Fusões e Aquisições para médias empresas em foco

 João Caetano Magalhães

O mercado de Mergers & Acquisitions (M&A) está aquecido no Brasil e, segundo dados do portal Fusões & Aquisições, o segmento de middle market (empresas de médio porte) vem se destacando com 350 transações (com valores entre R$ 50 e R$ 499 milhões) entre janeiro e setembro de 2021, crescimento de 77% em relação ao mesmo período do ano passado. E a tendência é que este cenário continue nos próximos meses, segundo João Caetano Magalhães, diretor da Redirection International, empresa especializada em transações no middle market. Com tantas oportunidades, é preciso ter um bom planejamento para que o processo seja bem-sucedido. João Caetano Magalhães explica que as empresas de médio porte podem e devem fazer aquisições para se manterem competitivas no mercado, principalmente se contarem com uma assessoria especializada para conduzir toda a negociação. De acordo com Magalhães, os dados positivos do segmento demonstram uma mudança no perfil das transações locais, uma vez que o mais comum era que as médias empresas (principalmente empresas familiares) fossem adquiridas por grandes corporações. “O que se observa é que muitas empresas de médio porte já entenderam a importância de uma boa estratégia de aquisições para se manterem competitivas ou acelerarem o crescimento. Ao invés de ficarem na defensiva, partem para o ataque e investem mais em M&A”, afirma.

João, em que momento o segmento de middle market começou a ficar mais movimentado em nosso país?

Eu diria que é mais um movimento de médio prazo que tem crescido nos últimos anos do que a algo atrelado a algum evento específico ou algum ano, ou período de anos específicos. É mais uma questão das empresas médias estarem se desenvolvendo e cada vez mais ficando ativas no mercado de Fusões & Aquisições.

No mundo isso já era uma tendência?

Quanto mais desenvolvido economicamente o país, mais desenvolvido é o segmento de middle market, então pegando como exemplo os Estados Unidos ou a Europa isso já é uma realidade há mais tempo, nessas regiões as empresas médias já são mais ativas em termos de Fusões & Aquisições.

Por que as empresas de médio porte começaram a se utilizar dessa estratégia?

É tudo uma questão de evolução e de maturidade do ambiente econômico e empresarial, então à medida que, por exemplo, o mercado financeiro, a bolsa de valores, fundos de investimento e outros veículos de investimento vão crescendo e vão se desenvolvendo, também há uma tendência que acaba incentivando e facilitando as empresas de médio porte a crescerem através de aquisições.

Qual a importância do planejamento para esse processo?

O planejamento é importante em qualquer processo empresarial, mas no caso de aquisições feitas por empresas de médio porte esse planejamento é ainda mais importante porque como elas não têm uma capacidade financeira tão grande, qualquer erro maior pode causar um problema muito grande para a empresa e até no limite levá-la à falência. Nós na Redirection mesmo, já tivemos clientes que antes da nossa contratação tinham feito algumas aquisições no seu mercado, os resultados não foram os esperados e infelizmente a empresa entrou em uma trajetória de declínio. Já estava com grandes dificuldades financeiras quando nos contratou e acabou tendo que ser vendida para um grupo empresarial maior e mais sólido.

Quais outros pontos fundamentais desse planejamento?

O planejamento na atividade de Fusões & Aquisições têm alguns pontos muito importantes, entre eles o mapeamento de alvos e também um planejamento financeiro que vai dar suporte a estas aquisições, tanto do ponto de vista de caixa próprio da empresa como talvez um financiamento de alguma aquisição. Então, você planeja projetar o fluxo de caixa futuro da empresa após uma aquisição é a de suma importância e, para fazer tudo isso, é sempre recomendável você contar com profissionais experientes que vão poder te assessorar em todas as etapas do processo, desde o planejamento financeiro até o mapeamento e avaliação econômica dos alvos, na elaboração das propostas e negociações, e também, dependendo da situação, na integração pós-aquisição, que é fundamental para capturar as sinergias e os benefícios econômicos que foram planejados.

Existem grandes diferenças operacionais nas transações de grandes corporações e de empresas de médio porte?

O processo em si não é muito diferente, o que muda significativamente é a organização interna e o nível de governança que as empresas menores têm, que são geralmente mais baixos do que das grandes corporações, que já são auditadas por grandes empresas de auditoria há muitos anos. O que acaba acontecendo é que muitas vezes você tem informações iniciais que são usadas para as negociações e propostas, mas quando nas etapas finais do processo você faz a verificação e validação destas informações na fase de diligência (due diligence) da empresa que está sendo adquirida, muitas vezes aparecem “surpresas” grandes que acabam mudando o racional econômico de toda a transação e, muitas vezes, acaba inclusive frustrando a transação.

Fale um pouco mais sobre isso.

Outro ponto é o nível de maturidade e experiência em transações de Fusões & Aquisições das pessoas e profissionais envolvidos em todo o processo. Pessoas com pouca experiência, dificultam muito o processo e diminuem significativamente a chance de sucesso de uma transação. A venda ou aquisição de uma empresa tem muitos aspectos diferentes da aquisição de outros ativos menos complexos como imóveis, ou equipamentos.

Qual a importância de uma assessoria especializada para o auxílio dessas empresas?

Por último, em empresas familiares de pequeno e médio porte, é muito comum que os aspectos emocionais trazidos pelos sócios fundadores da empresa tenham um peso muito grande no processo. É preciso saber lidar com estes aspectos, e este é um grande diferencial de empresas de assessoria como a Redirection que são focadas neste segmento. Grandes bancos de investimento não têm muita paciência para lidar com isso.

Existem transações em curso em que a consultoria está envolvida?

Sim, normalmente temos algo entre 10 e 15 projetos em andamento e nos últimos tempos cerca de 20% deles têm sido de clientes que nos contratam para fazer aquições, que chamamos buyside.

2022 será um grande ano para o segmento de middle market?

Sim, apesar de ser um ano um pouco complicado por conta de possíveis turbulências políticas (devido às eleições) e ainda um ano de recuperação econômica da pandemia, o cenário tem se mostrado bastante promissor em termos de Fusões & Aquisições no segmento de middle market.

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