Fábrica tem a criatividade como grande diferencial

Denilson Shikako

Primeira consultoria com plano de assinatura mensal, Fábrica de Criatividade (fundada pelo empreendedor Denilson Shikako) supera as 100 equipes exponencializadas e 1.700 treinamentos e workshops. Nascida em 2010, a partir do desejo de potencializar habilidades de pessoas reais dentro das empresas, a Fábrica de Criatividade é a primeira consultoria de inovação do Brasil a oferecer um plano de assinatura mensal e possui mais de 100 clientes em todo o país. Desde a criação, já foram realizados mais de 1.700 treinamentos e workshops, exponencializadas mais de 100 equipes e impactadas positivamente a vida de milhares de pessoas. O NPS, metodologia que mede a satisfação dos clientes é de 86%. O objetivo da empresa é identificar e desenvolver os talentos únicos de cada indivíduo, viabilizando a aplicação prática deles nas diversas situações do dia a dia. Além disso, a Fábrica de Criatividade parte de um princípio básico entre os clientes a quem oferece consultoria: obrigatoriamente, obter um UAU. Isso mesmo, aquela reação cotidiana que temos, especialmente, em momentos satisfatoriamente bons, é a meta da Fábrica de Criatividade. “Acabamos de ter uma conversa super inspiradora sobre inovação, sobre como, de fato, fazer a diferença nas organizações. Acho que é muito legal que vocês trazem que cada pessoa pode ser protagonista, cada pessoa pode fazer a diferença”, suspirou Ricardo Guerra, CIO do Itaú, um dos cases da Fábrica.

Denilson, como podemos definir a criatividade num mundo que está altamente conectado?

Costumo brincar que antes, quando você apresentava um projeto na escola, apresentava em uma cartolina. Lembro que apresentei uma cartolina. E o meu concorrente, que era meu amiguinho, mostrava uma cartolina adversária. Era cartolina vs. cartolina. Hoje, a referência mudou. Porque a nossa referência é o mundo. Não tem mais a concorrência local. Temos concorrência global. Então, no mundo onde está tudo nivelado por cima, porque conseguimos ter acesso a tudo, a criatividade se tornou um dos maiores bens, porque você consegue fazer diferente, já que hoje a referência é global, é um dos maiores desafios de qualquer empresa. Então, a criatividade é imprescindível e mais ainda em um mundo altamente conectado.

Como as empresas têm lidado com a criatividade?

Acho que tem vários níveis de criatividade e maturidade nas empresas. Há empresas que perceberam isso e colocaram isso como prioridade 1, 2 e 3 e empresas que estão engatinhando no processo criativo. No Brasil, sinto que, principalmente, no pós-pandemia, precisaram se reinventar e perceberam que a criatividade é mega imprescindível. Então, sinto que é um cenário que está em plena e franca evolução em todas as empresas.

Por onde passa essa potencialização da criatividade dentro dessas organizações?

Acho que passa quando você entende o benefício que ela traz e aí, costumo falar que para potencializar muito mais rápido, quando tem a liderança comprometida com isso. Tenho um workshop, inclusive, que fala sobre a diferença entre o Ok e o UAU. Fomos treinados, a vida inteira, para entregar coisas Ok. Só que o UAU é muito melhor. O UAU traz mais resultados, traz mais dinheiro e a gfoi treinado para entregar coisas Ok. Então, para conseguir mudar o mindset e trazer o UAU, tenho o exemplo que aplico nos workshops sobre os óculos, em que conseguimos ouvir música e ser um celular. Então, porque os óculos precisam ser somente óculos? Não pode ser algo a mais? Mas, para ter algo a mais, alguém tem que pensar e é alguém de uma empresa, uma pessoa, que precisa ser capacitada para este processo, já que ela não foi treinada a vida inteira para isso, pelo contrário. Treinada a vida inteira para pensar no padrão, para pensar no Ok. Aprendemos a pensar em um padrão, porque fomos ensinados assim. Mas, também podemos ser ensinado a pensar fora da caixa, no UAU. A potencialização da criatividade nessas organizações, envolve o pensamento estratégico em criatividade, de preferência vindo da liderança.

Quais habilidades são fundamentais para esses profissionais que compõem essas empresas?

As habilidades para os profissionais que acompanham as empresas, na minha opinião são três para exercerem o processo criativo. A primeira é a curiosidade. Não ter medo de olhar o novo e entender que o novo pode ser bom. A segunda habilidade vem com a primeira e fala sobre a autoconfiança. Não existe pergunta ruim. A única pergunta ruim é a que não é feita. Não ter medo de arriscar e pensar de um modo diferente. É ter autoconfiança para isso. E não ter medo de errar. E a terceira é sempre buscar uma resposta diferente. O profissional não se contenta em buscar algo novo, uma nova resposta.

