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Trocar de marcha virou arqueologia…

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Nem todo mundo tem tempo (ou estômago) para acompanhar o noticiário inteiro. É guerra lá fora, escândalo aqui dentro, político fazendo dancinha no TikTok e economista prometendo milagre com inflação alta. Enquanto isso, você tenta sobreviver à vida real. A gente entende.

Por isso nasceu o Condensado: uma dose diária de realidade em 4 tópicos, com informação quente, ironia fria e aquele comentário ácido que você gostaria de ter feito — mas estava ocupado demais trabalhando pra pagar o boleto.

Aqui não tem enrolação, manchete plantada ou isenção fake. Tem olho cirúrgico e língua solta. O que rolou (ou rolará) de mais relevante no Brasil e no mundo vem aqui espremido em 20 linhas (ou menos) por item. Porque o essencial cabe — e o supérfluo, a gente zoa.

Informação? Sim. Respeito à inteligência do leitor? Sempre. Paciência com absurdos? Zero.

Bem-vindo ao Condensado. Pode confiar: é notícia, com ranço editorial.

Banksy quase perde o anonimato após investigação revelar fotos de Robin Gunningham: o artista que zombou do sistema descobre que o sistema também sabe usar lupa

Durante décadas, o artista de rua mais famoso do planeta transformou o anonimato em marca registrada — e em parte essencial do espetáculo. Mas uma investigação da Reuters resolveu brincar de detetive e apontou novamente para o britânico Robin Gunningham como o homem por trás da lenda chamada Banksy. A revelação não veio em forma de confissão dramática, mas em algo muito mais moderno: fotos antigas, documentos e aquela obsessão contemporânea por conectar pontos.

Entre as imagens mais saborosas estão fotografias feitas em 2004 em Kingston, na Jamaica. Nelas, Gunningham aparece agachado, cercado por latas de spray, vestindo jeans, camiseta e óculos escuros — praticamente o uniforme universal do grafiteiro que quer parecer discreto enquanto pinta um muro gigante. Ao seu lado estava o fotógrafo Peter Dean Rickards, trabalhando para a gravadora Wall of Sound, que havia contratado o artista para criar capas de álbuns.

Se confirmada de vez, a descoberta não muda apenas o nome no RG do grafiteiro mais famoso do planeta. Ela desmonta um dos mitos mais sedutores da arte contemporânea: o de que o anonimato absoluto ainda é possível na era das câmeras, arquivos digitais e jornalistas curiosos. Banksy sempre zombou das instituições — museus, governos, mercado de arte. Agora descobre que a maior obra de arte talvez tenha sido esconder seu rosto… por tanto tempo.



Gilberto Kassab arma seu xadrez presidencial com Ratinho Junior e Ronaldo Caiado: o PSD descobre que, na política brasileira, às vezes perder no primeiro turno é apenas uma forma elegante de ganhar depois

No teatro sempre barulhento da política nacional, Gilberto Kassab parece ensaiar mais um daqueles movimentos que fazem Brasília parecer um campeonato de xadrez jogado por apostadores de corrida de cavalo. Segundo os bastidores, o PSD está a um suspiro de lançar Ratinho Junior à Presidência da República, com Ronaldo Caiado na vice. Uma chapa “puro-sangue”, dizem — expressão que, em política, normalmente significa “ninguém mais quis embarcar no mesmo barco”. Ainda assim, é um gesto calculado, daqueles que parecem suicídio eleitoral mas, na prática, são apenas investimento de longo prazo.

A escolha praticamente enterra a ideia de uma frente ampla de centro-direita já no primeiro turno. Não por falta de vontade retórica — o Brasil é um país onde “frente ampla” costuma significar “todo mundo junto… desde que eu seja o líder”. Ao optar por candidatura própria, o PSD fecha a porta agora para talvez escancará-la depois, especialmente se o favorito da direita, Flavio Bolsonaro, confirmar o roteiro esperado e chegar ao segundo turno para enfrentar Luiz Inácio Lula da Silva.

