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Sportswashing: o plano saudita vingará?

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A entrada da Arábia Saudita no cenário futebolístico europeu tem gerado discussões sobre suas reais intenções e os efeitos desse movimento no universo esportivo. A estratégia, conhecida como “sportswashing”, envolve a utilização do esporte para melhorar a imagem pública do país, muitas vezes desviando a atenção de questões controversas. Esse conceito ganhou destaque especialmente após a recente movimentação saudita no mercado de transferências, onde milhões foram investidos para atrair jogadores renomados de times europeus.

O movimento começou a ganhar atenção com a transferência de Cristiano Ronaldo para a Arábia Saudita no início de 2023. O jogador português alegou que sua chegada abriria portas para outros atletas de renome internacional, sugerindo que o país estava se tornando um destino atraente para os jogadores de futebol. Essa iniciativa faz parte de um esforço maior para promover a influência saudita no mundo, incluindo a tentativa de sediar a Copa do Mundo de 2030.

No entanto, o movimento de contratação de jogadores famosos não se limita a Ronaldo. Um olhar atento para as principais chegadas revela nomes como Neymar, Malcom, Fabinho e Benzema, entre outros. Os altos valores pagos pelas transferências indicam o compromisso financeiro do país em se destacar no cenário esportivo global. A aquisição de jogadores talentosos não apenas fortalece a liga saudita, mas também atrai atenção internacional para o país.

A estratégia de esportes como “soft power” não é única da Arábia Saudita. Outros países também têm usado o esporte como uma ferramenta para melhorar sua imagem no cenário global. No caso dos sauditas, o governo foi além, assumindo o controle dos quatro maiores clubes do país: Al Ahli, Al Ittihad, Al Hilal e Al Nassr. Esse movimento visa fortalecer a liga e criar uma base sólida para futuras iniciativas esportivas, como a tentativa de sediar a Copa do Mundo de 2030.

No entanto, surgem questionamentos sobre a eficácia real do sportswashing. Enquanto os sauditas investem em jogadores e clubes de renome, a repressão interna e as violações dos direitos humanos continuam a ser temas de preocupação. Críticos argumentam que o foco no esporte serve para distrair a atenção dos problemas mais profundos que enfrentam. Ainda assim, é inegável que o país está buscando ativamente um lugar no cenário esportivo internacional.

Além do futebol, a Arábia Saudita tem investido em outras modalidades esportivas, como golfe, automobilismo e tênis. A realização de eventos esportivos de grande porte, como o Grande Prêmio de Fórmula 1, demonstra o compromisso do país em diversificar sua influência global para além do petróleo. O príncipe herdeiro, Mohammad bin Salman, busca construir uma imagem de modernidade e abertura por meio dessas iniciativas.

Embora a Arábia Saudita tenha adotado uma abordagem agressiva para promover sua influência esportiva, o verdadeiro impacto dessa estratégia ainda permanece incerto. Enquanto a chegada de jogadores famosos e a realização de eventos esportivos internacionais podem aumentar a visibilidade do país, as preocupações subjacentes não podem ser ignoradas. A pergunta que persiste é se o esporte pode ser verdadeiramente eficaz na alteração da percepção global sobre um país com um histórico controverso.

A tentativa da Arábia Saudita de melhorar sua reputação por meio do sportswashing é um fenômeno complexo que envolve tanto aspectos esportivos quanto políticos. Enquanto o país busca avançar nesse cenário, a comunidade internacional continua observando atentamente, questionando a autenticidade das intenções sauditas e o impacto real dessas iniciativas na percepção global do país.

Última atualização da matéria foi há 8 meses


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