Como surge a Fábrica de Criatividade nesse ecossistema?

Ela, inclusive, surgiu dessas demandas. No começo mesmo, como fundador, sempre fui uma pessoa que gostava de fazer coisas criativas. Então, na hora de fazer uma campanha na minha escola, para cobrir a quadra, estava na quinta série e todo mundo: vamos fazer uma campanha para cobrir a quadra, já que a nossa escola não tinha dinheiro para fazer a cobertura. Conseguimos fazer uma campanha super criativa que mobilizou todo mundo. Tenho uma redação, da quarta série, que falei o que queria ser quando crescer. Todo mundo falava médico, advogado, queria ser inventor Sempre gostei de coisas diferentes. E quando tinha uns 18, 19 anos, um amigo meu abriu uma escola de reforço escolar. Dei várias ideias e foi o meu primeiro cachê para sugerir ideias criativas. A partir daí perceber que não era só uma pequena escola, mas uma empresa grande, de médio porte, dentre outros. Descobrimos inclusive uma empresa nos EUA que fazia algo similar e aí, começamos a estudar para fazer isso acontecer. Então, no Brasil nós somos a primeira consultoria de criatividade. A Fábrica de Criatividade surgiu nessa demanda, onde percebeu que as pessoas podiam aprender o processo criativo como método e não como uma coisa sem querer, aleatória, que dependesse de varinha mágica. Existe um processo para você ter ideias criativas.

Quais os principais pilares da consultoria?

Hoje, temos três grandes pilares. O primeiro é o de consultoria, ou seja, o de resolver problemas. As pessoas têm problemas e ajudamos a pensar de forma diferente. Por exemplo: criar um supermercado sustentável. Fizemos o Pão de Açúcar. Pode ser criar um novo formato de tampinhas; Pode ser criar uma molécula, que você põe em uma roupa e emite um raio ultra vermelho e trata a sua pele; Se você usar uma calça jeans com essa molécula seis horas por dia, durante dois meses, por exemplo, elimina até 60% da celulite. Criar um produto novo para a Classe C, fizemos, por exemplo, o IFood. Nosso primeiro pilar, ou seja, o primeiro braço, é o de consultoria. As empresas trazem os problemas e ajudamos essas empresas a resolver os problemas por meio de processos criativos.

Nosso segundo pilar é o de Treinamento, aos quais percebemos que as pessoas podem ser capacitadas para elas mesmo darem suas ideias. Costumo brincar que o maior ativo de criatividade de uma empresa se refere às pessoas que trabalham nela, desde o chão da fábrica até o presidente, da faxineira ao trainee. Quando conseguimos capacitar essas pessoas como método, criatividade é igual aprender a mexer no excel, a falar inglês, a andar de bicicleta, ou seja, é um processo que você aprende e depois potencializa os resultados na empresa. Então, as pessoas aprendem inovação de um jeito teórico, empírico e prático. Nosso terceiro pilar é o de ecossistema. Também ensinamos pessoas a criarem sistemas de inovação, desde a geração da ideia, até a estruturação desta mesma ideia no papel. Como você coloca um problema no papel, como registra isso, como vira uma ideia e como essa ideia vira um projeto, como esse projeto vai virar um protótipo e como esse vira uma escala. Criamos esses ecossistemas com as áreas da empresa ou com a empresa inteira, criando um ecossistema de inovação.

Podemos dizer que a inovação é o norte da Fábrica?

A inovação não é o norte da Fábrica. O norte se refere aos resultados para as empresas que nos contratam. A criatividade não é o norte, é o ponto de partida. O ponto de chegada é o resultado incrível.

Por que essa inovação é tão importante para um mundo em constante ebulição?

É quase que uma pergunta retórica. É exatamente por estar em ebulição que o mundo está em mudança. A única coisa que não muda, é a mudança. Se sabemos que a mudança é a única coisa que não muda, como que vamos estar em um mundo com mudança constante? A resposta é com criatividade. Ela é a base para que consigamos viver em um mundo em constante ebulição.

Como a Fábrica tem trazido as pessoas para serem protagonistas em seu ambiente?

Essa é, inclusive, a base do nosso processo. Acreditamos que quem faz a mudança são as pessoas e quando elas entendem que não é o chefe, não é o pai, não é o amigo. Até fiz um projeto para o Ministério da Educação, uma das coisas que propus para as pessoas é que se você pudesse mudar alguma coisa na educação do Brasil, o que você mudaria? Aulas de problemas na quinta série. É igual ter aulas de geografia, de história, de ciências. Imagina ter aula de quinta série, onde ensinassemos as crianças desde a quinta série que o problema é delas. Então, tem uma aula de problema: põe o problema no papel e a criança vai aprender a estruturar os problemas. E depois que ela coloca um problema no papel: o problema é que queria mais aula de educação física ao invés de matemática, o problema é que meu pai briga com a minha mãe. Eles colocariam isso. E aí, quando acabou de colocar o problema, a professora falaria: agora, você quem vai ter que resolver o problema: o que você falaria?

