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Campanha da Zara: mau gosto ou má-fé?

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A nova coleção Zara Atelier, recentemente lançada (e já retirada do ar), tem sido o epicentro de controvérsias e indignação. Uma imagem em particular chocou a audiência global: uma modelo em um cenário dilapidado, cercada por corpos (manequins) envolvidos em tecidos brancos. Uma cena que evoca fortes lembranças da Faixa de Gaza, martirizada por bombardeios israelenses desde outubro. A conexão entre moda e geopolítica, no entanto, ganhou uma voz proeminente em Hyatt Omar, ativista e influencer brasileira-palestina.

Com 25 anos, Hyatt é uma defensora incansável da causa de uma Palestina Livre. Seu perfil no Instagram, que ultrapassa os 188 mil seguidores, se tornou um canal educativo, onde ela compartilha vídeos esclarecedores sobre orientalismo, cultura palestina, islamismo e geopolítica. Além disso, sua formação em Psicologia pela York University, no Canadá, proporciona uma abordagem única na análise das implicações psicológicas das questões que ela abraça. Fluente em português, árabe e inglês, Hyatt tem se destacado como uma figura notável na luta pela conscientização.

Ao analisar as imagens da campanha, Hyatt aponta para o fato perturbador de que os corpos envoltos em tecidos brancos lembram de perto os corpos palestinos, uma visão que tem assolado a Faixa de Gaza nas últimas semanas. Para ela, essa semelhança não pode ser considerada mera coincidência. Em suas próprias palavras, “esse é um marketing muito infeliz”, uma mensagem que ecoa nas mentes dos seus milhares de seguidores.

A reação de Hyatt às imagens não se limitou a meras críticas. Ela convoca os consumidores a aderirem ao movimento #BoycottZara, argumentando que a marca deve enfrentar as consequências de suas escolhas de marketing insensíveis. Enquanto a Zara deletou as fotos mais controversas de suas redes sociais, a campanha e as vendas prosseguem. A influencer argumenta que um pedido público de desculpas é indispensável, rejeitando meros pronunciamentos de “mal-entendido” entre a empresa e os consumidores, como foi feito no Instagram da marca.

Hyatt destaca que essa não é a primeira vez que a Zara se envolve em polêmicas relacionadas aos palestinos. Ela revisita dois casos anteriores, um de uma estilista da marca que expressou apoio ao movimento sionista e outro do proprietário da franquia em Israel, que organizou um evento em apoio a um político de extrema-direita, Itamar Ben-Gvir, atual Ministro da Segurança Nacional de Israel. Esses episódios passados contribuem para a percepção de que a insensibilidade da Zara em relação às questões palestinas não é um incidente isolado.

A voz de Hyatt Omar se torna um catalisador importante neste momento, destacando não apenas as falhas de uma campanha de moda, mas também evidenciando as interseções entre a moda, a política e as questões humanitárias. Sua presença online, caracterizada por uma mistura de advocacy e educação, permite que ela não apenas denuncie, mas também eduque seu público sobre a complexidade e a sensibilidade envolvidas nas questões palestinas.

No cerne da mensagem de Hyatt está o apelo à responsabilidade corporativa. Para ela, a Zara não pode simplesmente se esquivar das críticas deletando fotos e emitindo comunicados superficiais. Ela exige uma resposta significativa, um reconhecimento da insensibilidade perpetrada pela campanha e um compromisso real com a mudança. O pedido de desculpas, segundo Hyatt, deve ser um ato de contrição genuíno, um passo em direção à compreensão da gravidade das ações e à responsabilização pelos danos causados.

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A campanha #BoycottZara ganha força à medida que mais pessoas se unem ao apelo de Hyatt. Consumidores estão questionando não apenas as práticas de marketing da Zara, mas também o papel das grandes marcas na promoção da consciência social. A influencer destaca que boicotar uma marca é uma forma eficaz de protesto, uma maneira pela qual os consumidores podem se manifestar contra práticas que consideram inaceitáveis.

Hyatt Omar, ao abraçar essa causa, destaca a importância da consciência cultural e política na era da globalização. Suas postagens educativas transcendem as fronteiras, alcançando um público diversificado. Ela utiliza seu conhecimento em psicologia para desvendar as nuances das escolhas de marketing da Zara, destacando como tais decisões podem afetar psicologicamente as pessoas que vivem as realidades representadas nas imagens.

Além de sua atuação online, Hyatt destaca a necessidade de diálogo e entendimento. Ela acredita que a conscientização deve ser acompanhada por conversas significativas, onde as pessoas possam entender as diferentes perspectivas e realidades que cercam as questões palestinas. Seu apelo vai além do boicote à Zara, buscando uma mudança cultural e social mais ampla.

A voz de Hyatt Omar ressoa como um chamado à responsabilidade e empatia no mundo da moda e além. Sua mensagem não é apenas sobre a Zara; é sobre o reconhecimento da humanidade compartilhada e a necessidade de considerar as implicações éticas em todas as esferas da vida, inclusive na moda. Enquanto a campanha #BoycottZara ganha força, a influência de Hyatt transcende as redes sociais, estimulando uma reflexão mais profunda sobre as interconexões entre consumo, consciência e responsabilidade.

Última atualização da matéria foi há 2 meses


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