Ticyana Arnaud avalia o novo mercado de trabalho

Ticyana Arnaud

Ticyana Arnaud é especialista em carreiras, com mais de 20 anos de experiência em RH de empresas privadas, que hoje atua como professora universitária, no curso de MBA em Gestão Estratégicas de Pessoas, da Universidade Estácio de Sá. É mentora para pessoas que buscam recolocação e realização profissional. Para 2022, Ticyana já passa a dica do profissional em alta: “Trabalhar no formato remoto abriu fronteiras para os brasileiros, tanto no Brasil quanto em outros países. A área em alta é a tecnologia, devido à escassez de talentos para contratação. Uma ótima notícia para quem pretende ou já está fazendo transição de carreira para a área de tecnologia. Estes profissionais que buscam recolocação profissional, estão encontrando excelentes oportunidades.” A consultora é prova de mudança de carreira, quando em 2019 iniciou sua transição e pediu demissão da empresa privada onde trabalhava logo no início da pandemia, em março de 2020. Seu desejo era seguir como mentora e empreendedora, por acreditar numa carreira com propósito. Naquele momento, o mundo já estava de cabeça para baixo com a Covid-19 e, consequentemente, um novo desafio para a profissional. “Transição de carreira é um frio na barriga, mas, às vezes, não podemos adiar o momento para se refletir sobre as escolhas da carreira. É preciso entender, com o profissional, o que faz ele feliz, para criar um plano de ação com um prazo para alcançar o cargo tão desejado”, afirma.

Ticyana, o que os profissionais precisam saber na hora de tentar uma recolocação?

O processo de recolocação profissional mudou. Não se trata apenas de enviar o currículo e aguardar o contato da empresa. Hoje, além de ter o currículo, é importante ter uma presença digital, fazer networking, entender como está o mercado e os concorrentes. Alinhado com o seu objetivo de carreira, saber em quais empresas gostaria de trabalhar, tipo de contrato, salário e o cargo. A partir daí, criar o seu Plano de Recolocação Profissional.

Quais os maiores desafios que devem ser transpostos para essa recolocação?

Ter a consciência que o processo mudou. Muitos profissionais ficaram anos trabalhando na mesma empresa e quando voltaram para o mercado se sentiram completamente perdidos e sem saber por onde começar. Reativar a rede de networking é um processo demorado e pode atrasar a recolocação.

Cite os maiores erros que esses profissionais cometem quando precisam se recolocar no mercado.

São vários, mas se candidatar às vagas de emprego na emoção é o mais comum. A primeira coisa que falo nos meus treinamentos é: pare de se candidatar para vagas de emprego na emoção. Todo mundo leva um susto. Mas explico: se candidatar às vagas sem ajustar o currículo à vaga é um dos maiores motivos para não ser chamado para a entrevista. E ter o currículo selecionado já conta 80% do processo. Por isso é tão importante ter um plano de recolocação. Além disso, não ter um perfil no LinkedIn e se candidatar para diversas vagas na mesma empresa pode atrasar ainda mais o processo.

A pandemia abriu quais leques para esses profissionais?

A pandemia abriu as fronteiras. Agora com o trabalho remoto é possível ser contratado para trabalhar em qualquer lugar no mundo. Já atendi clientes de três continentes e todos são brasileiros que foram trabalhar no exterior. As portas estão abertas e agora é o momento de se especializar e buscar as melhores oportunidades no mercado.

O trabalho remoto será uma saída cada vez mais viável?

As pessoas estão bem adaptadas e muitas perceberam que é possível ter mais qualidade de vida trabalhando neste formato. O tempo perdido no deslocamento permitiu que muitas pessoas voltassem a estudar, passarem mais tempo com a família, além de voltar a praticar atividade física. É um mundo novo e estamos cada vez mais adaptados.

Uma área com bastante demanda é o setor tecnológico. Como profissionais que atuam em outros ramos podem encontrar o seu caminho na tecnologia?

Experimentando. Muitos profissionais estão fazendo transição de carreira e tem encontrado ótimas oportunidades, mas entendendo antes de tudo que é um novo começo. Já tive clientes da área da saúde, turismo, direito, comercial que fizeram transição para a tecnologia e todos estão trabalhando. No começo é uma posição mais inicial, assim como toda mudança de área, mas como faltam profissionais de tecnologia no mercado, as promoções estão bem aceleradas. A busca por profissionais de tecnologia cresceu mais de 670% na pandemia.

Qual o papel do networking para uma recolocação?

Fundamental ter uma rede de contatos. Faz toda a diferença. E é fundamental que seja feita a vida toda e não apenas quando está desempregado. Toda relação quando é genuína e verdadeira abre portas. Quando um profissional só procura o outro para pedir uma indicação, a chance de acontecer é remota. Por isso, seja sempre interessante ao invés de ser interesseiro.

As redes sociais ajudam em quais sentidos?

O LinkedIn é a plataforma para construir um posicionamento profissional, onde é possível manter a empregabilidade e as portas abertas. Além de mostrar para o mundo o profissional que é. Ali estão as empresas, as pessoas e, construir uma autoridade digital faz toda a diferença. Vejo profissionais que nunca usaram a rede e quando começam a usar com estratégia recebem convites para entrevistas de emprego. E isso se mantém se o profissional permanecer na rede e não abandonando depois da recolocação. O LinkedIn precisa estar sempre ativo.

A geração Y talvez seja a que mais troca de emprego. Isso pode ser ruim para o futuro desses profissionais?

A média de permanência nas empresas são 2,7 anos. Esses profissionais procuram cada vez mais adaptar o trabalho ao seu estilo de vida e não o contrário. E as empresas têm olhado com mais atenção para a retenção dos talentos, pois, eles não querem mais permanecer em empresas que não estão alinhadas com seus valores.

Como aliar o propósito a uma carreira?

Ter a percepção que um trabalho com sentido é o que vai permitir que o profissional deixe um legado. Na pandemia, muitas pessoas sentiram a necessidade de ter um trabalho que não pagasse apenas as contas, mas que trouxesse um sentido tanto para a sua vida quanto para a vida das outras pessoas. Afinal, todos querem fazer a diferença.

Esse seria o melhor norte para conduzir uma carreira no mercado trabalho?

Sem dúvida. Considerando que a expectativa de vida ultrapassa os 70 anos, avaliar se as escolhas feitas e o caminho que deseja seguir ainda é o mesmo. Se não for, nunca é tarde para buscar o propósito na carreira.

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