Vinicius Oliveira: “Temos grande experiência em negociações”

 Vinicius Oliveira

O mundo das aquisições e investimentos tem uma linguagem própria e que a cada dia se modifica com novos conceitos. Sendo assim, a capacitação e atualização devem ser constantes. Pensando nisso, um grupo de empresários especialistas em aquisições e M&A criou o IDEFA (Instituto de Desenvolvimento Empresarial e Fusões & Aquisições). A instituição é a primeira associação civil a focar no desenvolvimento das atividades das empresas de médio porte e do setor de fusões e aquisições no Brasil. “Tratamos o IDEFA como uma forma de promover o crescimento sustentável do setor de fusões e aquisições no Brasil, através do desenvolvimento das empresas de médio porte e dos profissionais que atuam nesse segmento”, explica Vinicius Oliveira, sócio da Redirection, uma das fundadoras do Instituto. “Paralelamente, queremos educar o setor com iniciativas como este e-book gratuito, que introduz esse mundo aos interessados. Serão lançados materiais trimestrais, de diversos assuntos, sempre com esse intuito”. O Instituto também promoverá eventos, networking e pesquisas de mercado, além dos conteúdos já mencionados, como forma de estimular a cultura no setor. “Nosso próximo conteúdo, também já disponível para download é sobre o papel do assessor financeiro e jurídico em uma transação, quais os limites de atuação dessas diferentes equipes e a importância de tê-los ao seu lado”, antecipa Oliveira.

Vinicius, como você analisa as Fusões & Aquisições no ano de 2021 em nosso país?

O mercado de M&A (mergers and acquisitions) no Brasil está muito aquecido em 2021. Diversas fontes apontam que teremos valores recordes para este ano.

Por exemplo, segundo a Dealogic, consultoria que coleta dados do mercado financeiro, até o primeiro semestre de 2021 as operações de M&A já haviam totalizado US$52,1 bilhões, enquanto que o valor total do ano passado inteiro foi de US$45,9 bilhões. Dados mais recentes do portal Fusões e Aquisições também apontam crescimento no volume em número de transações. Segundo o portal, até agosto de 2021 haviam sido realizadas 1.181 operações de M&A, enquanto que no mesmo período (8 meses) de 2020 esse número foi de 637. Ou seja, um crescimento de mais de 85%.

Sendo assim, 2021 tenderá a ser um ano com volumes e valores altos para o mercado de M&A. Com a retomada dos IPOs, empresas com caixa para aquisições, essa busca por aquisições tenderá a continuar.

As Fusões & Aquisições brasileiras cresceram 48%. Por que esse crescimento se tornou tão vertiginoso em sua visão?

Acho que a resposta para essa pergunta se deve a conjunto de fatores:

1. Empresas brasileiras com mais conhecimento sobre M&A e buscando o crescimento inorgânico: Vemos cada vez mais empresas brasileiras médias adotando uma estratégia de crescimento via aquisições. O que antes era mais comum para empresas estrangeiras, ou empresas com capital aberto, hoje já vemos também negócios de médio porte.

2. IPO: muitas empresas abriram capital entre 2020 e 2021 – Essa abertura capitaliza as empresas a continuarem seu plano de expansão. Muitas das vezes a principal estratégia para utilização de capital é a busca por aquisições de novos negócios.

3. Câmbio/Taxa de juros: real desvalorizado diminui o risco para a entrada de moeda estrangeira. Ou seja, o timing pode ser bom para se alocar capital no Brasil, tendo em vista somente o risco cambial. Ainda, taxas de juros nacionais e internacionais em baixo patamar aumenta a procura por ativos que possam pagar maiores retornos.

4. Alguns setores estão no início de seu processo de consolidação: Saúde e Tecnologia, principalmente.

Quais setores podemos destacar neste ecossistema?

Dentro de todo esse aspecto, vale destacar dos setores, já comentados na pergunta anterior:

Saúde e Tecnologia.

Saúde: Temos visto a consolidação recente desse mercado. Principalmente no segmento de Hospitais privados. Recentemente tivemos o IPO de diversas empresas desse segmento (Hapvida, Intermedica, etc.). Além disso, diversos fundos de Private Equity também investiram no setor. Isso fez com que se iniciasse uma consolidação das operações regionais e menores. Esse era um segmento que ainda sofria com falta de governança, escala e também novas tecnologias. Esse movimento também foi ajudado com a permissão da entrada de capital estrangeiro, que se deu em 2015.

Tecnologia: A transformação digital em muitos negócios e a busca por novos negócios e inovações com grande potencial de crescimento tem feito com que o segmento de TI sempre fique no topo em volume de processos de fusões e aquisições nos últimos anos.

A lógica de comprar ao invés de fazer um crescimento orgânico é mais interessante atualmente?

