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Escadinha: o cocriador do CV em W/Brasil?

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José Carlos dos Reis Encina, mais conhecido como “Escadinha”, transcendeu as fronteiras do submundo do crime para deixar uma marca indelével na história brasileira. Fundador do Comando Vermelho (CV), sua trajetória é uma saga complexa, entrelaçada com fugas cinematográficas, confrontos com a lei e, surpreendentemente, uma incursão no mundo da música.

Os alicerces do crime: Falange Vermelha e o Comando Vermelho

Ao lado de seu irmão Paulo Maluco, Escadinha foi um dos arquitetos da organização criminosa Falange Vermelha, posteriormente rebatizada como Comando Vermelho. Os irmãos, durante as décadas de 1970 e 1980, emergiram como duas das figuras mais temidas do cenário criminal brasileiro. Sob a liderança de Escadinha, o Comando Vermelho cresceu em influência e complexidade, tornando-se uma força dominante nas dinâmicas do crime no país.

Contudo, a história de Escadinha não se limita apenas às sombras do crime. Em um surpreendente capítulo de sua vida, ele também se aventurou no universo da música, tornando-se letrista de rap e lançando o álbum “Brazil 1: Escadinha Fazendo Justiça com as Próprias Mãos”. Essa incursão musical revela uma faceta menos explorada de sua personalidade, um contraponto intrigante às atividades criminosas que o tornaram uma figura notória.

A fuga cinematográfica de Ilha Grande: uma página na história do crime brasileiro

Em 31 de dezembro de 1985, Escadinha protagonizou uma das fugas mais audaciosas da história penitenciária brasileira. Resgatado por helicóptero da prisão na Ilha Grande, o episódio foi engendrado por José Carlos Gregório, o “Gordo”. O helicóptero, habilmente alugado e o piloto forçado a pousar em uma área previamente combinada, representou uma façanha que desafiou as autoridades e alimentou a aura de mistério em torno de Escadinha.

Contrariando rumores difundidos pela imprensa, que sugeriam um pouso no pátio da prisão, a realidade revela-se diferente. O pouso ocorreu em uma clareira distante, durante um passe concedido por um guarda penitenciário, uma prática comum para que detentos pudessem prestar serviços externos. Escadinha, junto com sua mulher, embarcou no helicóptero e fugiu, deixando para trás as grades que por um momento não foram suficientes para conter sua ambição.

Os altos e baixos: prisões, resgates e a tragédia no céu

Em 1986, a liberdade efêmera de Escadinha foi interrompida por tiros durante um confronto com a polícia militar no Morro do Juramento. Mesmo depois de sua recaptura, os episódios de fugas continuaram a pontuar sua trajetória. Em 1987, uma tentativa de resgate por helicóptero do Presídio Frei Caneca resultou em uma tragédia. A aeronave, sequestrada por comparsas, foi atingida e caiu, ceifando vidas, incluindo a de “Meio Quilo”, comparsa de Escadinha.

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A saga de Escadinha, entre fugas e recapturas, encontrou seu fim trágico em setembro de 2004. Metralhado enquanto dirigia na Avenida Brasil, seu carro tornou-se palco de um duplo homicídio, levando consigo Luciano da Silva Wanderley, que também deixava o presídio naquele dia.

Seria ele em W/Brasil de Jorge Ben Jor?

A música “W/Brasil” que Jorge Ben Jor compôs em homenagem ao publicitário Washington Olivetto, supostamente menciona Escadinha (“Tira essa escada daí, essa escada é pra ficar aqui fora…”), adicionando uma dimensão ainda mais pitoresca a essa história multifacetada – apesar de muitos acharem que a metáfora não foi feita para o falecido traficante.

Assim, a vida e a morte de Escadinha, cocriador do Comando Vermelho, permanece como uma narrativa rica em contrastes, revelando as nuances e complexidades de um capítulo significativo na história criminosa e cultural do Brasil.

Última atualização da matéria foi há 1 mês


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