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A inclusão digital e social através dos games

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Na entrevista exclusiva concedida ao Panorama Mercantil, Ricardo Chantilly, diretor executivo e idealizador do DiversiGames, compartilhou a visão inspiradora por trás deste projeto inovador. O DiversiGames surge como um hub revolucionário que conecta ações de ESG (Environmental, Social and Governance) e Games, visando apresentar o vasto universo dos jogos eletrônicos a grupos minorizados. Com um olhar direcionado a crianças, adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade social e econômica, assim como pessoas com deficiência, negros e membros da comunidade LGBTQIAPN+, o DiversiGames emerge como uma ponte para oportunidades até então inexploradas. Chantilly delineia o propósito multifacetado do projeto, que não apenas oferece acesso à cultura gamer e tecnologia, mas também fomenta a criatividade, conscientiza sobre questões sociais cruciais e abre portas para oportunidades de carreira na indústria dos jogos. Por meio de oficinas gratuitas que abrangem desde jogos populares como Fortnite e Minecraft até programação e desenvolvimento de jogos, o DiversiGames se adapta às necessidades e interesses dos participantes, inclusive aqueles com deficiências, promovendo inclusão genuína. A entrevista destaca ainda a importância do letramento digital e da cultura gamer como ferramentas capacitadoras para os grupos minorizados, evidenciando como essas habilidades podem impactar positivamente suas vidas.

Qual é a visão por trás do DiversiGames e como você enxerga seu papel na promoção da inclusão social e digital através da cultura gamer?

O DiversiGames chega ao mercado com uma proposta inovadora, como um hub que transversaliza ações de ESG e Games e apresenta o universo bilionário dos games a grupos minorizados, como crianças, adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade social e econômica, moradores de favelas ou de outras localidades, pessoas com deficiência (PcD), negros e representantes da comunidade LGBTQIAPN+. São pessoas interessadas – e fascinadas – pelos jogos eletrônicos, mas com pouco ou nenhum recurso para usufruir deste entretenimento que oferece diferentes possibilidades de formação e experiências. O projeto é inédito, proporciona o acesso à cultura gamer, a tecnologia e inovação, incentiva a criatividade dos participantes, permitindo a criação de jogos, histórias e conteúdos; conscientiza alunos e alunas sobre questões sociais importantes como preconceito, discriminação, saúde mental e meio ambiente; e gera oportunidades de trabalho e carreira aos jovens que desejam seguir como desenvolvedores, testadores, designers de jogos, jogadores ou casters, entre outras funções. Além disso, desenvolve aptidões como resolução de problemas, pensamento crítico, trabalho em equipe, comunicação, empatia e habilidades sociais através de atividades de jogos multiplayer. Trabalho neste segmento gamer há cinco anos, levando inclusão digital para lugares onde não há acesso porque, de fato, existem locais em que há uma barreira invísivel onde a tecnologia não entra, como em muitas comunidades, por exemplo. Geralmente as crianças e jovens só conseguem ter conexão de rede, pelo celular e, com isso, acessa as redes sociais. Não há internet de qualidade então esta criança, este jovem não tem educação digital, letramento digital, infelizmente. Nosso objetivo é oferecer infraestrutura de primeira, aliar entretenimento e aprendizado, transformando vidas e gerando impacto positivo.

Quais são os cursos específicos que o DiversiGames oferece para seus alunos e como esses cursos são adaptados às necessidades e interesses desses grupos?

O DiversiGames apresenta diversas oficinas gratuitas de games, com cursos de Fortnite, Minecraft, League of Legends, Valorant, FreeFire, Legends of Runeterra, Programação e Desenvolvimento de Jogos 2D, Scratch 3.0 e Creator (Criação de Conteúdo). Nos dois centros de formação do projeto, as inscrições são feitas presencialmente e cada aluno pode escolher o curso que deseja conforme o seu interesse. A metodologia de ensino e os espaços foram adaptados para Pessoas com Deficiência (PcD) também.

Qual é a importância do letramento digital e da cultura gamer para os grupos minorizados que o DiversiGames busca alcançar?

Vou responder essa pergunta com um exemplo: dois jovens de uma favela ou de uma comunidade carente, com 18 anos, vão participar de uma entrevista de emprego para um hotel de luxo de Copacabana. São amigos de infância. Um participou do DiversiGames e o outro não. Provavelmente o que não participou, não sabe mexer em um computador nem falar qualquer outro idioma diferente do português. O que fez parte do projeto e fez os cursos que oferecemos, sabe falar inglês, usar o Google Drive, enviar e-mails, fazer planilhas de Excel, além de saber produzir conteúdos e desenvolver jogos ou fazer programação de jogos. Isso fará diferença e as oportunidades para os dois jovens serão diferentes, seja na hora de obter um emprego ou qualquer tipo de trabalho remunerado. O que tiver mais conhecimento ou habilidades poderá alçar vôos maiores, então o letramento digital por meio da cultura gamer ganha importância neste sentido e se manifesta em diferentes momentos, mudando realidades e transformando vidas.

Qual é o impacto que você espera ver na vida dos participantes do DiversiGames a longo prazo?

Um dos nossos principais objetivos é a geração de renda através dos games. Queremos que os participantes do projeto conduzam a sua vida da melhor maneira possível e fazendo o que gosta, de uma forma lúdica e encantadora. Queremos descobrir talentos no mundo digital. O projeto oferece uma espécie de pacote de cidadania, com todo tipo de ensinamento, e é com este aprendizado que cada um vai conseguir mudar sua vida ou conduzir de uma forma diferenciada dentro da realidade em que vive. Nestes anos em que trabalhei em projetos com jogos eletrônicos, vi uma menina de 12 anos virar programadora e fazer um trabalho muito bem feito. Essa transformação é muito rápida, de fato, e são mudanças positivias que esperamos ver hoje e futuramente ao oferecer oportunidades para esses talentos, de orientação sexual diversa, pessoa negra, PCD e, principalmente, pessoas que estão conosco pelo desejo de mudar a própria realidade e de sua família.