Nos bastidores, a lógica é quase matemática: se Ratinho surpreender, o partido cresce; se não surpreender, cresce também — porque vira fiel da balança na rodada final. Foi exatamente esse cálculo que levou o governador paranaense a recusar o convite para ser vice de Flávio. Desistir agora significaria trocar um projeto presidencial por um assento na arquibancada da história. E ninguém entra na política brasileira para assistir ao espetáculo — todos querem pelo menos vender pipoca na porta.

A batalha de Munda em 45 a.C.: quando Júlio César derrotou seus últimos inimigos e provou que, na política — romana ou moderna — quem perde costuma pagar a conta

No dia 17 de março de 45 a.C., muito antes de pesquisas eleitorais e debates televisivos, o poder político era decidido de forma mais direta: com espadas. Foi nesse cenário que ocorreu a decisiva Batalha de Munda, episódio final da Segunda Guerra Civil da República Romana. De um lado estava Júlio César; do outro, os últimos defensores dos optimates, a aristocracia senatorial que acreditava que Roma deveria continuar nas mãos de poucos — ideia que, curiosamente, nunca saiu totalmente de moda.

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A batalha aconteceu na Hispânia e foi uma das mais difíceis da carreira militar de César. Diferente de campanhas anteriores, desta vez o general precisou lutar literalmente pela sobrevivência política. Se perdesse, não seria apenas uma derrota militar: seria o fim de sua carreira, de seu projeto de poder e, provavelmente, de sua cabeça — item bastante valorizado nas guerras civis romanas.

César venceu. E com essa vitória eliminou a última resistência organizada contra seu domínio. A República Romana, na prática, acabava ali, embora ainda demorasse um pouco para que o Império surgisse oficialmente. A lição histórica permanece elegante em sua brutalidade: na política antiga, quem perdia morria; na moderna, quem perde apenas dá entrevista coletiva agradecendo à democracia. Em termos evolutivos, convenhamos, é um progresso considerável.

Projeto quer dividir motoristas entre quem dirige carro automático e quem encara marcha manual: o Brasil descobre que trocar de marcha virou habilidade quase arqueológica

Em Brasília, onde ideias frequentemente surgem com a mesma espontaneidade de um imposto novo, surgiu agora a proposta de separar oficialmente os motoristas entre duas espécies: os que dirigem carros automáticos e os que ainda enfrentam o câmbio manual. O projeto em discussão na Câmara dos Deputados prevê que quem fizer exame apenas em carro automático terá essa limitação registrada na CNH — uma espécie de certificado oficial de “motorista da era digital”.

O relator da proposta, Neto Carletto, foi direto ao ponto: se o candidato aprende apenas no automático, então que fique registrado que ele não domina o velho ritual de embreagem, marcha e reza silenciosa em subida. Caso queira dirigir um carro manual depois, o motorista terá de fazer curso complementar e novo teste. Traduzindo: a burocracia brasileira encontrou mais um campo fértil para florescer.

Hoje já existem dezenas de códigos e restrições na CNH — alguns obrigam uso de lentes, próteses ou veículos adaptados. O novo projeto ampliaria o cardápio de observações no documento, transformando a habilitação quase num currículo mecânico. Falta pouco para surgir algo como: “condutor autorizado apenas a dirigir carros automáticos, em ruas planas e preferencialmente ouvindo rádio AM”. O projeto ainda precisa passar por comissões e também pelo Senado Federal, mas já revela um fato curioso: dirigir com marcha manual começa a parecer, lentamente, uma habilidade histórica.

 Hoje já existem dezenas de códigos e restrições na lucrativa e burocrática CNH (Foto: Wiki)
Hoje já existem dezenas de códigos e restrições na lucrativa e burocrática CNH (Foto: Wiki)

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