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A voz potente do visionário Hóttmar Loch

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Hóttmar Loch é um renomado especialista em tecnologia, empreendedor social e arquiteto urbanista. Loch é uma voz altamente qualificada quando o assunto é inovação, empreendedorismo social, transformação digital e D&I. O empreendedorismo social tem ganhado cada vez mais destaque como uma forma de negócio que busca gerar impacto positivo na sociedade, combinando a busca pelo lucro com a busca por soluções para problemas sociais e ambientais. Segundo o Global Entrepreneurship Monitor (GEM), o empreendedorismo social está presente em mais de 60 países e tem se mostrado uma ferramenta eficaz para promover a inclusão, a sustentabilidade e a equidade. Hóttmar é fundador da Nohs Somos, uma startup de impacto social que utiliza a tecnologia para criar soluções inclusivas. Ele tem colaborado com empresas como Ambev, Liberty Brasil e Rock in World, implementando projetos de D&I e promovendo mudanças significativas. Destaca-se em todos esses movimentos o projeto “Bar de Respeito”, uma plataforma digital desenvolvida pela Nohs Somos e pela própria comunidade LGBTQIAPN+. O objetivo é criar um ambiente seguro e inclusivo para a comunidade, destacando bares com as melhores avaliações e oferecendo descontos aos usuários e treinamentos para os locais parceiros que buscarem por auxílio. Essa iniciativa, desenvolvida em parceria com a Ambev, já está presente em oito capitais do país.

Hóttmar, que impacto positivo o empreendedorismo social pode trazer para a sociedade em comparação a outras formas de negócio mais tradicionais?

Bem, quando se trata de empreendedorismo, está-se abordando a resolução de problemas por meio de tecnologia ou soluções. Isso pode englobar tanto tecnologia digital quanto outras formas, mas a abordagem é sempre a de solucionar questões numa comunidade. Quando nos referimos ao empreendedorismo social, estamos indicando que ainda estamos tratando da resolução de problemas, contudo, esses problemas são demandas da sociedade. A maneira pela qual se resolve esse tipo de problema está intrinsecamente ligada a um modelo de negócio, ou seja, ela ocorre em uma perspectiva capitalista da sociedade. Juntamente com o empreendedorismo, busca-se solucionar problemas específicos de determinada comunidade ou grupo. Isso traz diversos benefícios, pois, além de gerar atividade econômica, é uma forma de negócio que contribui para a resolução de problemas sociais. Diversos exemplos podem ser citados, como programas sociais e ambientais, fortemente linkados ao IDS.

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Qual é a principal missão da Nohs Somos e como a tecnologia é utilizada para criar soluções inclusivas?

Colaborar na criação de uma rede inclusiva para fortalecer o senso de comunidade LGBTI+, através de uma plataforma tecnológica que oferece soluções relacionadas à diversidade, facilitando o acesso a experiências, produtos, serviços e ambientes acolhedores.

A nossa tecnologia é empregada em dois formatos com foco na persona LGBTQ+. O que fazemos é aproximar os lugares acolhedores da comunidade por meio da organização de dados. É a própria comunidade que realiza avaliações. Além de promover essa aproximação com os lugares amigáveis através da organização de dados, também fornecemos benefícios, como cupons de desconto para os estabelecimentos. No âmbito da comunidade de estabelecimentos, oferecemos um curso de diversidade com ênfase no atendimento às demandas do público LGBTQ+ e direcionado especialmente às empresas varejistas.

Por que você escolheu focar em projetos que promovem a inclusão, a sustentabilidade e a equidade através do empreendedorismo social?

Bem, a Nós Somos Não foi concebida com o propósito de se tornar um negócio social. Surgiu no final de 2018 em resposta à onda de violência ocorrida durante a campanha política presidencial daquele ano. Aproximadamente 90% a 94% da população LGBT testemunhou um aumento na violência, o que gerou o desejo de empregar a tecnologia em benefício da comunidade. Reunimo-nos como um coletivo e realizamos diversas reuniões para explorar como a tecnologia poderia ser empregada nesse contexto. Foi durante esse processo que constatamos a escassez de iniciativas direcionadas à comunidade e ao uso da tecnologia como meio de promover a diversidade LGBT, abrangendo também a população P+.

