Jorge Freire: “As fintechs trouxeram novas perspectivas”

Jorge Freire

O BomConsórcio aderiu ao movimento que vai muito além do lucro. A fintech tornou-se parte do Sistema B, movimento global que prega a união entre resultados financeiros e geração de impactos socioambientais. Atualmente, apenas 3.600 companhias do mundo, 672 empresas na América Latina e 182 organizações brasileiras fazem parte. O Sistema B funciona como um ecossistema de empresas que utilizam seu poder de mercado para solucionar algum tema social e ambiental. O processo de certificação é rigoroso e o seu fim confere credibilidade às alegações das empresas que fazem parte do sistema, em relação ao impacto produzido pelas suas atividades. De acordo com pesquisas realizadas com consorciados, 62% das pessoas que vendem as cotas o fazem para amortizar dívidas por esse motivo a fintech faz a intermediação com veículos de investimento que compram essas cotas, garantindo sempre as melhores taxas para os consorciados. Fundada em 2014, com investimento realizado de R$7 milhões, a empresa conta hoje com 42 colaboradores distribuídos entre Salvador, Brasília e São Paulo. Em sua trajetória já realizou negociações com cerca de 80 mil consorciados, concluindo 30 mil operações e mantendo aproximadamente 45 mil em andamento. “Acreditamos que nós somos aquilo que praticamos e é de nossa responsabilidade o exemplo que deixamos para outras pessoas e organizações”, conta Jorge Freire, CEO do BomConsórcio.

Jorge, como analisa o mercado das fintechs em nosso país?

As fintechs trouxeram novas possiblidades e novas perspectivas, quebraram paradigmas e vieram para ficar e revolucionar o sistema financeiro. Neste contexto, surgiram novas soluções para antigos problemas dos cidadãos. Surgiu uma nova dinâmica, que foi bem recebida e bastante estimulada pelos órgãos reguladores. O Open Banking e mais recentemente o PiX, além de muitas outras inovações, que desengessaram as operações financeiras e tiraram “da zona de conforto” práticas e organizações tradicionais com um impositivo convite à mudança, têm demonstrado isso dia após dia.

Não à toa que, de acordo com o estudo veiculado pelo Distrito Dataminer, em 2020 foram investidos mais de US$ 1,9 bilhão em fintechs, valor 68% maior em relação ao ano anterior. O boom da digitalização e necessidades específicas que já existiam há tempos em nichos do mercado aceleraram esse crescimento.

Essas instituições, que trazem inovação e a capacidade de resposta imediata em seu DNA, representam um mercado em franco crescimento, e se já faziam a diferença por sua contribuição para a economia brasileira até então, em momentos críticos, como o que vivemos, têm sido decisivas para que pessoas e organizações possam persistir e prosperar em mundo digital, um dos relevantes desafios do novo normal.

Por que você acredita que esse mercado é revolucionário?

Em primeira instância, porque as fintechs trazem autonomia e agilidade nunca vistas no sistema financeiro. As soluções apresentadas têm uma aceitação muito grande pela população e por empresas de todos os segmentos, sobretudo nas verticais de meios de pagamento, back office e crédito. As fintechs têm mudado mesmo a forma como pessoas e instituições se relacionam com suas operações financeiras, e isso definitivamente não é pouco.

Como o BomConsórcio está situado nesse ecossistema?

O BomConsórcio é a primeira fintech específica do mercado de consórcios. Ele foi criado para sanar um desafio histórico enfrentado pelas Administradoras de Consórcios, que é a gestão de alternativas para consorciados desistentes.

