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Nacional: o banco salvou a Globo e Garrincha

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O Banco Nacional, originalmente conhecido como Banco Nacional de Minas Gerais, desempenhou um papel significativo na história financeira brasileira. Fundado em maio de 1944 por José de Magalhães Pinto e Valdomiro de Magalhães Pinto, ex-governador de Minas Gerais, o banco destacou-se desde cedo por sua ousadia, tornando-se um dos principais bancos privados do Brasil na primeira metade da década de 1990.

No entanto, sua história é marcada por eventos que levaram à intervenção do Banco Central do Brasil e sua posterior liquidação. Este é o relato da trajetória do Banco Nacional e de sua influência notável, incluindo o patrocínio a Ayrton Senna e seu papel crucial no resgate de figuras como Roberto Marinho e Garrincha.

Em 24 de outubro de 1943, José de Magalhães Pinto assinou o Manifesto dos Mineiros, a primeira expressão contrária ao Estado Novo. Como resultado, foi destituído do cargo que ocupava no Banco da Lavoura. Em resposta a esses eventos, Magalhães Pinto uniu-se ao seu irmão Valdomiro para fundar o Banco Nacional de Minas Gerais em maio de 1944. Inicialmente, o banco contou com investidores como Virgílio de Melo Franco e Francisco Moreira da Costa.

Ao longo dos anos, o Banco Nacional expandiu suas operações, incorporando o Banco Sotto Maior em 1958 e, em 1972, mudando seu nome para Banco Nacional, além de adquirir o Banco do Comércio e Indústria de Minas Gerais.

Entretanto, a partir de 1988, começaram a surgir indícios da situação precária do Banco Nacional. Uma equipe foi contratada na tentativa de reverter a situação, mas relatórios indicaram a adoção de uma “contabilidade fictícia”, conforme alegado pela Comissão de Inquérito do Banco Central.

A intervenção do Banco Central do Brasil ocorreu em 18 de novembro de 1995, com a instauração do Regime de Administração Especial Temporária (RAET) do Banco Nacional. Nesse contexto, o banco foi dividido em um “bom” e um “ruim”, com o primeiro sendo vendido para o Unibanco e o segundo permanecendo no Banco Nacional, sujeito ao Regime de Liquidação Extrajudicial (RLE) em 13 de novembro de 1996.

A repercussão judicial não demorou a ocorrer. Em 1997, o Ministério Público Federal acusou trinta e três pessoas, incluindo o controlador do banco Marcos Magalhães Pinto, de fraude. Em 2002, Marcos Magalhães Pinto foi condenado a 28 anos em primeira instância, uma pena reduzida para doze anos em 2010 e posteriormente reinstaurada pelo Superior Tribunal de Justiça.

Em setembro de 2014, foram noticiadas negociações entre o “bad bank” (ainda controlado pela família Magalhães Pinto) e o banco BTG, envolvendo créditos tributários antigos e outros créditos do Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS). No entanto, essas negociações não foram bem-sucedidas.

Um episódio notável na história do Banco Nacional foi o patrocínio a Ayrton Senna, iniciado em 1984. A decisão de patrocinar o renomado piloto foi uma estratégia de rejuvenescimento e popularização da marca do banco. Mesmo diante de propostas financeiramente mais vantajosas de outros patrocinadores, o Banco Nacional optou pela exclusividade, resistindo às investidas de concorrentes.

O Banco Nacional também desempenhou um papel crucial no resgate financeiro de figuras proeminentes, como Roberto Marinho, falecido dono da TV Globo, e o também falecido jogador de futebol Garrincha, o “anjo das pernas tortas”. O banco concedeu um empréstimo arriscado a Marinho, ajudando-o a honrar uma dívida iminente e expressando sua gratidão pela ajuda arriscada. No caso de Garrincha, o banco atendeu a um apelo de jornalistas, revirando colchões e móveis em busca de comissões em moedas estrangeiras, salvando o ídolo do Botafogo de dificuldades financeiras.

A história do Banco Nacional é, assim, uma narrativa complexa que abrange não apenas eventos bancários significativos, mas também sua presença marcante em momentos cruciais da cultura esportiva e midiática brasileira.

Última atualização da matéria foi há 4 meses


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