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Bad Bunny contra ICE no Grammy…

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Nem todo mundo tem tempo (ou estômago) para acompanhar o noticiário inteiro. É guerra lá fora, escândalo aqui dentro, político fazendo dancinha no TikTok e economista prometendo milagre com inflação alta. Enquanto isso, você tenta sobreviver à vida real. A gente entende.

Por isso nasceu o Condensado: uma dose diária de realidade em 4 tópicos, com informação quente, ironia fria e aquele comentário ácido que você gostaria de ter feito — mas estava ocupado demais trabalhando pra pagar o boleto.

Aqui não tem enrolação, manchete plantada ou isenção fake. Tem olho cirúrgico e língua solta. O que rolou (ou rolará) de mais relevante no Brasil e no mundo vem aqui espremido em 20 linhas (ou menos) por item. Porque o essencial cabe — e o supérfluo, a gente zoa.

Informação? Sim. Respeito à inteligência do leitor? Sempre. Paciência com absurdos? Zero.

Bem-vindo ao Condensado. Pode confiar: é notícia, com ranço editorial.

Trump, Modi, tarifas, petróleo russo e a diplomacia convertida em post: quando a geopolítica vira thread de autoelogio

Donald Trump anunciou na Truth Social um acordo comercial com a Índia como quem divulga um empreendimento imobiliário: números grandes, promessas maiores e confiança absoluta de que ninguém vai ler as letras miúdas.

Foi uma “honra”, segundo ele, conversar com Narendra Modi — honra que veio acompanhada de conversas sobre comércio, Ucrânia, Rússia e, claro, petróleo, esse velho protagonista que nunca sai de cena. Trump garante que Modi topou parar de comprar petróleo russo, comprar mais dos EUA, talvez da Venezuela, e ainda reduzir tarifas como quem aceita desconto em liquidação de shopping.

Em troca, Washington baixaria a tarifa “recíproca” de 25% para 18%, número mágico que parece ter saído de uma calculadora emocional. O pacote inclui mais de US$ 500 bilhões em energia, tecnologia, agricultura, carvão e tudo o que couber num parágrafo entusiasmado. A relação EUA–Índia, diz Trump, ficará “ainda mais forte”. Na política internacional trumpista, acordos são anúncios, diplomacia é narrativa e o mundo funciona como um grande balcão — onde quem fala mais alto sempre acredita que ganhou.

Flávio Bolsonaro, dois marqueteiros, um clã e o velho problema de sempre: quem segura o megafone digital quando todo mundo quer ser o dono da senha

No entorno de Flávio Bolsonaro, o “01” que tenta se apresentar como versão adulta da franquia familiar, já se trata como fato consumado a contratação do marqueteiro Daniel Braga. Nada muito surpreendente: Braga circula confortavelmente pelos corredores do PL e mantém relação estreita com Rogério Marinho, hoje mais do que um senador — uma espécie de síndico-geral do bolsonarismo que ainda acredita em planta baixa eleitoral.

Marinho, aliás, surge como coordenador natural da candidatura, aquele que promete ordem, planilha e café frio nas madrugadas de pré-campanha. O problema começa quando se lembra que já existe um outro marqueteiro no recinto: Marcello Lopes, que chegou antes, ocupou espaço, ganhou confiança e acompanha Flávio como se fosse parte do kit básico do senador. A dúvida não é se haverá atrito, mas quando. E onde dói mais: na comunicação digital, território sagrado do clã, onde memes valem mais que programas de Governo e a verdade sempre entra depois da legenda.

Quem manda no Instagram? Quem responde o WhatsApp “espontâneo?” Quem decide o tom entre o institucional e o apocalíptico? No bolsonarismo, comunicação não é ferramenta — é arma branca, usada sem luva. Para o bem, para o mal e, quase sempre, para o espetáculo.

Bartolomeu Dias dobra o Cabo da Boa Esperança e inaugura a longa tradição humana de chamar desespero de oportunidade

Em 3 de fevereiro de 1488, Bartolomeu Dias dobrou o Cabo da Boa Esperança — e, sem saber, dobrou também a história mundial como quem vira uma esquina perigosa. O nome, claro, é um primor de marketing avant la lettre: “boa esperança” costuma ser o rótulo preferido quando não se tem ideia do que vem depois. Para os navegadores europeus, era a promessa de rotas, especiarias e lucro.

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Para os povos que já viviam ali, era o prenúncio de invasão, saque e catequese compulsória. A façanha náutica virou marco civilizatório nos livros didáticos, mas raramente aparece acompanhada da conta completa: comércio, sim; progresso, talvez; violência, certamente. Dobrar o cabo foi também dobrar mapas, hierarquias e destinos.

A Europa passou a se enxergar como centro do mundo justamente quando começou a empurrar o resto para a periferia. Séculos depois, seguimos chamando de “descoberta” aquilo que sempre teve dono. Boa esperança para uns, péssimo presságio para muitos.

Bad Bunny no Grammy, ICE no alvo e o pop lembrando que também sabe falar sério quando resolve tirar a fantasia

Bad Bunny subiu ao palco do Grammy 2026 para receber um prêmio, mas entregou um manifesto — desses que incomodam mais do que discursos políticos cheios de advérbios vazios. Ao vencer com DeBÍ TiRAR MáS FOToS, o porto-riquenho decidiu começar pelo fim: “ICE fora!”. Não foi metáfora, não foi sutileza, não foi pedido educado. Foi palavra de ordem, daquelas que fazem executivos engasgarem com o espumante e parte do público levantar da cadeira por reflexo histórico.

Em seguida, veio o lembrete óbvio que anda precisando ser repetido: latinos não são selvagens, nem animais, nem alienígenas — são humanos e americanos. Em tempos de polarização transformada em negócio, Bad Bunny fez algo quase subversivo: falou de amor sem soar ingênuo.

Reconheceu o contágio do ódio, nomeou o clima tóxico e ainda tentou traduzir sentimentos entre línguas, culturas e feridas abertas. O pop, quando quer, ainda consegue ser mais político que muito gabinete. E mais humano que muito discurso de Estado.

 Bad Bunny fez algo quase subversivo: falou de amor sem soar ingênuo (Foto: Divulgação)
Bad Bunny fez algo quase subversivo: falou de amor sem soar ingênuo (Foto: Divulgação)

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