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Ulrico Zuínglio, Paramount, Anvisa…

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Nem todo mundo tem tempo (ou estômago) para acompanhar o noticiário inteiro. É guerra lá fora, escândalo aqui dentro, político fazendo dancinha no TikTok e economista prometendo milagre com inflação alta. Enquanto isso, você tenta sobreviver à vida real. A gente entende.

Por isso nasceu o Condensado: uma dose diária de realidade em 6 tópicos, com informação quente, ironia fria e aquele comentário ácido que você gostaria de ter feito — mas estava ocupado demais trabalhando pra pagar o boleto.

Aqui não tem enrolação, manchete plantada ou isenção fake. Tem olho cirúrgico e língua solta. O que rolou (ou rolará) de mais relevante no Brasil e no mundo vem aqui espremido em 10 linhas (ou menos) por item. Porque o essencial cabe — e o supérfluo, a gente zoa.

Informação? Sim. Respeito à inteligência do leitor? Sempre. Paciência com absurdos? Zero.

Bem-vindo ao Condensado. Pode confiar: é notícia, com ranço editorial.

Michelle Bolsonaro prepara carta aberta às mulheres e ensaia candidatura: o bolsonarismo vira novela das oito com roteiro de realeza gospel e direção de Deus

Eduardo não amava Tarcísio, que não amava Carlos, que não amava Michelle, que não amava Flávio — e o Brasil, como sempre, assistindo à reprise de “Família Imperial”. Enquanto o patriarca cumpre prisão domiciliar e sonha com anistias que não virão, Michelle Bolsonaro parece ensaiar o papel de protagonista. Segundo fontes do altar e do planalto, a ex-primeira-dama prepara uma carta aberta às mulheres, espécie de “Carta às Corinthias” em tom de oração, mas com pretensões eleitorais. Falará sobre fé, família e força — o tripé sagrado que sustenta o marketing da extrema direita. O movimento ecoa o gesto de Lula em 2002, com sua “Carta ao Povo Brasileiro”, mas com mais lágrimas, véus e glória. Nos bastidores, há quem veja na leoa Michelle a alternativa mística ao marido inelegível. Nas pesquisas, ela desponta entre mulheres e evangélicos, essa dupla santíssima que hoje decide eleições. O IBGE que o diga: entre 2010 e 2022, o rebanho cresceu para quase 27% da população, e entre eleitores já passa de 30%. Michelle fala direto ao púlpito — e é ovacionada como se fosse uma mistura de Joana d’Arc com Ana Paula Valadão. No último 7 de setembro, bradou que “Deus libertará o Brasil da ditadura judicial”, arrancando aplausos de quem confunde o STF com Herodes. No fim das contas, Michelle entendeu o drama shakespeariano do clã: se o messias caiu, resta à santa subir.

Paciente é diagnosticado com câncer, faz quimioterapia e depois descobre que nunca teve: a medicina erra, o corpo paga e o Estado indeniza com troco

Um paciente da Unicamp passou por quimioterapia após diagnóstico de linfoma não Hodgkin — mas depois descobriu que nunca teve câncer. A Justiça de São Paulo condenou o governo estadual a pagar R$ 50 mil por danos morais. O caso é um retrato brutal da falha pública com jaleco branco. O homem sofreu náuseas, dores e neutropenia febril em nome de um equívoco burocrático disfarçado de exame. O laudo revisado apontou “infiltração linfocitária atípica por provável doença autoimune”, ou seja: o câncer era imaginário, mas o sofrimento, real. A sentença reconhece a gravidade do erro, mas, como de praxe, coloca preço na dor. Cinquenta mil reais por meses de agonia — o SUS é universal, mas a reparação é parcelada. O juiz foi sensato, porém, o sistema continua doente: diagnósticos errados, filas eternas e orçamentos anêmicos. A medicina pública, que deveria curar, anda mais parecida com um laboratório de azar. Ao paciente resta o consolo: não teve câncer, só o tratamento.

11 de outubro de 1531: morre Ulrico Zuínglio, o reformador suíço que quis salvar a Igreja e acabou virando mártir da teimosia teológica

Na fria manhã de 11 de outubro de 1531, Ulrico Zuínglio caiu morto no campo de batalha, armado não com a Bíblia, mas com uma espada. O reformador suíço, contemporâneo de Lutero, achava que podia conciliar o Evangelho com a guerra — um erro de cálculo que nem Santo Agostinho assinaria. Zuínglio foi um dos primeiros a transformar divergência teológica em conflito armado, fundando, por assim dizer, o “protestantismo beligerante”. Quis purificar a fé católica e acabou santificando a desunião cristã. Sua morte em combate contra cantões católicos é um daqueles eventos em que o céu parece ter olhado para a Terra e suspirado: “lá vão eles de novo, em meu nome”. Séculos depois, a Reforma ainda é lembrada por seu ideal de liberdade espiritual, mas também por ter inaugurado a era dos fiéis com espada. Se Zuínglio vivesse hoje, talvez liderasse um grupo de WhatsApp chamado “Protestantes da Verdade”, onde discutiriam memes bíblicos e teorias sobre o Apocalipse. A ironia é que o homem que quis aproximar os fiéis acabou servindo de exemplo para o distanciamento eterno entre eles.