Aí, o menino que colocou que queria conquistar a menina, vai procurar no Google “Como conquistar meninas da quinta série”. O que estava pensando em aulas de educação física, vai pensar em uma solução: se pedisse para o diretor que se a classe toda tirasse sete em matemática ou mais, no próximo trimestre, conseguiríamos trocar uma aula de matemática por uma de educação física. O menino que tem o pai que briga com a mãe, vai falar: professora, pensei em uma resposta e não achei. Me ajuda? Mas o que as pessoas perceberiam é que o problema é delas. Não é o chefe, não é o pai, não é o professor, não é a sociedade, não é o Governo que tem que criar uma solução. Você é o agente da solução, só que precisamos ser treinado para isso. Temos que trazer as pessoas para o protagonismo da inovação. Não precisa ser Einstein ou Steve Jobs para inovar. Isso pode começar no dia a dia das pessoas com coisas simples desde que entenda que é o protagonista disso.

Quais os desafios que devem ser superados quando se quer ser um protagonista?

Brinco que a criatividade envolve duas coisas: propósito e consciência. Quando você tem propósito, ou seja, você faz de propósito. Não é fazer sem querer, só porque é aleatório. Não é cair um raio na sua cabeça e ter uma ideia. Quero começar a entender o que é criatividade. E a segunda é a consciência: a partir do momento que quero, o que vou fazer para isso? Vou dedicar um tempo da minha agenda para isso? Vou entrar num curso para isso? Vou começar a resolver problemas com efeitos diferentes? Então, quando você tem propósito e consciência, você consegue ser protagonista da inovação. Então, os desafios que devem ser superados, são esses: trazer propósitos e consciência na vida dos colaboradores e das pessoas para virarem protagonistas.

Fale um pouco mais sobre os treinamentos e workshops da consultoria.

Temos várias trilhas, hoje, de inovação e temos desde: Por exemplo, nosso workshop número 1, que é a nossa base, se chama fator UAU, que é exatamente aquilo que contei que é a mudança das pessoas, mudar o mindset, e perceber que o UAU traz muito mais resultados, é muito mais legal, muito mais vantajoso e aí, as pessoas perceberem. Mas tem outro treinamento sobre, por exemplo, como pensar fora da curva. Primeiro ensinamos o que é curva e depois como pensar fora dela, usando pessoas que foram fora da curva na história, como algoritmo, em todas as ferramentas. Então, treinamos, faz uma pesquisa para entender o padrão e depois fazemos os treinamentos para entender o que faz ser fora do padrão para cima do padrão. Temos um workshop de Problem Solving em que as pessoas aprendem a colocar problemas no papel. Ninguém nunca aprendeu a colocar problemas no papel. Tem uma frase do Einstein que fala: se tivesse que resolver o problema em uma hora, passaria 55 minutos pensando no meu problema. Só que sempre faço um desafio. Quem aqui tem algum problema escrito no papel? A maioria das pessoas nunca tem. Até ofereci dinheiro para quem tiver, porque as pessoas pegam o problema e já vão resolvendo. Só que não aprendemos a colocar o problema no papel de um jeito estruturado. Tem um curso em Harvard, que demora seis meses, que é como aprender a estruturar um problema. São 19 perguntas que você tem que fazer, antes de ter um bom problema.

Então, aprender a colocar problema no papel é uma das vantagens competitivas quando você tem um método. Aprendemos esse método e ensinamos esse método em um outro curso nosso. Então, temos outro jeito de aprender a fazer vender uma ideia. Não adianta ter uma ideia, se ninguém compra, então aprender a vender é uma parte importante. Então, basicamente os nossos treinamentos se baseiam nas etapas da inovação, desde a geração da ideia, desde a colocação do problema no papel, fazer esse problema ter respostas criativas. Temos um algoritmo chamado Foca Pimba que é um outro treinamento. Temos 14 ferramentas para gerar 42 respostas para qualquer problema. Então, qualquer problema, brincamos que tem 42 respostas esperando. Temos que saber como buscar e aí ensinamos como buscar através de ferramentas, através de algoritmos. Então, basicamente todos os nossos projetos envolvem todas as etapas de um processo de inovação. Eles são independentes. Podem ser separados ou dentro de uma trilha.

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