO de uma “empresa ao ar livre”, ao mesmo tempo que é o RH e financeiro desta empresa. O curso tem a intenção de clarear um pouco essa função e ajudar a exercê-la consciente de seu tamanho.

Compartilhar:
Voltar ao Topo