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Mark Scheinberg: o ex-dono da PokerStars

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Há personagens do capitalismo contemporâneo que parecem ter sido moldados em salas silenciosas, longe dos holofotes, mas que movimentaram cifras dignas de rockstars financeiros. Mark Scheinberg é um deles. Canadense de nascimento, cosmopolita por conveniência e empresário por obsessão, ele construiu um império em torno de cartas, fichas virtuais e probabilidades matemáticas, enquanto o resto do mundo ainda tentava decidir se pôquer era jogo, esporte ou pecado socialmente tolerável.

Filho de Isai Scheinberg, matemático e cofundador da PokerStars, Mark cresceu cercado por números, lógica e um certo desprezo pelo improviso. A história da PokerStars começa no início dos anos 2000, quando a internet ainda engatinhava como plataforma de negócios globais. O que parecia apenas mais um site de entretenimento se transformou, sob sua liderança, na maior sala de pôquer online do planeta. Não foi sorte. Foi cálculo frio, leitura de cenário e uma agressividade estratégica típica de quem sabe quando pagar para ver — e quando abandonar a mesa.

“O homem que ganhou bilhões com apostas calculadas decide, depois, apostar no concreto, no mármore e no turismo de elite. É como se Scheinberg tivesse trocado o baralho pelo mercado imobiliário, mantendo a mesma lógica — risco controlado, margem alta e pouca exposição pública.”

Enquanto muitos empresários do Vale do Silício vendiam narrativas sobre “mudar o mundo”, Scheinberg preferiu mudar o jogo. Literalmente. A PokerStars soube explorar um vácuo regulatório global, crescer rápido, fidelizar jogadores e criar um ecossistema que misturava glamour, vício, estatística e espetáculo. O pôquer online virou um fenômeno cultural, e Mark, mesmo discreto, tornou-se um dos homens mais ricos do setor de entretenimento digital.

A discrição, aliás, sempre foi parte do personagem. Nada de palestras motivacionais, frases de efeito ou culto à personalidade. Scheinberg falava pouco e negociava muito. Talvez por isso tenha atravessado com menos arranhões um dos momentos mais turbulentos da indústria: a repressão do governo dos Estados Unidos ao jogo online, culminando no famoso “Black Friday” de 2011, quando sites foram fechados e executivos processados. A PokerStars sobreviveu. Muitos concorrentes não.

Quando, em 2014, Mark Scheinberg vendeu a PokerStars para o grupo canadense Amaya (hoje Flutter Entertainment), ficou claro que ele sabia a hora exata de levantar da mesa. O negócio, avaliado em cerca de US$ 4,9 bilhões, consolidou sua fortuna pessoal nesse mesmo patamar: US$ 4,9 bilhões. Um número que impressiona não apenas pelo tamanho, mas pela origem — cartas virtuais transformadas em capital real, sólido e globalizado.

Fortuna, poder e o silêncio estratégico

Com o cheque bilionário em mãos, Scheinberg fez o que poucos esperavam: sumiu. Ou quase isso. Longe do clichê do bilionário que compra ilhas, foguetes ou redes sociais, ele optou por uma vida de baixo perfil, investindo em imóveis de luxo, hotelaria e projetos de alto padrão, especialmente em mercados europeus. Madri, por exemplo, tornou-se um de seus principais centros de investimento, com hotéis cinco estrelas e empreendimentos que misturam arquitetura, exclusividade e retorno financeiro previsível.

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Há algo de quase literário nessa trajetória: o homem que ganhou bilhões com apostas calculadas decide, depois, apostar no concreto, no mármore e no turismo de elite. É como se Scheinberg tivesse trocado o baralho pelo mercado imobiliário, mantendo a mesma lógica — risco controlado, margem alta e pouca exposição pública.

Críticos gostam de apontar a ambiguidade moral do jogo online, especialmente no que diz respeito ao vício e à exploração de fragilidades humanas. É um debate legítimo. Mas seria intelectualmente preguiçoso reduzir a história de Mark Scheinberg a isso. Ele operou dentro das regras possíveis de seu tempo, empurrou fronteiras legais e construiu uma empresa que redefiniu um setor inteiro. No capitalismo real, raramente há mãos limpas — apenas mãos mais bem jogadas.

Mark Scheinberg é cosmopolita por conveniência e empresário por obsessão (Foto: Wiki)
Mark Scheinberg é cosmopolita por conveniência e empresário por obsessão (Foto: Wiki)

Hoje, Scheinberg é uma espécie de mito silencioso do empresariado global. Não inspira camisetas, não viraliza no LinkedIn, não promete fórmulas mágicas de sucesso. Sua história ensina outra lição, menos palatável e mais honesta: riqueza extrema costuma nascer da combinação entre visão, timing e uma boa dose de frieza emocional. No fim, Mark Scheinberg fez exatamente o que o pôquer ensina desde sempre — jogou com paciência, blefou quando necessário e saiu da mesa antes que o jogo virasse contra ele.


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