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Apocalypse Now: filme enlouqueceu Coppola

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Francis Ford Coppola, renomado diretor de cinema, criou uma obra-prima que deixou uma marca única na história do cinema. “Apocalypse Now”, lançado em 1979, é uma jornada perturbadora e angustiante pelo coração das trevas da Guerra do Vietnã. Este épico cinematográfico de quase três horas é amplamente reconhecido como uma das maiores realizações do cinema moderno. No entanto, a produção do filme não foi apenas um desafio técnico e artístico, mas também um teste para a sanidade de Coppola, que se viu mergulhado em um apocalipse pessoal enquanto lutava para dar vida à sua visão.

“Apocalypse Now” foi baseado no livro “O Coração das Trevas” de Joseph Conrad, uma narrativa que explorou as complexidades da natureza humana e os horrores da exploração colonial no Congo. Coppola transportou essa história para o contexto da Guerra do Vietnã, onde o protagonista, Capitão Willard, interpretado por Martin Sheen, recebe a missão de assassinar o enigmático Coronel Kurtz, interpretado por Marlon Brando, que enlouqueceu e se tornou uma figura cult em uma área controlada por nativos.

A produção do filme foi marcada por desafios imensos, incluindo condições climáticas extremas, avarias de equipamentos, atrasos no cronograma e um orçamento que ultrapassou os limites. Coppola, determinado a capturar a intensidade e a insanidade da guerra, insistiu em filmar no coração da selva filipina, onde enfrentou inúmeras dificuldades logísticas. Esses obstáculos, juntamente com o seu desejo de perfeição artística, levaram ao aumento dos custos e a um processo de produção conturbado.

O diretor estava tão comprometido com sua visão que muitas vezes ultrapassava os limites da razão. Ele insistiu em filmar cenas noturnas em locais remotos e desconhecidos, sem a iluminação adequada, resultando em cenas sombrias e atmosféricas que contribuíram para a sensação de opressão do filme. Coppola também lutou com a atuação de Marlon Brando, que chegou ao set com excesso de peso e sem estar completamente preparado para o papel. Esses desafios levaram a atrasos significativos e aumentaram ainda mais o estresse do diretor.

A insanidade da produção foi ecoada nos atores, especialmente em Martin Sheen, que sofreu um ataque cardíaco durante as filmagens de uma cena intensa. Além disso, o próprio Coppola enfrentou problemas de saúde relacionados ao estresse, incluindo insônia e hipertensão. O diretor estava se desgastando física e emocionalmente enquanto tentava dar vida ao seu épico cinematográfico.

Mas talvez o aspecto mais emblemático da loucura por trás das câmeras de “Apocalypse Now” tenha sido o infame método de filmagem de Coppola. Ele queria que o elenco e a equipe realmente sentissem a experiência da guerra, então, em várias ocasiões, ele os submeteu a situações extremas. Por exemplo, na cena do ataque à aldeia vietnamita, Coppola não revelou aos atores quando os explosivos seriam detonados, criando uma sensação genuína de medo e caos em seus rostos. Ele também fez com que Martin Sheen batesse a mão em um espelho real durante a cena do espelho quebrado, resultando em um corte profundo que foi mantido no filme.

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A obsessão de Coppola pela autenticidade e sua busca incansável pela perfeição levaram muitos a questionar sua sanidade. Ele estava disposto a sacrificar tudo, incluindo sua saúde e sua sanidade, para realizar sua visão. No entanto, essa obsessão também se refletiu na tela, onde a intensidade e a profundidade do filme eram palpáveis. O público foi levado a uma jornada alucinante e perturbadora, assim como o diretor durante a produção.

Em última análise, “Apocalypse Now” foi um triunfo cinematográfico. O filme recebeu elogios da crítica e ganhou dois prêmios Oscar, incluindo Melhor Fotografia e Melhor Som. Ele também se tornou um marco cultural, lembrado por suas cenas icônicas e suas reflexões profundas sobre a insanidade da guerra. No entanto, a um custo pessoal e emocional significativo para Coppola.

A experiência de fazer “Apocalypse Now” teve um impacto duradouro na carreira de Coppola. Embora ele tenha continuado a fazer filmes após o lançamento do filme, nunca mais conseguiu igualar a magnitude e a influência de sua obra-prima. Ele passou anos lutando com problemas financeiros e enfrentou dificuldades para conseguir financiamento para seus projetos. A produção tumultuada de “Apocalypse Now” também deixou cicatrizes profundas em sua psique, levando-o a uma reflexão sobre os limites da obsessão criativa.

“Apocalypse Now” é uma prova do poder e da paixão do cinema. Francis Ford Coppola, apesar dos desafios esmagadores, conseguiu criar uma obra de arte que ecoa na mente do público muito tempo após os créditos finais terem rolado. Sua determinação e devoção à sua visão são testemunhos de sua genialidade, mas também servem como um lembrete das profundezas que um artista pode mergulhar em busca da perfeição. “Apocalypse Now” é uma obra-prima que enlouqueceu seu criador, mas também iluminou o mundo do cinema de maneira inigualável.

Última atualização da matéria foi há 3 meses


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