Em 11 de outubro de 1531, Ulrico Zuínglio caiu morto no campo de batalha (Foto: Wiki)
Em 11 de outubro de 1531, Ulrico Zuínglio caiu morto no campo de batalha (Foto: Wiki)

Fufuca e Sabino punidos por desafiar os partidos: o centrão descobre que fidelidade política é igual a fidelidade conjugal — só funciona até aparecer coisa melhor

Enquanto Brasília se debate em alianças de ocasião e traições consentidas, André Fufuca (PP) e Celso Sabino (União Brasil) decidiram que a infidelidade, quando praticada com o Governo, é sinal de maturidade institucional. Ambos optaram por continuar ministros de Lula — um ato de amor político que custou caro. Foram punidos por seus partidos, afastados de diretórios e ameaçados de expulsão. Sabino, com o ar de quem cita Aristóteles em campanha, disse que “fica com o presidente por acreditar no melhor projeto para o Brasil”. Já Fufuca, adepto da filosofia “deixa disso”, acredita em perdão e reversão. O problema é que o centrão trata ideologia como buffet: cada um monta o prato conforme o poder do dia. O PP e o União tentam, a duras penas, parecer partidos com coerência, mas agem como síndicos de condomínio em guerra por uma vaga na garagem ministerial. A cena política brasileira continua fiel à sua tragédia tropical: quem trai o partido para servir ao Governo não é punido, é promovido — desde que traga votos, cargos ou emendas. E Fufuca ainda sonha com o Senado, esse retiro espiritual dos pragmáticos.

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Paramount desliga MTV, Nickelodeon e Comedy Central no Brasil: fim de uma era em que adolescentes viam TV e adultos fingiam que eram jovens

A Paramount anunciou o fim de seis canais no Brasil — MTV, Nickelodeon, Nick Jr., Paramount Network, MTV Live e Comedy Central — a partir de 31 de dezembro. É o adeus da geração que aprendeu inglês com Beavis and Butt-Head e descobriu o amor com Fica Comigo. A MTV, que um dia transmitiu “Thriller” e “Live Aid”, agora morre daquilo que matou os outros: relevância. Os videoclipes migraram para o YouTube, as séries para o streaming e os adolescentes para o TikTok. A Nickelodeon, que um dia fez rir com Doug, Rugrats e iCarly, hoje perderia até para um unboxing de brinquedo no Instagram. Segundo a empresa, a decisão é “estratégica”, palavra corporativa que significa “não está dando dinheiro”. A partir de 2026, o império da Paramount se concentrará em suas plataformas de streaming — Paramount+ e PlutoTV —, o que é como trocar o Coliseu por um link de assinatura. O mundo em que Kurt Cobain dizia “a MTV me corrompeu” se tornou o mundo em que ninguém mais liga a TV. Uma pena: se a MTV dos anos 1990 era o templo da cultura pop, a de hoje virou um QR Code da nostalgia.

Golpe do “Mounjaro grátis” invade a internet: o brasileiro emagrece no bolso e engorda no golpe digital

A Anvisa precisou emitir nota oficial para desmentir anúncios falsos que prometem seringas de Mounjaro — o remédio da moda contra obesidade — de graça pelo SUS. As páginas falsas simulam o site do Governo, com direito a brasão, logotipo e aquele português institucional que nem o ChatGPT imitaria com tanto zelo. A promessa: “Cadastro gratuito para receber o tratamento moderno pelo SUS”. O resultado: golpe, claro. O Mounjaro é caro (até R$ 3.600 por dose) e, por enquanto, só disponível em farmácias credenciadas. O episódio mostra duas epidemias paralelas: a da obesidade e a da credulidade digital. O brasileiro médio acredita em tudo que tenha um botão “Saiba mais” e uma bandeira do Brasil no rodapé. A Anvisa alerta: “não clique, denuncie, desconfie”. Mas é pedir muito a quem ainda compartilha corrente de WhatsApp sobre feijão com chip. O país que sonha emagrecer com injeção também precisa emagrecer em ingenuidade. Afinal, o único peso que o Mounjaro realmente reduz, por enquanto, é o do saldo bancário de quem cai no golpe.

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Última atualização da matéria foi há 2 meses


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