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Do lado de lá com Camille Claudel

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Camille Claudel foi uma escultora francesa nascida em 8 de dezembro de 1864, em Fère-en-Tardenois. Desde jovem, demonstrou talento para a escultura, o que a levou a estudar em Paris, onde enfrentou forte resistência por ser mulher em um meio dominado por homens. Ainda assim, impressionou mestres e colegas com sua técnica e sensibilidade. Aos 19 anos, tornou-se aluna e depois assistente de Auguste Rodin, com quem manteve uma relação amorosa intensa e conturbada. A influência de Rodin é visível em algumas obras de Camille, mas seu estilo próprio, mais visceral e trágico, logo se impôs. Esculturas como A Idade Madura e Sakountala revelam seu domínio da forma e suas inquietações emocionais. Apesar do talento, enfrentou dificuldades para obter reconhecimento, agravadas pelo rompimento com Rodin e o machismo da época. Sofrendo de crises psicológicas, passou os últimos 30 anos de sua vida internada num asilo, contra a própria vontade. Durante o internamento, sua obra foi praticamente esquecida. Morreu em 19 de outubro de 1943, em Montfavet, França, praticamente abandonada pela família. Hoje, Camille é reconhecida como uma das maiores escultoras de sua geração, símbolo da luta feminina nas artes. Seu legado artístico inspira debates sobre talento, loucura, amor e opressão.

12 frases marcantes de Camille Claudel:

“Sou vítima de um complô terrível de parte de Rodin.”

“Espero que você não me esqueça.”

“Eles me enterraram viva.”

“Trabalhei muito, fiz tudo sozinha.”

“Rodin tomou tudo de mim.”

“Há algo terrível em ser mulher e querer esculpir.”

Camille Claudel foi uma escultora francesa de muitíssimo talento (Ilustração: Coelho)
Camille Claudel foi uma escultora francesa de muitíssimo talento (Ilustração: Coelho)

“A arte é o único consolo para minha dor.”

“A escultura me salvou, até que me tiraram até isso.”

“Não quero morrer neste lugar.”

“Meu crime foi ser livre.”

“Esqueceram que eu sou uma artista.”

“Fui roubada pela vida, pela arte e por quem mais amei.”

Mensagem do Além

Pergunta psicografada para Camille Claudel

(Recebida em um quarto sem janelas, onde o mármore quebrado e a argila ressecada cobriam o chão como feridas esquecidas. No canto, uma escultura inacabada envolta por panos velhos parecia respirar. O médium, de olhos fundos, apertava nas mãos uma espátula enferrujada. Um som distante de martelo em pedra ecoava ritmadamente, como um coração que ainda bate por vingança. Sobre a escrivaninha, uma vela tremeluzia diante de uma foto desbotada: uma mulher de olhar severo e mãos sujas de poeira. De repente, a chama vacilou. Um perfume de lavanda e solidão invadiu o espaço. A resposta veio entre suspiros, como quem fala depois de décadas calada.)

Pergunta:

Camille, o que você diria às mulheres artistas que ainda lutam por reconhecimento em um mundo que as ouve menos?

Resposta psicografada:

“Diria para não esperarem ser bem-vindas. O ateliê de uma mulher é, desde sempre, um campo de batalha. Fui gênio no silêncio, sombra na história, fantasma nas biografias dos homens que roubaram meus gestos. Rodin assinou o que moldei com febre, e ainda hoje sussurram que fui apenas sua musa — não sua rival. O preço da liberdade feminina é a loucura que os outros nos impõem. Disseram que eu era instável, mas nunca disseram que me deixaram sozinha num hospício por 30 anos, sem ferramentas, sem barro, sem o direito de criar. A arte, para mim, era o único jeito de respirar num mundo que me apertava o pescoço com polidez. Vocês querem saber o que fazer? Continuem. Mesmo que ninguém pergunte. Mesmo que roubem, citem sem nomear, reinterpretem seus corpos sem escutá-los. Esculpam o grito. Pintem o sangue. Dancem a recusa. Escrevam o desassossego. E quando tentarem lhes oferecer o lugar de musa, cuspam no convite. O pedestal é uma gaiola elegante. Não busquem aplausos. Eles são leves demais para sustentar uma mulher de verdade. Criem para si, como se o mundo não fosse digno. Talvez ele não seja mesmo. Lembrem-se: não há prisão maior que a invisibilidade. E não há liberdade maior que a criação. Façam arte como quem escapa. Façam como eu fiz. Só que livres.”

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— Claudel, do além, com os dedos ainda manchados de argila e uma escultura invisível nas mãos.


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