Como você vê o papel das parcerias com ONGs e empresas na expansão e sustentabilidade do DiversiGames?

Quanto mais conexões tivermos, mais oportunidades e portas abertas serão criadas para aqueles que querem fazer parte do mundo dos games, mas tem pouco ou nenhum acesso ao universo digital. Promovemos ainda mais transformação e inserção. Por isso estamos abertos a trabalhar com empresas e ONGs. No Rio de Janeiro, temos patrocínio da Águas do Rio e do Instituto Aegea e Enel Rio, além do Ministério da Cultura, através da Lei de Incentivo à Cultura, e do Governo do Estado, através da Secretaria Estadual de Cultura. E como apoiadores do projeto temos a plataforma TikTok, do canal Woohoo e da DT3, além da parceria com a Prefeitura de Niterói. E em São Paulo, cidade onde o projeto estará em breve, ainda neste primeiro semestre, firmamos parcerias com duas ONS, a Gente de Perto, que atende menores em situação de risco e extrema vulnerabilidade, e a Decor Social, que promove ambientes de moradia saudável, alegre e acolhedor para crianças e adolescentes que vivem em abrigos, a partir da reforma e decoração desses locais. Vamos ter um centro de formação na Praça da Sé, região central de São Paulo, em parceria com estas ONGs, por exemplo. E parcerias com empresas também são fundamentais. Às vezes algumas delas começam com pequenas ações e participações, mas depois entendem a importância de investimentos em projetos sociais e, no nosso caso, percebem que a nossa iniciativa inclusiva tem um propósito muito maior e acabam virando parceiras de anos.

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Qual é o papel dos embaixadores e líderes de projeto no DiversiGames e como eles contribuem para a missão do projeto?

São cinco embaixadores e líderes do projeto: o Renan Macedo de Farias (21 anos), Márcio dos Santos Correa (26 anos), Caio Luiz Mendes Da Silva (21 anos), Maria Luiza dos Santos de Sousa (19 anos) e Maria Luiza do Nascimento Santos (24 anos). Eles são jogadores profissionais (Pro Players) e criadores de conteúdo, que moram em diferentes comunidades do Rio e hoje representam a DiversiGames. Eles fazem parte do projeto como um todo, participam de decisões, criam conteúdos, representam o projeto em diferentes lugares e eventos, apresentando também suas histórias de transformação, que servem de exemplos para muitas crianças e jovens. Em São Paulo, quem estará na linha de frente, trabalhando com os jovens que vivem em situação de risco e vulnerabilidade, é um dos nossos embaixadores porque ele já viveu situação parecida e certamente pode contribuir ainda mais para mostrar como sua vida mudou com os games. Todos os embaixadores, que consideramos como nosso squad de diversidade, são remunerados pelo trabalho que desenvolvem.

Quais são os critérios para selecionar os jovens talentos e criadores de conteúdo que possam representar o DiversiGames em eventos como a Gamescom, futuramente?

Na verdade, o critério é simples: basta fazer parte do nosso projeto, como aluno, e se destacar, seja pela história de vida, pela vontade de mudar de vida, pela perseverança. Já encontramos diversos talentos dentro do projeto e, naturalmente, damos visibilidade a eles com o que tem de melhor.

Qual é o potencial da tecnologia e dos jogos eletrônicos na educação e no desenvolvimento pessoal das crianças e jovens atendidos pelo DiversiGames?

O potencial de mudança nos grupos minorizados com que trabalhamos, principalmente nos jovens em situações de risco, é muito grande. Todos querem estar na frente de um computador, de mexer com aquele equipamento que parece mágico, de estar ali, naquele metaverso que existe do outro lado, mas não conseguem ter acesso. Então a transformação, o que a tecnologia faz é muito rápido, todos aprendem rápido, é impressionante. E conforme ensinamos, mais eles aprendem e se inserem neste mundo digital, o que acaba criando uma identidade digital de cada um. De fato, essa inclusão no mundo dos games é muito rápida e, consequentemente, a mudança na vida de toda a família também.

Quais são os próximos passos para a expansão e aprimoramento das atividades do DiversiGames?

No último dia 5 de março, inauguramos mais um centro de formação, desta vez na cidade de Niterói. Também estamos trabalhando para fechar o patrocínio para a unidade de São Paulo, que vai ser um grande desafio, um grande sonho para a gente, de levar esse projeto para a capital. E queremos transformar todo o nosso material didático e pedagógico na modalidade Ensino à Distância (EaD). Seria um DiversiGames EaD, com todo material disponível na internet, gravações das aulas, para qualquer criança e jovem que esteja em qualquer parte do Brasil tenha acesso. Também queremos continuar ampliando a nossa rede no Rio de Janeiro, nossa cidade-sede. Como é alto o custo para montar um centro de formação, por se tratar de tecnologia e de mão de obra especializada, esperamos ter 10 unidades até os próximos dois anos.

Por que você acredita que é importante destacar iniciativas como o DiversiGames e como elas podem inspirar outras ações de responsabilidade social?

Porque elas fazem a diferença e, realmente, transformam vidas. Somos um projeto inédito, que não existe em nenhum outro lugar do mundo, e queremos servir de exemplo para que outras pessoas, ONGs, empresas apareçam no Brasil e façam trabalhos importantes de inclusão com esta juventude excluída, como a existente neste mundo bilionário dos games.

Última atualização da matéria foi há 1 mês


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