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A partir desse ponto, lançamos uma campanha de arrecadação de fundos bem-sucedida, o que nos permitiu dar os primeiros passos. Ao longo do tempo, expandimos nossas atividades e participamos de programas de aceleração. Resumindo, no início, não tínhamos a intenção de desenvolver um negócio; essa trajetória foi se delineando ao longo do caminho. Agora, ao abordar essa escolha, focamos em projetos que promovem a inclusão, destacando a importância do autoconhecimento e da inteligência emocional. Acredito que estamos cada vez mais testemunhando indivíduos que estão desafiando as normas, incluindo aspectos econômicos, e que desejam causar um impacto positivo nas realidades sociais e ambientais.

É notável que atualmente as causas sociais ganham mais atenção, provavelmente por sua natureza engajadora. Podemos observar diversos dados interessantes a respeito disso. Quanto a mim, o que posso compartilhar é que, ao compreender meu propósito interno e externo, percebi como esses elementos se interligam. Sendo um homem LGBT, essa identidade permeia minha vida e, ao lidar com as dificuldades que enfrento, encontrei maneiras de unir outras pessoas que compartilham de experiências semelhantes.

Minha conexão com perfis de mercado que também se interessam por promover mudanças efetivas na sociedade é um fator-chave. Isso está profundamente alinhado com meus valores, que remontam a um histórico de liderança desde jovem. Sempre estive envolvido em projetos coletivos, assumindo papéis de liderança, seja como líder de turma no ensino primário ou como presidente de um centro acadêmico. Também fui diretor do Fab Lab da Unisuc, um laboratório de fabricação vinculado ao MIT. Desde cedo, esse engajamento esteve em destaque, até que surgiu a iniciativa “Nós Somos Não”, que oficializou e consolidou minhas motivações internas e externas. Minha consciência de classe, minha posição na sociedade, reconhecendo meus privilégios e limitações, tudo isso influencia a maneira como posso impactar outros indivíduos que enfrentam desafios semelhantes.

Quais foram os principais desafios enfrentados ao implementar projetos de D&I em empresas como Ambev, Liberty Brasil e Rock in World?

Em relação aos desafios, considero que, em primeiro lugar, ao abordar as três empresas, quando você está lidando com organizações que possuem milhares de colaboradores, algumas centenas em um lugar, outras milhares em outro, é extremamente desafiador apresentar a pauta e entender que ela terá um alcance abrangente na governança. Esse é o primeiro desafio, justamente em como estabelecer uma comunidade dentro dessas organizações para a pauta poder ser gradualmente implementada. Nem todos são envolvidos pela causa e há bastante resistência interna. Portanto, é crucial envolver a alta liderança, especialmente no começo do processo, quando a empresa está em seus estágios iniciais. Trazer a alta liderança para compreender e contribuir é um desafio fundamental. Isso se relaciona com o ponto discutido anteriormente sobre empreendedorismo: se você não vivencia o problema, não compreende a necessidade da solução.

Nesse contexto, o primeiro ponto de desafio reside em formar aliados, uma tarefa complexa em si. Cada uma das empresas enfrenta desafios simultâneos, como a Beth exemplifica ao falar da construção do barco. No caso da Copa, havia diversos outros projetos em andamento, tornando desafiador mobilizar as equipes para a execução do projeto do barco em um curto período. No âmbito da Liberty, introduzimos um novo produto via um podcast. Surgiu a questão de como elaborar estratégias de endomarketing internamente na corporação para permitir que esse trabalho, que se distinguia, conseguisse se conectar com as diferentes áreas da empresa.

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Quanto ao Rocking World, uma empreitada admirável, considero que o principal desafio é como nosso trabalho pode impactar agora em larga escala, tanto durante o Rocking Rio do ano passado como no Detal. Espera-se um público de cem mil pessoas, e a questão está em como nosso trabalho pode disseminar informações e impactar um número tão grande de indivíduos, de maneira que o impacto seja efetivamente transmitido.