O crescimento orgânico poder ser muitas vezes mais demorado e custoso para a estratégia em determinados segmentos. A absorção de uma nova tecnologia/conhecimento, ganho de escala, entrada em uma nova região, tudo isso demandaria muito tempo para se atingir e alto risco, se fosse feito de forma orgânica. Por isso, para ganhar tempo, acelerar os ganhos, muitas empresas optam por adquirir empresas que já possuem a tecnologia/produto que possuem interesse, que já estejam consolidadas na região que possuem interesse de entrar e não começar isso do zero. Claro, será necessário pagar um prêmio por isso, mas os retornos esperados também se darão de maneira muito mais rápida. O grande ponto em relação ao crescimento via aquisições é a empresa ter bem desenhado sua estratégia. Que alvos realmente fazem sentido, que empresas trarão maiores sinergias. Fazer aquisições a esmo, sem um plano bem definido pode levar a uma destruição de valor.

Em quais estados do país houve mais fusões e aquisições?

Os estados que concentram o maior número de empresas e produção econômica tendem a ter o maior volume em operações de M&A. Portanto, São Paulo tende a estar sempre no topo desse ranking. No entanto, cabe destacar alguns estados que tem sido alvos de aquisições, principalmente o Paraná, onde recentemente foram anunciadas diversas operações no segmento de saúde. Desde o final de 2019, foram anunciadas mais de 12 operações de fusões ou aquisições no estado, movimentando mais de R$4 bilhões, mais de 500 mil beneficiários e quase 1.400 leitos de internação.

Como se deu a criação da Redirection?

Os dois sócios fundadores da Redirection (João Caetano e Cláudio) trabalhavam juntos em outra empresa do segmento sediada em São Paulo. Em 2006 decidiram fundar a Redirection, inicialmente com foco em M&A e turnaround, por conta nova Lei de Recuperação de Empresas e Falência, aprovada em 2005.

Quais os grandes diferenciais da consultoria?

Ao longo dos anos houve uma evolução das atividades e atualmente a Redirection é focada em em atender o middle market, geralmente negócios entre 10 e 100 milhões de dólares. Temos grande experiência em negociações envolvendo empresas de diferentes países (crossborder) e também na assessoria pelo lado dos compradores (buyside).

Em que pilares se baseia a estratégia da Redirection?

Embora o escopo de atuação tenha mudado um pouco durante os 15 anos de vida, os pilares da Redirection sempre foram os mesmos: adicionar valor para as empresas e seus sócios, com base em nossa grande expertise e através de um atendimento completo e personalizado.

Qual a importância da IDEFA no cenário atual?

A IDEFA é fundada justamente nesse cenário em que mais empresas médias e nacionais estão buscando crescer via aquisições. Isso faz com que seja necessário que as empresas comecem a se preparar para passar por um processo como esse, tanto do lado de quem está buscando a consolidação, o comprador, quanto das empresas que poderão ser adquiridas. Dessa forma, a IDEFA tem como objetivo gerar conhecimento para todo esse ambiente de negócio, principalmente para o segmento de empresas médias, para que ele possa se preparar melhor, através das melhores práticas, e ter um melhor conhecimento.

Por que a educação é fundamental para o seu setor de atuação?

Muitos empresários nunca passaram por um processo de compra e venda de um negócio. Para um empreendedor normal, isso acontecerá, quando muito, uma vez na vida dele. Ou seja, há um grande desconhecimento de como esse processo de aquisição de uma empresa se dá. Muitas vezes ele é comparado erroneamente com a venda de um imóvel, que é uma operação muito mais simples. Pensar uma operação de compra/venda de uma empresa requer organização prévia dos números, entendimento completo do negócio, sua estratégia, seu histórico, para que tudo isso possa ter compartilhado com quem analisará sua compra.

Além disso, é preciso entender que há técnicas para avaliação de um negócio. Portanto, ter o conhecimento do valor da sua empresa a partir de modelos técnicos e não pela história e apego sentimental é muito importante para ter sucesso em um processo como esse. Conhecer as etapas de um processo de venda/compra de uma empresa também é muito importante, principalmente para assegurar que informações importantes não sejam compartilhadas antes da hora para um possível concorrente, por exemplo. Ou seja, há uma gama enorme de procedimentos e melhores práticas que são importantes para o empresário entender minimamente para que ele possa basear suas decisões da melhor maneira para o seu negócio.

O que Instituto promoverá e que você acredita ser bastante plausível para um mundo em constante transformação?

O Instituto terá várias frentes para conversar com esse empresário. Promoverá palestras onde as empresas associadas trarão sua equipe para compartilhar sua experiência, que vai desde assessores financeiros, como a Redirection a advogados. Além disso, o IDEFA já vem publicando alguns e-books com conteúdos relevantes para entender o processo de M&A. Dois já foram lançados: (i) Guia Prático de Avaliação de Empresas (Valuation). Além disso, temos compartilhado diversos artigos e matérias ligados ao mundo de Fusões e Aquisições. Convido aos leitores a seguir o IDEFA nas redes sociais: LinkedIn e Instagram.

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