Sarah Hirota: “A cultura norteia todas as decisões”

Sarah Hirota

Com a premissa de que é necessária uma solução que torne as empresas mais produtivas e menos improdutivas, assim nasceu a Fhinck. A Fhinck é uma startup de alta tecnologia que ajuda grandes empresas a terem maior desempenho operacional, eficiência, produtividade e qualidade de vida, a partir da geração de dados inteligentes. Fundada em 2015 pelo programador Paulo Castello, a startup é membra do Cubo Itaú, maior centro de empreendedorismo tecnológico da América Latina. Já são mais de 14 mil usuários com licença para usar o software. Por meio da ciência de dados (Data Science) – que é um método multidisciplinar que traz conhecimento estatístico e de programação, o software criando pela Fhinck mapeia toda a jornada e interação de trabalho dos colaboradores e identifica perfis de comportamento desses usuários diante das máquinas e de seus processos diários, bem como mapeia rotinas, tarefas, plataformas e sistemas. A ferramenta identifica automaticamente atividades repetitivas e pouco eficientes, e isso vira dado/informação estratégica para reverter e melhorar o cenário, determinando inclusive o futuro das empresas. “Contra fatos, não há argumentos. Decisões que sejam de produtividade ou de qualquer outro aspecto (governança, segurança, etc), tornam-se mais consistentes quando suportadas por dados”, afirma a cofundadora e líder de Pessoas e Cultura da Fhinck, Sarah Hirota.

Sarah, qual a importância da cultura para uma organização?

A cultura norteia todas as decisões e permeia as ações das pessoas nas organizações, tornando-se a identidade da empresa.

Como uma cultura bem alicerçada pode se tornar o trunfo de uma empresa?

Uma forte cultura organizacional está enraizada no dia a dia e nas rotinas das pessoas, bem alinhada à missão, visão, valores e objetivos estratégicos, dá velocidade e coesão à empresa, gera mais aprendizado, diminuindo os esforços e otimizando os recursos (tempo, dinheiro, etc) investidos pela empresa para atingir seus resultados.

As pessoas são a parte fundamental dessa cultura em sua visão?

Sim. As pessoas são essenciais para o fortalecimento da cultura porque são elas que a praticam diariamente. É como na nossa vida pessoal, nossos valores e nossas crenças estão em tudo que fazemos todos os dias, se compramos ou consumimos um produto, ao contar uma experiência, ao fazer uma escolha, em nossos hábitos, sempre há uma parte de nossa cultura em cada atitude que tomamos na nossa rotina, por menor que seja, e muitas delas de forma natural, sem nem percebermos que ela está lá nos influenciando naquele momento. A cultura organizacional é da mesma forma, ela está tão junto às pessoas, misturando-se à cultura pessoal de cada um, que em tudo que é feito em torno do seu trabalho (decisões, opiniões, ações, comunicações, posturas, etc) é identificar a influência da cultura organizacional. Em uma empresa temos um grande grupo de pessoas juntas com esta mesma cultura, atuando constantemente e é aí que vemos a sua força. As pessoas tornam a cultura tão forte que pode exercer um poder de repelir de forma natural tudo aquilo que não faz parte dela e, ao mesmo tempo, atrair aquilo que pode fortalecê-la. Quem dá essa força à cultura são as pessoas.

A Fhinck nasceu para tornar as empresas mais produtivas. Como a cultura da empresa foi fundamental para esse norte que vem sendo seguido?

Nosso time sempre foi enxuto e, isso, para nós, é muito importante, porque a produtividade das pessoas, e do time, é fundamental para que uma empresa de alta performance possa atingir resultados e para que as pessoas se desenvolvam em alta velocidade. A nossa cultura, através de nosso time, é que vai atrair pessoas que se identifiquem com nossos objetivos, que sonhem o nosso sonho e enxerguem o nosso grande potencial. É também a nossa cultura que contribui para que nossos clientes, grandes empresas, muitas delas globais, confiem em nosso trabalho, no impacto que uma startup, relativamente, jovem (não só de tempo de mercado, mas também na composição do time) e pequena (menos de 30 pessoas) pode gerar em uma operação ou organização com mais de 100x o seu tamanho.

Qual a importância dos dados para tornar essa produtividade mais assertiva?