Como o projeto “Bar de Respeito” contribui para a criação de um ambiente seguro e inclusivo para a comunidade LGBTQIAPN+?

O “Bar de Respeito” é a fonte original de tudo a partir da qual nós surgimos. Portanto, essa é a tecnologia que nutrimos com tanto apreço. Quando abordamos como essa tecnologia contribui para a criação de um ambiente seguro e inclusivo, estamos essencialmente discorrendo sobre como o “Bar de Respeito” é uma ferramenta. Hoje, entendemos que a tecnologia não é um produto final em si, mas sim um meio utilizado para alcançar um propósito. Aqui, empregamos essa tecnologia para combater a LGBTfobia. O modelo de negócios que adotamos é o de um marketplace, um intermediário que conecta estabelecimentos e, em um futuro próximo, também serviços amigáveis. Estamos estruturando cuidadosamente a expansão desse marketplace, que atualmente conta com 40 mil usuários.

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A principal função do “Bar de Respeito” é fornecer cupons, descontos e vantagens para usuários LGBTQ+ interessados em se cadastrar. Em contrapartida, esses usuários avaliam estabelecimentos amigáveis. Existe uma lógica de avaliação que determina o status de um lugar como “amigável”. O aspecto notável é que a tecnologia se transforma em uma via de escuta. Organizamos os dados coletados para depois devolvê-los à própria população. Além da comunidade de usuários, também existe a comunidade de estabelecimentos. Estabelecimentos interessados têm acesso gratuito a um curso de diversidade.

Quais são os critérios utilizados para destacar os bares com as melhores avaliações na plataforma digital do projeto “Bar de Respeito?”.

Os critérios utilizados para destacar os bares são: lugar com avaliação amigável, lugar com avaliação imparcial, lugar com avaliação não amigável e lugar sem pontuação.

Por que você optou por estabelecer parceria com a Ambev para o desenvolvimento do projeto “Bar de Respeito?”.

A Ambev é uma grande corporação. Portanto, quando mencionamos aqui que também possuímos uma comunidade de bares e restaurantes, abrangendo estabelecimentos em geral, estamos incluindo todos os tipos de estabelecimentos presentes na plataforma. No entanto, decidimos concentrar nossos esforços em colaboração com a Ambev, especialmente no setor de bares e restaurantes. Por quê? Porque compreendemos que as pessoas LGBTQ+ frequentam com frequência baladas, bares e restaurantes. Diante disso, percebemos que estabelecer uma parceria com uma empresa que atua como um guarda-chuva para diversos pontos de venda seria uma estratégia altamente vantajosa, considerando a escalabilidade da estratégia. Dessa forma, poderíamos alcançar múltiplos estabelecimentos de uma só vez. A parceria com a Ambev deu excelentes resultados, impulsionando o crescimento da nossa plataforma. Ao colaborarmos com eles, conseguimos duplicar o número de usuários em uma campanha que durou um pouco mais de um mês. A empresa começou a abraçar a causa da diversidade LGBTQ+, incluindo a comunidade P+. Diante dessa perspectiva, percebemos o potencial estratégico dessa oportunidade e desenvolvemos um projeto muito bem-sucedido.

Como a tecnologia tem sido uma aliada na promoção da inclusão social em diferentes setores através dos projetos da Nohs Somos?

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Essa pergunta me pareceu um tanto redundante, no entanto, podemos relacioná-la com a situação atual do mundo em relação à tecnologia e os desafios iminentes que enfrentamos com essa aceleração contínua. Ao tratarmos da nossa abordagem, compreendemos a tecnologia como um meio, uma ferramenta que auxilia na solução de problemas diretamente ligados a algum tipo de dificuldade. A resolução dessa dificuldade, muitas vezes, está enraizada na ideia de abordar questões sociais. Quando projetamos da tecnologia, consideramos a crescente presença de Inteligência Artificial (IAs), o fenômeno de deepfake, o conceito de multiverso e, recentemente, o lançamento do Apple Vision Pro. No contexto da IA, por exemplo, percebemos que a IA envolve a organização dos principais dados disponíveis na internet. No entanto, mesmo com essa organização, ainda existe uma carência de dados relacionados à diversidade. Portanto, a importância do trabalho de diversidade continua a ser vital.