Hoje, um consorciado desistente encontra no BomConsórcio liquidez, segurança e descomplicação para receber de volta o dinheiro pago pela sua cota com taxas sempre justas, esteja ela ativa ou já cancelada. A transação é realizada 100% online e o pagamento chega à vista na conta do consorciado. Parece simples, mas nem sempre foi assim. Antes do BomConsórcio, um consorciado desistente, caso resolvesse vender sua cota, precisava encontrar sozinho um comprador, num mercado secundário fortemente marcado por riscos e ofertas abusivas. Hoje, respeitando todas as premissas do segmento e as orientações dos órgãos reguladores, o nosso processo permite que o consorciado consiga receber o valor acertado à vista em poucos dias, sem sair de casa, com total segurança e acompanhamento personalizado.

Quais os grandes diferenciais da fintech em sua visão?

No BomConsórcio, um consorciado desistente consegue receber de imediato uma proposta para a venda da sua cota, customizada por Inteligência Artificial e assegurada por grandes veículos de investimento. Além disso, nós investimos em processos sofisticados de segurança da informação e governança de dados, tornamos processos antes burocráticos e manuais em esteiras 100% digitais e escaláveis, atendendo consorciados de todo o país com a mesma agilidade e em consonância com regras sólidas de compliance das próprias Administradoras. Temos total compromisso com o fortalecimento do segmento de consórcios.

Por que esses diferenciais são fundamentais no mercado secundário de consórcios?

O mercado de consórcios cresce a cada ano e é hoje uma das principais ferramentas para realização de sonhos de boa parte da população brasileira, notadamente das classes B, C e D. Só que uma parcela significativa dessas pessoas, normalmente enfrentando dificuldades financeiras, por vezes, se vê obrigada a mudar de planos e cancelar suas cotas, e não havia até então uma maneira prática de devolver antecipadamente a esses consorciados desistentes os recursos investidos com segurança e taxas justas.

Conseguindo solucionar todos esses elementos, desde o início das operações, o BomConsórcio já mudou a realidade de cerca de 30 mil famílias brasileiras, com a transferência de R$ 260 milhões em créditos. Atingimos em 2021 a marca de 87 mil cotas em negociação, representando cerca de R$800 milhões em direitos creditórios. Essa operação tem, inclusive, impactado a percepção dos consorciados sobre o próprio sistema de consórcios. Nossas pesquisas revelam que cerca de 80% dos consorciados desistentes atendidos se dizem mais confiantes em adquirir novas cotas, sabendo que, caso haja algum imprevisto, eles têm a opção de recuperar rapidamente o dinheiro pago conosco. Como ocorre em outros segmentos da economia, um Mercado Secundário estruturado traz liquidez e segurança, fortalecendo e fomentando o Mercado Primário.

Ser 100% digital em um dos momentos mais complexos da nossa história faz a diferença?

Sem dúvida. A pandemia só acentuou a necessidade de serviços que possam ser acessados de forma 100% digital. E nós sempre tivemos essa preocupação, pensando em segurança, escalabilidade e na importância da acessibilidade dos nossos serviços a consorciados de todo o Brasil. Desde o oferecimento de propostas para venda, passando pelo envio de documentações, assinatura dos contratos por todas as partes envolvidas, tudo é digital. E esse modo de operação trouxe reflexos positivos importantes, visto que pudemos colaborar com um número significativo de pessoas especialmente afetadas pela crise econômica derivada da pandemia, promovendo a devolução de recursos muitas vezes essenciais para quitação de débitos e manutenção de planos de pequenas empresas e núcleos familiares.

Em que momento ser lucrativo e trazer retornos para a sociedade se tornou o norte para o BomConsórcio?

Pensar além dos resultados econômicos faz parte de nosso DNA, é parte de nossas crenças e valores, está em nosso planejamento, em nossas práticas, em nosso core business. O compromisso com o impacto socioambiental consta no estatuto da empresa aprovado pelos acionistas e destaca-se nas atribuições do Conselho de Administração e Diretoria. Acreditamos que todas e qualquer ação gera impacto, e nós nos comprometemos, como indivíduos e empresa, a fazer todo o possível para maximizar os nossos impactos positivos e neutralizar os negativos.

