Doença hepática esteatótica requer atenção para diagnóstico
A Doença Hepática Esteatótica ou esteatose hepática, que até pouco tempo atrás era chamada de Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA), é uma condição caracterizada pelo acúmulo de gordura excessiva no fígado, não relacionada ao consumo excessivo de álcool. A doença tem se tornado cada vez mais prevalente devido ao aumento da taxa de obesidade e por estar frequentemente associada a hábitos de vida pouco saudáveis, incluindo dieta inadequada e comportamento sedentário.
Um desafio enfrentado no diagnóstico da esteatose hepática é o fato de ser uma doença silenciosa, muitas vezes não apresentando sintomas perceptíveis. Isso torna difícil a identificação precoce e pode levar a complicações mais graves no longo prazo. As principais causas são a obesidade, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica e, como consequências, há o risco de evolução para cirrose e câncer de fígado, além do maior risco de doenças cardiovasculares como infarto e AVC, conforme relatado por Dr. Thomas Cotter, da Divisão de Gastroenterologia e Hepatologia, da Universidade de Medicina de Chicago, nos Estados Unidos.
As principais formas de prevenção são a mudança de estilo de vida, alimentação saudável, exercícios físicos, emagrecimento e tratamento do diabetes e da obesidade. Estudos recentes mostram que a condição pode progredir para estágios avançados, como a cirrose hepática, sem que o paciente perceba qualquer sintoma relevante. Portanto, é fundamental estar atento aos fatores de risco e realizar exames de rotina para detectar a doença, mesmo na ausência de sintomas.
O diagnóstico da esteatose hepática geralmente começa com uma revisão abrangente do histórico médico e um exame físico. Os exames de sangue, como testes de função hepática, são necessários para avaliar a extensão da doença, a saúde do fígado e identificar possíveis anormalidades. Em alguns casos, podem ser exames adicionais de diagnóstico por imagem como ultrassom, ressonância magnética, elastografia hepática ou biópsia hepática, para confirmar o diagnóstico e determinar a gravidade da doença.
É importante observar que a maioria das pessoas com esteatose hepática não apresenta sintomas perceptíveis, tornando a detecção precoce e os exames regulares essenciais, de acordo com o estudo do Dr. Curtis Argo, da Divisão de Gastroenterologia e Hepatologia do Sistema de Saúde, da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos.
Alguns sintomas que podem ocorrer incluem fadiga, desconforto abdominal, perda de peso inexplicada e uma sensação geral de mal-estar, mas não se deve esperar que surja algum sintoma para procurar avaliação médica.
Uma meta-análise, conduzida pela Dra. Wenjie Dai, do Centro da Província de Hunan para Controle e Prevenção de Doenças, em Hunan, na China, com dados de 24 estudos, envolvendo 35.599 indivíduos, demostrou uma prevalência média de doença hepática gordurosa de 60% em pacientes com diabetes tipo 2 e de 80% em indivíduos com obesidade. É um quadro reversível desde que a pessoa com esteatose hepática não apresente cirrose, que é o estágio final da doença hepática.
Não são todos os pacientes com gordura no fígado que vão evoluir com alguma doença grave do órgão, mas existe o risco de progressão para cirrose e até mesmo o câncer de fígado. Além disso, uma grande preocupação é a de doenças cardiovasculares, que tem se mostrado a principal causa de morte, de acordo com outro estudo realizado pelo Dr. Zobair Younossi.
A forma mais grave da doença, em que a gordura no fígado tem inflamação, atinge em torno de 6 milhões, conforme aponta outro estudo conduzido pelo Dr. Younossi, do Centro de Doenças do Fígado, do Departamento de Medicina, do Inova Fairfax Hospital, no Estado da Virgínia, nos Estados Unidos. Esse mesmo estudo também aponta que, na América do Sul, há uma estimativa que 30% dos adultos tenham doença hepática gordurosa.
Estima-se que no Brasil há 16,8 milhões de adultos com diabetes, de acordo com o Ministério da Saúde. Comparando esse dado com a meta-análise, citada acima, a incidência da Doença Hepática Esteatótica no país, refletindo as tendências globais, pode ter uma estimativa em torno de mais de 10 milhões de adultos.
Diante dessa realidade que apresenta um cenário preocupante, é fundamental promover a conscientização sobre a esteatose hepática e incentivar hábitos de vida saudáveis, como uma alimentação equilibrada e a prática regular de exercícios físicos.
“O tratamento envolve a adoção de mudanças no estilo de vida, incluindo a perda de peso gradual por meio de uma dieta saudável e equilibrada, a prática regular de atividades físicas e a redução do consumo de álcool, se aplicável. Em casos mais graves, podem ser necessários medicamentos específicos e acompanhamento médico especializado. Por meio de uma abordagem multidisciplinar envolvendo médicos, nutricionistas e profissionais de saúde, é possível reduzir o impacto dessa condição no Brasil e melhorar a qualidade de vida dos indivíduos afetados”, diz Fernanda Canedo, gerente médica da Novo Nordisk.
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