Contra fatos, não há argumentos. Decisões que sejam de produtividade ou de qualquer outro aspecto (governança, segurança, etc), tornam-se mais consistentes quando suportadas por dados. Para alguns usar dados históricos (passado) para tomar decisões já é parte da rotina, e já traz inúmeros benefícios, porém, hoje, estes mesmos dados, aplicando-se ferramentas e modelagens, podem trazer também visões futuras (predições) precisas o bastante para alavancar os resultados de uma empresa. Por exemplo, posso olhar para meu histórico de vendas e identificar ações realizadas que geraram aumento de vendas e repeti-las ou reforçá-las; mas posso também olhar para este histórico e prever se nas próximas semanas ou meses minhas vendas vão aumentar, ou diminuir e o que pode impactar nesse aumento/diminuição e atuar sobre estes fatores, ou até mesmo, analisar possíveis impactos da repetição de ações efetivas do passado.

Como a empresa tem passado por um dos momentos mais caóticos da nossa história?

Foi um período de muitos desafios para todos e trouxe muito aprendizado também. Conseguimos colocar o time todo remoto de forma muito rápida e logo percebemos que o modelo funcionaria para nós, então adotamos o remote first. Isso permitiu trazer pessoas de outros estados e é inegável que aumenta a diversidade do time, o que foi bastante positivo. Tivemos condições de dar um suporte financeiro e estrutural aos Fhinckers para se adaptarem e também colocamos alguns benefícios com foco em saúde (mental e física). Ainda temos muito para ajustar. Seguimos buscando formas de o time se comunicar e interagir entre si e com parceiros de forma mais eficaz, trazer e embarcar novas pessoas, otimizar reuniões internas/externas e identificar necessidades; as melhorias precisam acontecer de forma constante, mas momentos como este que estamos vivendo requerem maior atenção, velocidade e criatividade por parte dos tomadores de decisão.

O home office está alterando o mercado da Fhinck para quais direções?

O home office está ganhando mais atenção neste momento. Já era algo presente em nosso produto, porém, explorado de forma mais pontual pelos clientes. Com o mercado e nossos clientes demandando mais deste pilar de uso, direcionamos esforços de desenvolvimento para funcionalidades relacionadas como, por exemplo, registro eletrônico de ponto e uma página específica para análise da jornada em home office. Essas novas funcionalidades aumentam a possibilidade de aplicação de nossa solução para novas áreas nas empresas, levando também todo conceito de analytics e big data por trás de nossa ferramenta. Mesmo com estas mudanças, mantivemos nosso foco e elas só agregaram ao que já era entregue ao nosso ICP, que são os Centros de Serviços Compartilhados e backoffices de grandes empresas.

Quais dados a Fhinck tem sobre o home office durante a pandemia?

Levantamento feito por nós, antes mesmo da pandemia, revelou que, funcionários trabalhando em casa têm até 22% a mais de foco nas tarefas, ganham uma média de 2:30h por dia em qualidade de vida e, de quebra, a empresa economiza cerca de R$3 mil por assento/funcionário mensalmente. Já com relação ao software que a Fhinck oferece, é possível aumentar em 15% o tempo total em treinamentos e multiplicação de conhecimento, até 19% em ganho de padronização de processos e aproximadamente 21% em iniciativas de melhoria de sistemas e ambientes de TI.

Quantas empresas utilizam os serviços da startup?

Temos 25 grandes empresas usando nossa solução atualmente como Cogna/Kroton, Natura, Avon, Bodyshop, Totvs, Rede D’or, Rede Ímpar, Solar (Distribuidora da Coca-Cola no Nordeste), LASA, Santander, Banco BV, HDI, Vivara, DHL, Itatiaia, Grupo Ultra, Bunge e outras.

Que diferencial a Fhinck traz para essas empresas e que já está nitidamente comprovado?

Os clientes que utilizam Fhinck em suas operações otimizam a identificação, análise, implantação e mensuração de resultados de oportunidades de melhoria em seus processos; levamos mais consistência às ações e decisões. Temos casos em que o uso do Fhinck inicia, incentiva e impulsiona o desenvolvimento de áreas de análise de dados na operação.

A empresa triplicou o faturamento em 2020. O que a Fhinck vislumbra para 2021?

Todo resultado obtido é reinvestido na própria empresa. Estamos sempre buscando desenvolver o produto e também os processos internos para atender aos clientes. Em 2021 temos planos de seguir com o crescimento aliado ao aumento do impacto positivo e entrega de valor aos nossos clientes; para que mais empresas tornem seus processos cada vez mais inteligentes e fluidos, impactando as pessoas para que tenham seu valor humano (sua capacidade analítica e criativa) potencializado.

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