A saúde financeira dos consorciados é importante para todos: indivíduos, famílias e sociedade, sobretudo num momento desafiador como o que estamos vivendo. Mais de 30 mil famílias já foram atendidas pelas soluções do BomConsórcio e, em pesquisas de satisfação com esses consorciados, identificamos que aproximadamente 65% das pessoas que venderam suas cotas o fizeram para amortizar dívidas.

Encontrar mecanismos para colaborar com o reequilíbrio das finanças de quem está inadimplente ou teve sua cota cancelada é um compromisso do BomConsórcio e das instituições parceiras. Além disso, nós incentivamos também uma educação financeira inclusiva, que seja capaz não somente de promover conhecimentos sobre o sistema de consórcios, nossa vertical de atuação, como também capacitar e dar segurança à comunidade para a tomada de decisões conscientes sobre o uso e gerenciamento do próprio dinheiro.

Qual a importância de ser parte do Sistema B para a fintech?

Para nós motivo de orgulho e grande responsabilidade. O Sistema B é um movimento global que utiliza a força dos negócios para construir uma economia muito mais inclusiva e sustentável. Ser uma empresa certificada B reflete, portanto, um compromisso que nós temos desde a fundação do BomConsórcio de contribuir para um mundo melhor por meio da promoção do crescimento econômico sustentável, da educação financeira inclusiva e da transparência, ética e integridade com todos os nossos públicos de relacionamento. Temos muito orgulho de sermos a primeira empresa do segmento de consórcios certificada pelo Sistema B.

Como as empresas que recebem a certificação B são vistas pelo mercado?

As empresas certificadas B têm um compromisso intimamente relacionado à pauta ESG (do inglês Environmental, Social and Governance), são movidas por propósitos, comprometidas com impacto e têm sido cada vez mais priorizadas nas escolhas de trabalhadores, consumidores e investidores em todo o mundo. Em momentos de crise como a que estamos passando globalmente, é de senso comum que essas empresas estão mais preparadas para lidar com questões internas (porque já possuem uma estrutura atenta à proteção dos colaboradores, fornecedores e parceiros) e têm uma contribuição muito significativa para a sociedade, já no seu DNA – tudo isso sem perder a capacidade de operar orientadas por resultados. Os cidadãos, de maneira geral, também se identificam e têm uma simpatia maior ao perceber que não estão sozinhos, e que há instituições comprometidas em atentar para impactos positivos e atitudes construtivas.

Vocês conquistaram também o selo Carbon Free. Fale um pouco mais sobre isso.

O BomConsórcio conquistou o selo Carbon Free por compensar 100% da emissão de gases de efeito estufa (ou GEE), nocivos à atmosfera. Para esta compensação, foram plantadas árvores nativas da Mata Atlântica, em número correspondentes ao índice de emissão calculado após avaliação de todos os fatores potenciais emissores de GEE na empresa.

O Programa Carbon Free viabiliza a neutralização dos danos causados ao Meio Ambiente pelas atividades de pessoas e organizações, a partir de ações de reflorestamento em áreas degradadas da Serra da Mantiqueira. Além de realizar os cálculos, a organização não-governamental Iniciativa Verde, responsável pelo programa, viabiliza também as pesquisas e estudos para a definição dos locais de plantio, das espécies a serem plantadas e da sua manutenção, tudo de acordo com as necessidades locais, como nível de degradação e diversidade ecológica do ambiente.

Outras ações visando à diminuição de impactos nocivos ao Meio Ambiente já vêm sendo adotadas pelo BomConsórcio nos últimos anos, desde a digitalização inicial de todos os processos internos e externos (zerando o consumo de papel em milhares de operações realizadas mensalmente), até o gerenciamento e busca de eficiência energética nas instalações da companhia, além do fomento a atitudes sustentáveis por todos os colaboradores dentro e fora do ambiente corporativo.

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