Dario Werthein: o cabeça da Sky Brasil
Há empresários que gostam de posar como visionários proféticos e há aqueles que preferem o papel menos glamouroso — porém mais eficaz — de leitores atentos do mercado. Dario Werthein claramente pertence ao segundo grupo. Não promete revoluções que não controla nem vende ilusões tecnológicas embaladas em inglês corporativo. Sua atuação à frente da órbita da Sky Brasil revela um executivo que entende que, no capitalismo real, sobreviver já é uma forma de ousadia.
Herdeiro de uma fortuna familiar estimada em 1,9 bilhão de dólares, Werthein poderia ter seguido a cartilha do acionista distante. Mas sua formação — administração de empresas pela Universidade de Buenos Aires, em 1988, com complementação acadêmica na Fordham University, em Nova York — moldou um perfil mais técnico do que performático. Ele pensa como gestor antes de pensar como personagem. Isso o coloca em descompasso com uma era obcecada por CEOs-influencers, mas em sintonia com empresas que precisam atravessar décadas, não ciclos de hype.
“A aquisição da Vrio Corp., em 2021, consolidou o Grupo Werthein como uma das principais Media Tech Companies da região. DirecTV, Sky Brasil e a plataforma de streaming DGO formam hoje uma malha que atende mais de 10 milhões de clientes registrados, impactando cerca de 40 milhões de pessoas. Não é pouca coisa — especialmente quando se fala de América Latina.”
O Grupo Werthein, com mais de 90 anos de história, funciona como a extensão natural dessa mentalidade. Nascido nos setores agropecuário, de alimentos, bebidas e seguros na Argentina, o grupo construiu sua expansão com paciência quase monástica. Desde 2003, diversificou-se regionalmente e hoje opera como uma verdadeira holding de ecossistemas: mídia, tecnologia, conectividade, saúde, desenvolvimento imobiliário, alimentos, bebidas e capital humano. Nada ali parece improvisado — e talvez por isso mesmo falte o brilho sedutor das startups que prometem “mudar tudo” antes de quebrar.
Quando Dario Werthein fala da Sky e da TV paga, seu discurso foge do autoengano comum no setor. Em entrevista passada ao Teletime, ele foi direto: “Não podemos ir contra o mercado”. A frase, simples e quase antipática, carrega uma honestidade rara. Em vez de negar o declínio estrutural da pay TV, Werthein assume a curva descendente e trabalha para amortecê-la. Redução de churn, fidelização, melhoria na venda do serviço tradicional — tudo isso aparece como defesa de um mercado que ainda existe, mas que exige reinvenção constante.
Defender o que cai, cultivar o que cresce
O mérito — e também o risco — da estratégia está justamente no equilíbrio. Werthein não abandona a TV paga como quem foge de um prédio em chamas, mas tampouco aposta nela como se fosse imortal. Seu foco declarado está em compensar a queda com crescimento em OTT, banda larga, conectividade e no que ele chama de “ecossistemas”. A palavra não é casual: trata-se de criar dependências cruzadas, serviços que se sustentam mutuamente e reduzem a volatilidade do negócio.
Outra fala sua ajuda a entender esse posicionamento quase estoico: “A TV paga tradicional e a TV satelital continuarão existindo, mas em menor escala.” Não há drama nem nostalgia, apenas constatação. Werthein não tenta competir frontalmente com gigantes como a Netflix — um erro que muitos insistem em cometer —, mas se coloca como complemento: canais abertos, esportes, notícias e filmes premium. É uma estratégia que reconhece limites, algo cada vez mais raro em conselhos administrativos.
Esse pragmatismo ganha musculatura quando se observa a estrutura atual do grupo. A aquisição da Vrio Corp., em 2021, consolidou o Grupo Werthein como uma das principais Media Tech Companies da região. DirecTV, Sky Brasil e a plataforma de streaming DGO formam hoje uma malha que atende mais de 10 milhões de clientes registrados, impactando cerca de 40 milhões de pessoas. Não é pouca coisa — especialmente quando se fala de América Latina.
Nos últimos anos, o grupo acelerou sua aposta em conectividade e tecnologia. A parceria com a Amazon para internet via satélite, ancorada no Projeto Kuiper, revela uma visão que vai além do entretenimento urbano. Trata-se de ocupar vazios geográficos, áreas rurais e regiões historicamente negligenciadas. Soma-se a isso a criação da fintech Skx, no Brasil, e o lançamento da Waiken ILW, holding regional de tecnologia e mídia com investimento projetado de US$ 450 milhões até 2031.

No fim das contas, Dario Werthein representa uma elite empresarial que prefere o cálculo ao delírio e a permanência ao espetáculo. Pode não ser carismático, pode não render memes, mas sustenta estruturas que continuam operando quando o entusiasmo alheio evapora. Num mercado em que todos querem parecer disruptivos, Werthein provoca justamente por não parecer. E talvez seja essa a sua maior disrupção.
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