Outro aspecto a ser considerado é a situação atual. Enquanto afirmamos que trabalhos que possam ser realizados por máquinas não são intrinsecamente humanos, também é verdade que muitos empregos serão substituídos por máquinas. Isso exige um esforço educacional amplo para capacitar as pessoas a operarem essas novas máquinas. Conforme mencionamos, o advento de novas tecnologias cria novos paradigmas humanos, gerando novas compreensões e perspectivas. Por isso, é crucial que outras empresas, assim como a nossa, incorporem projetos voltados à diversidade e inclusão. Essa deve ser uma parte essencial de suas estratégias de resolução de problemas, uma vez que entendemos ser imperativo continuar promovendo avanços nessa área para que a tecnologia possa realmente servir à sociedade como um todo.

Quais são os planos futuros da Nohs Somos em termos de expansão de seus projetos de impacto social?

Vou compartilhar alguns detalhes, se me permite. Em relação aos planos da Nós Somos, vale destacar que no ano passado alcançamos um crescimento sete vezes maior, e no ano anterior, quatro vezes maior. Além disso, temos a ambição de expandir ainda mais nossa atuação este ano. Como cofundador, adquiri a participação dos outros sócios e agora detenho 100% da participação acionária. Nesse sentido, uma nova parceria está se formando para fortalecer a Nós Somos.

Além desses aspectos, estamos atualmente em processo de desenvolvimento da Maratona do Orgulho. Acredito que seria interessante incorporar um vídeo da Maratona para proporcionar uma visualização mais abrangente. A Maratona nasceu como uma iniciativa construída em conjunto com a comunidade em São Paulo, sendo que temos planos de expandir esse evento para outros locais.

Além das atividades presenciais, estamos planejando uma nova campanha tecnológica para o final de outubro ou novembro. Essa campanha trará uma variedade de benefícios e novas funcionalidades que certamente irão enriquecer nossa plataforma.

Por que você acredita que a combinação entre a busca pelo lucro e a busca por soluções para problemas sociais e ambientais são tão relevantes no contexto atual dos negócios e da sociedade?

Na verdade, eu consideraria ajustar essa pergunta. Como alguém pode não acreditar nisso? Isso se relaciona com algo que não foi uma descoberta específica nesta vida, mas sempre esteve ligado aos meus valores. Quando abordamos a noção de comunidade, ela traz consigo um profundo senso de justiça. E quando falamos de justiça, isso remete à consciência de classe. Compreender que não existe meritocracia quando as pessoas não partem do mesmo ponto é crucial. Então, o que podemos construir para a justiça ser mais presente e integral, algo que ainda não é o caso atualmente?

Se a economia estabelece as regras para a direção em que o mundo está seguindo, é a partir do âmbito econômico que devemos buscar soluções para abordar os problemas sociais atuais. É notável que está crescendo uma tendência marcante, exemplificada pela WGSN, que foca em perfis de consumo relacionados a ESG e investe fortemente em startups de impacto social. Essas startups são relativamente recentes na história da humanidade, assim como a própria ascensão das startups. Ambas conquistam um espaço cada vez maior.

Nesse cenário, a compreensão é que não é necessário inventar problemas para criar soluções. A resolução dos problemas atuais não apenas gera receita, mas também está intimamente relacionada a uma tríade que abrange o perfil de consumo, a imagem da empresa como empregadora e as dinâmicas internas do negócio. Investidores, fundos e entidades similares têm se mostrado cada vez mais interessados nesses indicadores sociais. Portanto, a abordagem aqui não é tanto uma questão de acreditar ou não, mas sim de realizar uma análise dos dados sociais e compreender a dinâmica da sociedade.

Última atualização da matéria foi há 10 meses


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