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Michele Guizini domina como influencer agro

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Em 2018, aos 28 anos, Michele Guizini se formou como engenheira agrônoma e poucos meses depois de formada, ela já estava na Bayer, onde permaneceu por dois anos no setor de sementes. “Sei que me formei tarde para os padrões, mas nunca é tarde para se dedicar ao que se ama. E a minha vivência na Bayer reforçou isso ainda mais, essa conexão com o plantio, a terra”, pontua. Como consultora e vendedora direta, Guizini fazia longas viagens por fazendas e percursos de 600-700 km em um único dia não eram raros na sua agenda. “Aprendi muito. Eu era o ‘agro perrengue’, com pneu furado, no atoleiro e por aí”, diz ela. “Estava direto no campo, via de tudo, e as mulheres podem estar onde quiserem: com máquinas pesadas, com causas, coordenando equipes masculinas. De vestido e bota.” Foi na pandemia de Covid-19 que a influencer decidiu seu retorno definitivo para a lida no campo, com as máquinas, claro. Nesse período, começou ver suas redes sociais cada vez mais acessadas à medida que contava seus desafios do dia a dia, o que já fazia de modo aleatório antes. “Sobre as máquinas agrícolas, as mulheres me perguntam muito sobre habilitação e sobre os desafios da operação”, afirma. A habilitação é feita em curso de operadora de máquinas, que pode ser por meio do Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) e também em instituições. “Mas operar uma máquina agrícola não é só subir nela”, diz.

Michele, como foi a sua experiência na Bayer como engenheira agrônoma e como essa vivência reforçou a sua conexão com o plantio e à terra?

Foi meu primeiro emprego, e nesses dois anos e meio que estive na empresa aprendi muitas coisas que a faculdade não ensina… Principalmente com os produtores rurais, que são grandes mestres na lida diária. Somente o dia a dia te ensina de fato como ser agrônoma. Foi uma experiência espetacular, que me abriu muitas portas, e me deu notoriedade na região que atuei.

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Que tipo de desafios você enfrentava como consultora e vendedora direta, especialmente durante suas longas viagens por fazendas?

A maior delas com certeza são as estradas ruins que temos no Brasil, estradas esburacadas e sem sinalização.

Como a pandemia de Covid-19 influenciou sua decisão de retornar definitivamente para a lida no campo e trabalhar com máquinas agrícolas?

Foi um divisor de águas… Como tudo praticamente se tornou digital com a pandemia, aproveitei esse momento e mergulhei no mundo da internet. Sai da Bayer no final de 2021, e comecei a me dedicar em produzir conteúdo no dia a dia, mostrando minha rotina na fazenda, os perrengues que passamos, e como é a produção de alimentos (mostrando o processo desde o preparo de solo até a colheita).

Qual é a habilitação necessária para operar máquinas agrícolas e quais são os principais desafios da operação que as mulheres costumam perguntar a você?

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Sempre me perguntam sobre a habilitação, na verdade, não é uma habilitação como temos para dirigir carro, é necessário fazer um curso de máquinas agrícolas para poder operar. Fiz o curso no ano de 2017 durante a faculdade, através do Senar MT. O curso é gratuito, tem duração de 1 mês e meio. Foi nesse curso que tive a noção dos comandos das máquinas, e depois no dia a dia aprimorei as operações. O maior desafio na minha opinião são as tecnologias que as máquinas possuem, é tanta tecnologia que muitas vezes não sabemos nem como utilizar, além das manobras em talhões que possuem dreno e não são tão planos.

Como você descreveria os desafios envolvidos na manobra de máquinas agrícolas em áreas não muito planas ou com obstáculos, como tocos de árvores?

Quanto maior a máquina, mas difícil é a manobra! Quando é área de abertura tem muito toco e pedra, costumamos fazer a limpeza do terreno antes de entrar pra plantar, e quando encontramos algum obstáculo como toras de madeira, descemos da plantadeira, retiramos do caminho, e seguimos o plantio. Sempre tiramos os obstáculos, pois, eles quebram o disco, dando problema na máquina. Acontece de encontrarmos ninhos de aves também, como: quero-quero, emas, e etc… Preservamos os ninhos, pulamos eles e seguimos o plantio/colheita.

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Quais são os animais comuns nas lavouras que exigem atenção durante a operação de máquinas agrícolas, e como você lida com eles?

É muito comum quero-quero, emas, tatus, antas… Como falei anteriormente nos respeitamos os animais, seus filhotes e ninhos, sempre estamos atentos a qualquer movimento frente a máquina.

Como você concilia a preservação da vida selvagem, como ninhos de pássaros, com a necessidade de colher as safras nas lavouras?

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Estamos sempre atentos a vida animal, preservamos os ninhos, ovos e filhotes. Na nossa última safra aqui na fazenda, encontramos um ninho de quero-quero com a mãe e 2 filhotes, durante o plantio. Erguemos a plantadeira, passamos o ninho e seguimos o plantio normalmente após. Toda vida importa, e é necessário preservar.

Quais são os cursos ou instituições mais recomendados para obter a habilitação de operadora de máquinas agrícolas?

Existem muitas escolas particulares que dão o curso, mas eu aconselho fazer no Senar, pois, é uma instituição séria e focada no Agro. E o melhor de tudo, o curso é gratuito, qualquer pessoa acima de 18 anos pode fazer.

Por que você acredita que é importante que as mulheres tenham acesso e habilidades para operar máquinas agrícolas?

Operar máquinas é uma profissão, o mercado emprega muitos profissionais nesse setor. Acredito que as mulheres podem e devem operar máquinas agrícolas, para terem sua independência financeira, ajudar a família no dia a dia, ou apenas pra adquirir conhecimento caso haja algum imprevisto com algum operador. Conhecimento nunca é demais!

Quais são as tecnologias mais avançadas presentes nas máquinas agrícolas atuais, e como você as utiliza durante a operação?

Deslocamento por sessão: sensores que gerenciam de forma inteligente a área a ser plantada.

Quando o equipamento, que está configurado com o referido sistema, passa por uma área onde já foram aplicadas as sementes, ele automaticamente realiza o desligamento e volta a funcionar quando identifica um local que ainda não foi semeado.

GPS: A principal funcionalidade do GPS é a possibilidade de usá-lo nas máquinas agrícolas com o objetivo de elaborar mapas detalhados da lavoura com base em amostras de solo georreferenciadas. Evita caminhos repetidos, ajuda a localizar as máquinas, pulveriza na medida certa e taxa variável, monitora plantio, colheita e etc…

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Piloto automático: O piloto automático agrícola consiste num sistema que automatiza a operação das máquinas utilizadas na fazenda, otimizando as operações.

Por que você decidiu compartilhar suas experiências e desafios do dia a dia nas redes sociais, e como isso tem impactado sua jornada na agricultura?

Decidi compartilhar a minha rotina, pois, amo o que faço, e também pra mostrar que outras mulheres também conseguem trabalhar no agro. O objetivo tem sido atingido com sucesso, pois, sempre recebo mensagens de seguidoras dizendo que se inspiraram em mim pra fazer agronomia, ou que estão trabalhando no agro por influência minha. Isso é muito gratificante, pois, nós podemos sim fazermos o que quisermos!

Última atualização da matéria foi há 1 ano


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